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O aumento da demanda por atendimento fonoaudiólogo e dificuldade de contratação deste profissional em uma unidade básica de saúde na região oeste de São Paulo gerou uma fila de espera para essa especialidade, por mais de 2 anos, com total de 194 pessoas. Com a chegada do profissional em maio de 2025 foi necessário desenvolver estratégia para entender a demanda reprimida, caracterizar o perfil da população e necessidades para organização do cuidado, reafirmando os princípios do SUS, universalidade, equidade e integralidade. A requalificação contou com o apoio da gestão da unidade e serviço de regulação local, dessa forma ao longo de 4 meses não havia fila de espera para fonoaudiologia, foi encerrada.
Requalificar a fila de espera de fonoaudiologia Identificar o perfil e necessidades da população atendida Organizar a oferta do serviço de forma articulada com a rede de atenção básica, reduzindo tempo de espera.
Com o apoio da regulação local foram convocados grupos semanais com pais e ou responsáveis das crianças de 0 a 12 anos, de acordo com faixa etária e hipótese diagnóstica para acolhimento e classificação de risco. Realizou-se entrevista e preenchimento de triagem fonoaudiológica, realizou-se também atendimento individual ou visita domiciliar aos adultos e idosos, conforme necessidade. Após classificação de risco houve direcionamento para atendimento individual e grupos específicos relacionados as demandas identificadas: atraso de fala e linguagem, atraso do neurodesenvolvimento, transtorno global do desenvolvimento, transtorno de aprendizagem e os grupos contaram com participação de demais profissionais como nutricionista, psicóloga e assistente social. Além do acolhimento oportuno para os novos encaminhamentos.
Foram convocados por telefone via regulação todos os pacientes de fila de espera, destes 27,30% foram retirados da fila por falta injustificada ou sem contato telefônico por mais de 3 tentativas, sendo atendidos 26,33% crianças de 0 a 5 anos, 32% crianças de 4 a 11 anos, 5,1% adolescentes, 3,09% adultos e 6,18% idosos. A fila de espera composta por 194 pacientes foi zerada. Após a requalificação os usuários que procuram o serviço fonoaudiológico na unidade saem com agendamento prévio sem a necessidade de ser inserido em fila de espera. Alguns usuários foram encaminhados para grupos de atendimento realizados semanalmente, com 1h de duração, conduzidos pela equipe multidisciplinar, composta por Assistente social, Fonoaudióloga, Nutricionista e Psicóloga. A agenda foi reorganizada oportunizando períodos para grupos, consultas, visitas domiciliares, matriciamento com o centro Especializado em Reabilitação (CER) e discussão de caso com equipe multidisciplinar.
A Requalificação da fila de espera para atendimento de fonoaudiologia na unidade básica propiciou a continuidade do cuidado com priorização dos usuários conforme critérios clínicos e de vulnerabilidade otimização dos recursos disponíveis na rede. O processo possibilitou a identificação do perfil da demanda reprimida, atualização dos cadastros e organização dos fluxos e protocolos de encaminhamento. Destaca-se ainda a importância das ações de educação permanente para os profissionais gerando encaminhamentos mais qualificados, fortalecimento das práticas de cuidado compartilhado e ampliação de estratégias coletivas, como grupos terapêuticos, orientações em saúde e monitoramento contínuo e sistemático da fila de espera através do acesso oportuno e qualificado dos usuários aos serviços de fonoaudiologia na atenção primária
Requalificação
RENATA DE ARAUJO SILVA, MARISA BATISTA LIMA, DEYSE CAMPOS DE MATTOS