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A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenhando papel essencial na ordenação da Rede de Atenção à Saúde. Além de atuar diretamente na prevenção de doenças, a APS contribui indiretamente para a diminuição das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), prevenindo enfermidades e reduzindo infecções hospitalares desnecessárias. A gestão do uso de antimicrobianos é fundamental para a diminuição da resistência microbiana, sendo um dos maiores desafios no cenário da saúde pública. Nas gestantes, o seu uso indiscriminado pode gerar riscos para mãe e filho, incluindo alterações epigenéticas e retardo de crescimento fetal. Estima-se que cerca de 30% das prescrições em gestantes sejam desnecessárias. Portanto, o gerenciamento criterioso do uso de antimicrobiano visa garantir o efeito terapêutico adequado, reduzir eventos adversos e prevenir a disseminação de resistência microbiana.
Avaliar a qualidade da prescrição e o acompanhamento de gestantes com infecção do trato urinário (ITU) tratadas com antimicrobianos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Real Parque Paulo Mangabeira Albernaz Filho, localizada na zona oeste de São Paulo. Através da implementação de um Protocolo Assistencial para o uso de antimicrobianos, buscamos analisar a adesão às boas práticas de prescrição e a efetividade do acompanhamento das gestantes.
Foi elaborado um Protocolo Assistencial do Uso de Antimicrobianos em Gestantes, que foi aplicado em todas as UBS sob responsabilidade de uma Organização Social de Saúde (OSS). À equipe médica coube seguir as diretrizes do Protocolo de Infecção do Trato Urinário (ITU) na gestação, conforme orientações da Prefeitura Municipal de São Paulo, respeitando as indicações, dosagens, durações e tempos de uso. A equipe de enfermagem ficou responsável em garantir a efetividade e administração medicamentosa, coleta de exames laboratoriais e orientação de gestantes e familiares. A farmácia apoiou no monitoramento do tratamento das gestantes. Após a validação do Protocolo, foi realizada uma reunião com a Subcomissão de Controle de Infecções Relacionadas à Saúde (SCIRAS) da unidade para dividir as responsabilidades e disseminar a informação a toda a equipe da UBS. A farmacêutica foi responsável por alimentar a planilha com os dados das prescrições e realizar o primeiro contato com as gestantes. A enfermeira acompanhou os resultados de exames e realizou intervenções quando necessário. A supervisão e orientação durante a implementação do protocolo ficaram a cargo da enfermeira do Serviço de Controle de Infecção da OSS.
O estudo foi realizado entre janeiro e julho de 2024, totalizando 6 meses de acompanhamento. Foram avaliadas as prescrições de antimicrobianos realizadas para as 6 gestantes com urocultura positiva durante esse período, uma média de 1,56% das gestantes cadastradas da unidade. Em três dos seis meses, não houve prescrições. A prescrição de antimicrobianos foi realizada conforme o Protocolo da Prefeitura de São Paulo: 4 gestantes receberam Nitrofurantoína e 2, receberam Amoxicilina. No acompanhamento pós-tratamento, as gestantes que realizaram os exames de controle em abril e julho apresentaram urocultura negativa, sem crescimento de microrganismos. As gestantes que tiveram tratamento prescrito em janeiro e fevereiro não realizaram coleta de Urina I e Urocultura após o tratamento. Pelo controle da planilha não há como saber se o exame não foi solicitado ou se as gestantes não realizaram, mesmo com a solicitação. Por isso é importante que a Enfermagem faça esse controle e oriente às usuárias a importância em avaliar a efetividade do tratamento. Todas as gestantes que seguiram o protocolo relataram melhora dos sintomas após o tratamento.
Os resultados sugerem que a implementação do Protocolo Assistencial foi eficaz no alinhamento das prescrições de antimicrobianos às boas práticas, mas a ausência de exames de controle em alguns casos destaca a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso. A capacitação contínua da equipe de saúde, especialmente no que diz respeito à importância do acompanhamento pós-tratamento, é crucial para o sucesso do protocolo. O uso de protocolos contribui para a racionalização das prescrições e melhora a adesão às boas práticas. Todos os contatos com as gestantes foram realizados pela farmacêutica, reforçando a importância desta categoria no acompanhamento e orientações sobre os medicamentos utilizados pelos pacientes. As prescrições realizadas estavam de acordo com a indicação (queixa clínica e/ou exame alterado). O presente estudo, será ampliado para as demais unidades sob a responsabilidade da OSS. Essa ampliação é necessária para que os dados sejam mais robustos e possam identificar melhorias a serem implantadas no controle do uso de antimicrobianos em gestante, garantindo maior segurança e qualidade no seu acompanhamento.
antimicrobianos, gestantes, atenção primária
JULIANA PARREIRA CAPASSO, YARA CRISTINA DOS SANTOS CARVALHO, NAYARA DE SOUZA SANTOS MALAQUIAS, VIVIANE APARECIDA CAMILO, POLIANE OLIVEIRA EUFRASIO BATISTA, MARINA GONÇALVES MOTA