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O geoprocessamento pode ser definido como sendo o conjunto de tecnologias destinadas a coleta, manipulação, armazenamento e tratamento de informações espaciais para transformá-los em informação relevante através de imagens gráficas (mapa). Saber interpretar um mapa é uma excelente forma de conhecermos uma cidade, um município, uma região, um estado, um país, etc. (ROSA, 2013). O Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) fomenta a abordagem das questões socioambientais no âmbito das ações de promoção, contribuindo substancialmente para consolidação de uma concepção de saúde e meio ambiente mais abrangente, com evidências para os determinantes sociais do processo saúde doença (GUIAPAVS, 2012). O geoprocessamento pode ser uma estratégia para observar, analisar e proporações importantes e significativas nos territórios, para que as ações de promoção e prevenção tenham maior eficácia. As equipes da Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) de Vila Mariana/Jabaquara e da Educação e PAVS da Diretoria de Educação da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina/Programa de Atenção Integral à Saúde (SPDM/PAIS) se uniram para criar modelos estratégicos de sobreposição de mapas com os dados de agravos de notificação compulsória, riscos socioambientais dentro da área de abrangência das Unidades Básicas de Saúde (UBS).
1. Desenvolver metodologias e ferramentas para analisar os dados coletados em campo e os agravos de notificação compulsória. 2. Realizar capacitação técnica dos profissionais das UBS para confecção dos mapas temáticos. 3. Elaborar uma cartilha passo a passo para sintetizar informações em mapas temáticos, visando otimizar as ações de promoção à saúde e prevenção de agravos.
A área deste relato abrange o Distrito Administrativo de Vila Mariana/Jabaquara, São Paulo, especificamente nas áreas de cobertura das UBS. Foram realizados treinamentos práticos para gerentes dos serviços e enfermeiras responsáveis pelos Núcleos de Vigilância em Saúde na Atenção Básica (NUVIS/AB) sobre as ferramentas disponíveis na plataforma utilizada (MyMaps/Google). Testes foram conduzidos, georreferenciando os agravos de notificação compulsória de cada UBS. O mapa desenvolvido contou com três camadas principais: 1)riscos socioambientais, incluindo riscos hídricos, geológicos, cobertura vegetal, gestão de resíduos, atmosféricos e sociais; 2) agravos de notificação compulsória registrados em uma série histórica; 3) divisão da área de abrangência das UBS e/ou por equipe de Estratégia Saúde da Família possibilitando diversas correlações e interpretações. Foi elaborada uma cartilha passo a passo para a preparação das planilhas com endereços completos, agravos e riscos socioambientais, além de guia para o uso da ferramenta My Maps/ Google para o georreferenciamento dos pontos selecionados e a alteração das cores dos ícones e desenhos representativos. O NUVIS/AB de cada UBS desenvolveu um mapa com os dados correspondentes, e a equipe multiprofissional realizou a comparação e análise dos fatores de riscos socioambientais com o modo de vida da população, sobrepostos aos agravos de notificação compulsória, possibilitando a realização de ações em saúde mais direcionadas.
O trabalho foi realizado de janeiro a dezembro de 2024. Foram realizados 2 treinamentos para os gerentes e enfermeiras responsáveis pelo NUVIS/AB e também treinamentos individuais nas UBS à medida que necessitavam de reciclagem e atualização dos mapas. O mapa apresentou a primeira camada com área de alagamentos, deslizamentos, esgoto a céu aberto, córregos com disposição de esgoto, pontos viciados de resíduos, praças e terrenos abandonados, pessoas em situação de acúmulo, moradias precárias observadas nos territórios pelos agentes de promoção ambiental e agentes comunitários de saúde e/ou por outro profissional de saúde da equipe multiprofissional. A segunda camada apresentou os agravos de notificação compulsória e terceira camada a divisão da área de abrangência daUBS. A partir da análise do mapa realizada pelo NUVIS da UBS, adotou-se estratégias para priorizar áreas a serem trabalhadas, onde as equipes das UBS puderam desenvolver ações extramuros, visitas domiciliares mais qualificadas sobre os temas: combate ao Aedes aegypti, eliminação de criadouros do mosquito, controle de roedores (principalmente no combate a leptospirose), guarda responsável de animais, descarte correto de resíduos sólidos, busca ativa de tuberculose e ações de combate à sífilis, dentre outras.
Esse relato demonstrou a potencialidade do método utilizado para melhorar o planejamento de ações do NUVIS/AB e qualificar as visitas domiciliares no território, priorizando ações urgentes, além de, registrar uma série histórica, produzir mapas temáticos, representar a dinâmica de mudança dos territórios e possíveis resoluções de agravos à saúde. Além disso, possibilitou a criação de estratégias que contribuíram com a vigilância epidemiológica de cada território das UBS. Outro fator importante é relativo ao baixo custo, já que existem softwares gratuitos para georreferenciar os dados obtidos em campo. Como pontos de atenção, é necessário que os profissionais estejam sempre atualizados para lidar com os dados e realizar sua leitura e análise. Como horizonte, vislumbra-se a possibilidade de inserção de novas camadas e utilização por outros tipos de serviços da Rede.
Geoprocessamento, vigilância epidemiológica.
VANESSA LEONEL PETERKA, MELISSA MESSIAS, ADENILDE ANDRADE DA SILVA