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No Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso a consultas especializadas ocorre por meio de encaminhamentos realizados pelos profissionais da Atenção Básica, como médicos e enfermeiros, que identificam a necessidade de especialização para o paciente. Após a solicitação, o encaminhamento é registrado no sistema de regulação municipal, o qual organiza as filas de espera para as diversas especialidades. O objetivo do processo é otimizar os recursos disponíveis, mas com o tempo foram observadas falhas no sistema, o que resultou em longos períodos de espera e dificuldades no acesso aos serviços especializados. Em agosto de 2024, diante dessa situação, foi realizada uma reestruturação na equipe de regulação municipal, motivada pela necessidade de modernizar e otimizar os processos de encaminhamento. Foi identificado que as filas de espera estavam excessivamente longas, com pacientes aguardando até três anos por consultas e exames especializados. Essa situação refletia falhas no sistema de regulação e falhas na comunicação entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Durante os encontros de regionalização, a equipe foi informada sobre o Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), que tinha como objetivo reorganizar os fluxos e melhorar o acesso aos serviços especializados. As novas diretrizes apresentaram expectativas positivas, motivando a implementação de mudanças para garantir um atendimento mais rápido, eficiente e resolutivo.
O principal objetivo dessa reestruturação foi garantir o acesso oportuno às especialidades médicas, otimizando a regulação por meio de estratégias que assegurassem maior resolutividade e eficácia no atendimento. Para atingir essa meta, foram definidos os seguintes objetivos específicos: •Assegurar que os pacientes sejam encaminhados de forma adequada e priorizada, conforme a gravidade e a necessidade de atendimento. •Reduzir as filas de espera, possibilitando que os pacientes recebam atendimento em tempo adequado e evitando prejuízos à saúde. •Tornar o processo de regulação mais eficaz e eficiente, utilizando métodos de classificação e monitoramento que possibilitem a identificação de fragilidades e a implementação de ações corretivas.
A metodologia adotada consistiu na reestruturação dos processos de regulação, com foco na implementação de um sistema de priorização para os encaminhamentos realizados. Cada solicitação de atendimento era registrada no Cadastro de Demanda por Recurso (CDR) do sistema SIRESP e, posteriormente, analisada por um médico e uma enfermeira da regulação. Para garantir uma triagem eficiente, foi adotado um sistema de classificação por cores: verde para casos eletivos e sem gravidade, amarelo para situações que exigiam atenção moderada e vermelho para atendimentos prioritários e de maior urgência. Sempre que os pacientes apresentavam queixas de agravamento do quadro clínico, a equipe de atenção básica realizava nova avaliação, garantindo o monitoramento contínuo. Paralelamente, a equipe de agendamento registrava todas as informações em uma planilha eletrônica, onde os casos eram filtrados por nível de prioridade. Essa planilha continha dados detalhados, como o tempo de espera de cada paciente, a classificação de risco atribuída, o número de encaminhamentos feitos por cada médico e outros indicadores essenciais. A análise dessas informações permitiu a identificação de fragilidades no sistema de regulação, possibilitando ajustes estratégicos para otimizar o acesso às especialidades. Os dados coletados foram compilados em gráficos e apresentados à gestão municipal, que, a partir dessas evidências, implementou medidas para reduzir as filas e tornar o atendimento mais ágil e eficiente.
A implementação da nova metodologia gerou resultados expressivos e positivos para o sistema de regulação municipal. Com a adoção do sistema de classificação por cores, os pacientes passaram a ser agendados conforme a prioridade clínica, eliminando o agendamento aleatório e desorganizado que ocorria anteriormente. Essa medida resultou em uma redução significativa do tempo de espera, que para exames antes era em média 532 dias de espera e agora é de 258 dias, uma redução de 51,5%. Já para consultas nas especialidades, antes a média de espera era de 532 dias, e agora é de 481 dias, ou seja, 12,5% menor, garantindo que os pacientes com maior necessidade recebessem atendimento mais rapidamente. Em alguns exames como Mamografia e Tomografia Computadorizada, a fila de espera que antes era de 432 e 161 dias, respectivamente, foi zerada. A análise dos dados demonstrou que a redução das filas restabeleceu o acesso aos exames e especialidades de forma mais eficiente, prevenindo complicações de saúde causadas pela demora no atendimento. Além disso, observou-se menor absenteísmo, permitindo que os atendimentos fossem direcionados aos pacientes que realmente necessitavam do serviço. A utilização da planilha eletrônica e dos gráficos de monitoramento facilitou a identificação dos pontos críticos no fluxo de encaminhamentos, permitindo à gestão implementar mudanças pontuais e estratégicas. Essas ações contribuíram para a melhoria geral do sistema, promovendo uma regulação mais ágil e eficaz
A reestruturação da equipe de regulação municipal e a implementação de um sistema de classificação de risco se mostraram essenciais para transformar o acesso aos serviços especializados. Ao reduzir significativamente as filas de espera e otimizar o encaminhamento dos pacientes, o projeto garantiu um atendimento mais oportuno e de maior qualidade, refletindo diretamente na melhoria dos indicadores de saúde. Essa experiência ressalta a importância de uma abordagem integrada e colaborativa entre os diferentes níveis de atenção à saúde. Além disso, demonstra que a utilização de ferramentas de monitoramento e a análise de dados são fundamentais para identificar fragilidades e direcionar ações corretivas que visem à melhoria contínua do sistema. Assim, o trabalho não só atendeu à demanda por um acesso mais ágil, mas também serviu como um modelo para futuras iniciativas de regulação em saúde, contribuindo para a construção de um sistema mais eficiente e centrado no paciente.
Regulação Municipal, Classificação de Risco, Filas
LENARA PAGANOTTI DURAN FERNANDES, LAYS FERNANDA FERREIRA DE AZEVEDO, LUCAS BORDIGNON ULIANA, LALESCA ALVES DA SILVA