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Documentos norteadores de políticas de saúde apontam que mudanças climáticas (tempestades, secas, inundações, baixas e altas temperaturas, etc.) afetam diretamente a saúde mental da população; e que vítimas de catástrofes naturais têm maior probabilidade de desenvolver transtorno mental, comparando-se àquelas que não sofreram, incluindo-se estresse pós-traumático e ansiedade pela perda de familiares e/ou privações materiais. A exemplo das recentes ondas de calor no Brasil, especialistas alertam que a elevação das temperaturas pode ter correlação com o aumento de consultas médicas por transtornos de: humor, ansiedade, estresse e esquizofrenia, além do aumento na taxa de suicídios. Assim, recomendam aos governos que adequem os serviços de saúde à realidade local e promovam ações para mitigar os efeitos da crise climática, prioritariamente para pessoas e grupos vulneráveis. Em território brasileiro, entre os serviços do SUS que considera fatores (físicos, biológicos, sociais, econômicos e ambientais) que afetam a saúde mental dos indivíduos, os CAPS se destacam no acolhimento, atendimento e promoção do cuidado de pessoas em sofrimento psíquico severo. Por isso, estratégias complementares ao tratamento médico convencional vem sendo adotadas, a exemplo do Semeando Saúde do CAPS II Barueri que utiliza técnicas de fitoterapia, horticultura, paisagismo e jardinagem para reabilitar psicossocialmente seus usuários e promover inclusão social e produtiva destes e seus familiares.
Apresentar os resultados do grupo terapêutico Semeando Saúde do CAPS II Estação, Barueri, SP, no período de maio de 2022 a janeiro de 2025, demonstrando seu potencial Eco sustentável promotor de saúde. Compartilhar propostas a serem implementadas para melhoria, ampliação e alcance de novos resultados referentes aos cuidados, em saúde mental, dos usuários atendidos pelo CAPS II Estação.
O Semeando Saúde tem por objetivo promover reabilitação psicossocial e inclusão social e produtiva para usuários do CAPS e seus familiares. Para tanto, utiliza de técnicas de fitoterapia, horticultura, paisagismo e jardinagem. Dentre as atividades realizadas destacam-se a gestão compartilhada; capacitações; cuidados com o solo; semeadura; germinação de sementes; controle de pragas; manejo de mudas; colheita; doação; comercialização e contabilidade dos produtos; preservação sustentável do espaço; educação em saúde; parcerias com a comunidade. A indicação para inclusão, definição da atividade e forma de execução considera o PTS, as limitações de cada usuário e as condições climáticas. Alimentação saudável é uma preocupação da equipe multidisciplinar, que incluiu a plantação sem uso de agrotóxicos. Parte dos produtos colhidos são doados, outra parte comercializada.
Muitos são os frutos colhidos por essa iniciativa, que já conquistou prêmios de reconhecimentos por suas boas práticas de saúde no SUS. Desde a sua concepção até hoje, identificou-se os seguintes resultados: maior integração do usuário com a natureza, o meio ambiente e a sociedade; consciência ambiental e reaproveitamento de materiais recicláveis; promoção do autocuidado; promoção da alimentação saudável; aumento da segurança alimentar; maior adesão ao tratamento de saúde mental; redução do stress; uso adequado de plantas medicinais; fortalecimento de vínculos sociais, familiares e comunitários; troca de conhecimentos ancestrais; cultivo de mais de 60 espécies entre flores, plantas ornamentais, plantas medicinais, plantas alimentícias, frutas, verduras e legumes. Salienta-se nesse período aumento da produção e comercialização dos produtos. Com a expansão foram introduzidas novas tecnologias agrícolas como por exemplo, produção de estaquias, implantação de orquidários e jardim de suculentas. Tecnologias digitais integraram as vivências cotidianas: inclusão digital, elaboração de tabelas de itens e preços, registro de vendas, planilhas de prestação de contas, uso de Pix para pagamentos e recebimentos. Parcerias com órgãos públicos (Secretarias Municipais de Saúde/Meio Ambiente/Serviços Municipais/Cultura/Mulher; Câmara Municipal e IPRESB), sociedade civil (Instituto MPD/ONG MOVIECO/Voluntários) e movimentos sociais (Movimento ODS Barueri e Rede ECOSOL) foram firmadas.
Ante o exposto, conclui-se que as conquistas do Semeando Saúde são frutos partilhados entre todos os envolvidos especialmente entre os usuários, que se destacam pelo protagonismo. A essa questão cita-se, por exemplo, a iniciativa dos integrantes do Semeando Saúde em unir forças com outros CAPS (IJ e AD CRAD) para a formalização do recém-germinado Coletivo BaruElos de geração de renda e economia solidária da saúde mental de Barueri. A preocupação com o meio ambiente e questões climáticas permeiam as ações do grupo que sugere a adequação da sede do CAPS para construção verde sustentável: captação de água de chuva; sistema de irrigação; painel solar de energia; compostagem. Há a possibilidade de habilitação do serviço no SCNES como Horto Municipal de Plantas Medicinais. Também possui potencial de expansão para alcançar status de Programa com possibilidades a serem exploradas nos eixos de reabilitação psicossocial, promoção à saúde, meio ambiente e geração de renda. Para tanto, faz-se necessário o compromisso público para garantir a continuidade e o fortalecimento dessa iniciativa.
Saúde mental, CAPS, Reabilitação Psicossocial
SUELLEN ARAÚJO COSTA, WANDER RICARDO RAMALHO, ELISANGELA CAVALCANTI DE SOUSA, FERNANDA OLIVEIRA LIMA, JOSÉ SILVA NUNES