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O envelhecimento populacional e o aumento da demanda por procedimentos ambulatoriais, cirúrgicos e endoscópicos impõem desafios crescentes à gestão municipal do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que se refere à qualificação do cuidado, segurança do paciente e sustentabilidade dos serviços. Nesse cenário, a revisão e a melhoria contínua dos processos assistenciais e gerenciais tornam-se fundamentais para reduzir desperdícios, otimizar recursos e garantir a continuidade da assistência. A experiência foi desenvolvida em um hospital municipal de média complexidade do município de Santos/SP, nos setores da Central de Material e Esterilização (CME), Centro Cirúrgico, Ambulatório, Endoscopia e SCIH no período de novembro de 2023 a dezembro de 2025. Participaram do processo equipes multiprofissionais, incluindo gestores, enfermeiros, técnicos de enfermagem, equipes médicas, administrativas e de apoio. A população beneficiada corresponde aos usuários atendidos nesses serviços, majoritariamente pessoas idosas, além dos profissionais envolvidos, que passaram a atuar em fluxos mais organizados e seguros. A experiência mostra-se relevante para o SUS municipal por demonstrar que a qualificação dos processos assistenciais, baseada em dados e no envolvimento das equipes, pode gerar impacto positivo tanto na gestão quanto na assistência, sem prejuízo da qualidade do cuidado.
Relatar a experiência de melhoria de processos assistenciais e gerenciais em um hospital municipal, visando qualificar o cuidado prestado aos usuários do SUS, fortalecer a segurança do paciente, otimizar o uso de insumos e recursos públicos e contribuir para a sustentabilidade dos serviços de saúde. Buscou-se ainda aprimorar os fluxos de trabalho nos setores estratégicos, reduzir desperdícios, reorganizar rotinas assistenciais e promover maior integração entre as equipes envolvidas no cuidado hospitalar e ambulatorial.
Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo, desenvolvido a partir da análise de relatórios gerenciais e da observação dos processos assistenciais e administrativos nos anos de 2024 e 2025. As ações foram implementadas nos setores da Central de Material e Esterilização (CME), Centro Cirúrgico, Ambulatório e Endoscopia, envolvendo equipes multiprofissionais. As atividades realizadas incluíram: revisão e padronização dos processos de esterilização e desinfecção; reprocessamento seguro de materiais; substituição de materiais descartáveis por autoclaváveis; reorganização dos fluxos assistenciais; redimensionamento e adequação de jornadas de trabalho conforme a rotina dos setores; revisão do uso de gases medicinais; melhoria do processo de análise anatomopatológica dos exames endoscópicos; redução de estoques; revisão de processos de utilização de descartáveis; implantação e controle de protocolos gerenciados para utilização de OPME. O acompanhamento dos resultados ocorreu por meio de indicadores gerenciais, reuniões periódicas com as equipes e monitoramento contínuo dos processos implantados.
A experiência resultou na qualificação dos processos assistenciais, organização dos fluxos de trabalho e uso racional dos recursos, refletindo diretamente na sustentabilidade do serviço e na segurança do paciente. Entre 2024 e 2025, observou-se redução de 16,41% nos custos com materiais descartáveis, medicamentos e OPME; 39,86% nos materiais de consumo geral; 16,90% nos custos com pessoal; e 24,80% nos serviços de esterilização e manutenção de instrumentais. Destaca-se ainda a redução de 91,67% nos custos com gases medicinais, após a mudança do modelo de utilização, e a redução de 70% nos custos com análises anatomopatológicas de exames endoscópicos, decorrente da revisão do processo. O Reprocessamento seguro de materiais e a revisão de rotinas administrativas e assistenciais geraram economia adicional anual de R$ 69.540,00. Além dos indicadores financeiros, a experiência gerou impactos qualitativos relevantes: profissionais relataram maior clareza e eficiência nos fluxos assistenciais, redução de retrabalho e melhoria na coordenação entre equipes multiprofissionais. Usuários do serviço perceberam atendimento mais ágil e organizado, especialmente em procedimentos de endoscopia e ambulatório. Essa transformação da rotina reforça o caráter inovador e replicável da prática, alinhando eficiência, segurança e qualidade no cuidado prestado pelo SUS. A implementação consolidada resultou em uma redução global de custos de R$ 1.277.831,47 em 2025, quando comparado a 2024.
A experiência evidenciou que a melhoria contínua dos processos assistenciais e gerenciais é uma estratégia eficaz para qualificar o cuidado, fortalecer a segurança do paciente e promover a sustentabilidade dos serviços de saúde no SUS municipal. O envolvimento das equipes, aliado ao uso de dados gerenciais e à revisão sistemática dos fluxos de trabalho, possibilitou resultados expressivos, sem prejuízo da assistência. As reflexões ao longo do processo reforçam a importância da gestão participativa, da padronização de práticas e do monitoramento contínuo dos indicadores. Como perspectiva futura, pretende-se dar continuidade às ações implementadas e ampliar novas propostas de melhoria, cujos resultados deverão ser observados ao longo de 2026, fortalecendo ainda mais a eficiência e a qualidade do cuidado prestado à população.
Gestão Sus, Sustentabilidade,Segurança do Paciente
SUZANA GOMES DA SILVA ARAUJO, DANIELLE MENESES DOS SANTOS