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A Geoterapia é uma prática terapêutica milenar que tem a terra e seus frutos como elemento, pedras, cristais, barro, argila e lamas medicinais, que podem ser empregadas em casos de processos inflamatórios, doenças osteomusculares, lesões dérmicas, entre outros (BRASIL, 2018). Desde 2018, ela está presente na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) (BRASIL, 2018). Entretanto, o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (CSEGPS/FSP-USP) tem experiências com diversas práticas integrativas e complementares em saúde (PICS) antes da sua inserção legal no Sistema Único de Saúde (SUS), dentre elas a Geoterapia (MORAES et al., no prelo). A unidade iniciou sua experiência com a Geoterapia em 2005, empregando-a em atendimentos individuais; a partir de 2017, passou a ofertar formação para estudantes em estágio no CSEGPS; e desde 2018, mantém um grupo semanal voltado para usuários. Em 2021, em parceria com a Coordenadoria Regional de Saúde Oeste (CRSO), o CSEGPS passou a ofertar um curso de difusão para profissionais de saúde da rede. A oferta de um curso de difusão de Geoterapia possibilita a ampliação de escopo de práticas oferecidas no SUS, em especial, na CRSO do município de São Paulo, contribuindo para um cuidado humanizado e o conceito ampliado de saúde. Além disso, a capacitação de profissionais da saúde fortalece a implementação de PICS no SUS, assegurando sua sustentabilidade e eficiência.
Objetivamos compartilhar a experiência do CSEGPS sobre um curso de difusão de Geoterapia para estimular e incentivar que outros municípios possam construir e implementar propostas semelhantes, em especial, relacionadas às PICS, contribuindo com o seu fortalecimento e expansão na rede pública de saúde. Assim, descrevemos os conteúdos abordados, carga horária, materiais e recursos utilizados e organização metodológica do curso e refletimos sobre os desafios enfrentados e aprendizados da experiência.
Iniciamos fazendo um levantamento das PICS realizadas na Supervisão Técnica de Saúde (STS) Lapa/Pinheiros e verificamos que a Geoterapia não estava entre os recursos utilizados. A partir do diagnóstico, propusemos para a CRSO a realização do curso. Este foi organizado em dois módulos de três horas cada, totalizando seis horas de curso, sendo o primeiro módulo teórico e o segundo prático. O conteúdo foi dividido entre os tópicos: (1) Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – Geoterapia; (2) história do uso da argila; (3) composição da argila; (4) tipos de argila; (5) propriedades; (6) indicações; (7) benefícios; e (8) formas de aplicação. Trabalhamos com a exposição dialogada estimulando o aprendizado significativo e a troca de experiências, assim produzimos um material com o conteúdo apresentado e as referências bibliográficas para aprofundamento. Como o primeiro curso aconteceu em 2020, ele foi 100% online através de dois encontros síncronos. Em 2022, o encontro teórico foi online síncrono e o prático, presencial. Desde 2023, os dois encontros são presenciais, acontecendo em duas semanas seguidas, no mesmo período e horário.
Em cinco edições, cerca de 150 profissionais foram capacitados. Desde 2023 o curso é oferecido para toda a CRSO. Além disso, em 2024, foram ofertadas 10 vagas extras para as demais CRS. Assim, a cada edição, o curso tem se expandido, ampliando o acesso de diversos profissionais da rede municipal de saúde. A formação em Geoterapia possibilitou que a prática fosse ampliada no SUS. Das 19 unidades de saúde da STS Lapa/Pinheiros, nove implantaram a prática. Na STS Butantã, três das 18 unidades implantaram a Geoterapia. Desse modo, observamos um crescimento proporcional à capacitação ofertada. Cabe destacar que, como há uma dificuldade no lançamento da informação, encontramos uma divergência entre os relatos dos profissionais e os dados oficiais. Além disso, a implantação da Geoterapia no cotidiano do trabalho e cuidado em saúde no município de São Paulo tem como principal desafio a disponibilidade de recurso pela rede, de modo que, a prática acontece apenas quando cada unidade de saúde consegue recursos para a compra dos materiais. Assim, mesmo com o aumento de profissionais formados e que utilizam o recurso dentro da sua prática profissional, não observamos o mesmo aumento nos sistemas de informação.
A oferta de um curso de difusão de Geoterapia para profissionais da rede municipal de saúde possibilita um aumento e fortalecimento de práticas integrativas desenvolvidas de forma segura e eficaz no SUS. A experiência no curso de formação de PICS, incentiva que os profissionais procurem outras práticas para a implantação nas unidades de saúde, potencializando o conceito ampliado de saúde. Por fim, destacamos a importância de cursos de formação em diversos temas e áreas que trabalhem com uma abordagem fundamentada no conhecimento científico, mas que também reconheçam, legitimem e acolham as diversas experiências práticas. Assim, propomos incentivar a criação e implementação de diferentes propostas de Educação Permanente em Saúde que qualifiquem e fortaleçam o trabalho e cuidado em saúde, para a construção de um SUS mais alinhado com os princípios fundamentais.
geoterapia, práticas integrativas e complementares
LAURA IUMI NOBRE OTA, ANA LUCIA LUMAZINI DE MORAES