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A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) desempenha um papel essencial dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em regiões com grandes desafios socioeconômicos, como o Butantã. Nessas áreas, a alta demanda por serviços médicos exige que as unidades de saúde sejam eficientes e ágeis, com capacidade de lidar com diferentes níveis de urgência. A UPA III Rio Pequeno, como um exemplo dessa realidade, enfrenta diariamente o desafio de organizar e priorizar o atendimento dos pacientes, que são em média 600 por dia. Neste contexto, destaca-se a importância da integração entre os profissionais de saúde e a implementação de práticas humanizadas, que são fundamentais para assegurar um atendimento de qualidade, mesmo sob intensa pressão. A gestão eficiente do fluxo de pacientes, a aplicação do Manchester e a humanização no acolhimento são elementos centrais para garantir que todos os pacientes recebam o atendimento adequado, com respeito e dignidade. O trabalho em unidades como a UPA III Rio Pequeno oferece uma visão direta sobre os desafios e a necessidade de constante adaptação para promover um atendimento de qualidade, sem perder de vista a humanização no cuidado ao paciente.
Este estudo visa analisar a eficácia da gestão de fluxo de pacientes e a implementação do protocolo de triagem Manchester no atendimento. Além disso, busca discutir a importância da comunicação e integração entre a equipe multiprofissional no atendimento de casos graves, refletindo também sobre o papel da humanização no atendimento a pacientes em situações críticas.
Consistiu na observação direta e participação ativa no atendimento de pacientes na UPA III Rio Pequeno, com ênfase nos processos de classificação de risco, acolhimento e estabilização de casos graves. A coleta de dados foi realizada durante o atendimento a diferentes níveis de urgência, permitindo a análise prática da aplicação do protocolo de Manchester, utilizado para priorizar os atendimentos conforme a gravidade dos casos. A interação constante com a equipe multiprofissional foi fundamental para compreender a dinâmica do atendimento e as estratégias adotadas para lidar com os desafios do fluxo de pacientes. Além disso, foram observadas as limitações logísticas da unidade, que podem impactar diretamente na gestão do atendimento. A análise do fluxo de pacientes, das decisões tomadas pela equipe e da eficácia do protocolo de classificação de risco permitiu identificar pontos fortes e áreas que demandam melhorias, especialmente no que se refere à alocação de recursos e à comunicação entre os profissionais de saúde.
A vivência na UPA III Rio Pequeno possibilitou a observação de casos de alta complexidade, como o atendimento a uma jovem vítima de trauma grave, que exigiu rapidez e eficiência da equipe para garantir sua estabilização e encaminhamento a um hospital de referência. A utilização do protocolo Manchester foi determinante para a organização do fluxo de atendimento, permitindo a priorização de casos mais graves, que são em média 20% dos atendimentos, entre classificações amarela, laranja e vermelha. A experiência também evidenciou desafios como a sobrecarga de pacientes, especialmente aqueles que, por questões de acesso ou falta de informação, procuravam a UPA para casos menos urgentes, os quais poderiam ser atendidos em unidades de atenção básica, que são os casos das fichas verdes, azuis e brancas que totalizam em média 80% dos atendimentos. A humanização no atendimento demonstrou ser essencial para promover o bem-estar dos pacientes, como exemplificado no caso de uma senhora idosa, inicialmente ansiosa e temerosa, que, após um acolhimento empático, pôde confiar na equipe.
A experiência vivenciada na UPA III Rio Pequeno ressaltou a importância da unidade como porta de entrada para o SUS em casos de urgência e emergência. A integração entre a equipe multiprofissional e a aplicação de protocolos eficientes, como o Manchester, resultaram em um atendimento mais eficiente, mesmo diante das limitações estruturais, como falta de uma recepção com sala de espera para acompanhantes, deixando os consultórios reservados para os reais pacientes. A humanização do atendimento foi um fator essencial para garantir que os pacientes se sentissem seguros e respeitados ao longo de todo o processo. Esta experiência reforça a importância de um trabalho em equipe coeso, com constante atualização dos profissionais, e um foco contínuo no cuidado centrado no paciente. Mesmo sob pressão, a colaboração entre os membros da equipe e a adoção de práticas humanizadas demonstraram ser determinantes para a qualidade do atendimento prestado à população.
humanização, gestão de fluxo, urgência, Manchester
SARA BORGES DE SOUZA, JULIANA PARREIRA CAPASSO, MARINA GONÇALVES MOTA