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Desafio do primeiro ano à frente da SMS de um gestor em sua primeira gestão Assumir pela primeira vez a função de gestor municipal de saúde representa um processo intenso de aprendizado, especialmente em municípios de pequeno porte, onde a Secretaria de Saúde concentra múltiplas responsabilidades administrativas, assistenciais e financeiras. Ao iniciar a gestão, o cenário encontrado é marcado pela necessidade de compreender rapidamente o funcionamento do Sistema Único de Saúde em sua dimensão local: instrumentos de planejamento, legislação, financiamento tripartite, sistemas de informação, contratos, fluxos assistenciais, demandas reprimidas e relação com a rede regional. Além da complexidade técnica, há o desafio de liderar equipes multiprofissionais, mediar conflitos, dialogar com o controle social e responder às demandas da população e do poder executivo, muitas vezes sem tempo prévio para uma transição estruturada. No primeiro ano, a rotina tende a ser dominada por demandas urgentes – falta de profissionais, problemas de abastecimento de medicamentos, manutenção de unidades, transporte sanitário, regulação de vagas, o que pode dificultar a implantação de uma cultura de planejamento e monitoramento. Diante disso, o maior desafio do gestor iniciante é equilibrar a resposta às urgências do cotidiano com a construção de processos estruturantes que garantam a organização da rede, o uso de dados para tomada de decisão e o alinhamento com o Plano Municipal de Saúde.
Descrever os principais desafios enfrentados no primeiro ano de atuação como gestor municipal de saúde em sua primeira experiência na função e as estratégias adotadas para organizar os processos de gestão do SUS. Como objetivos específicos: Compreender e operacionalizar os instrumentos de planejamento do SUS; Organizar fluxos administrativos e assistenciais da Secretaria de Saúde; Estruturar a gestão do Fundo Municipal de Saúde; Qualificar a regulação do acesso aos serviços; Fortalecer a comunicação com as equipes e o Conselho Municipal de Saúde; Implantar rotinas de monitoramento de indicadores; Desenvolver habilidades de liderança e gestão de pessoas.
A experiência foi construída a partir da prática cotidiana da gestão, combinando momentos de resolução de demandas urgentes com a organização progressiva de processos estruturantes. Inicialmente, foi realizado um levantamento das principais áreas da Secretaria de Saúde de Quatá: Atenção Primária, Vigilância em Saúde, Assistência Social, Ouvidoria SUS, Assistência Farmacêutica, Regulação, Urgência e Emergência, Administração e Saúde Mental, buscando compreender atribuições, fluxos e principais dificuldades. Paralelamente, houve a necessidade de estudar os instrumentos de gestão do SUS – Plano Municipal de Saúde, Programação Anual de Saúde, Relatório Anual de Gestão, PPA, LDO, LOA e funcionamento do Fundo Municipal de Saúde, para alinhar as ações às exigências legais e aos prazos institucionais. Foram realizadas reuniões com coordenações e equipes para identificar problemas prioritários, definir responsabilidades e estabelecer rotinas mínimas de planejamento e avaliação. O acompanhamento de indicadores básicos e da execução orçamentária passou a ser feito de forma periódica, mesmo que inicialmente de maneira simplificada. Também foi necessário construir, na prática, habilidades de liderança, comunicação e mediação de conflitos, fundamentais para a condução das equipes e para o diálogo com gestores regionais, prestadores de serviços e controle social.
O primeiro ano evidenciou que o maior desafio do gestor iniciante não está apenas no conhecimento técnico, mas na capacidade de organizar processos em meio às demandas urgentes do cotidiano. A compreensão progressiva dos instrumentos de planejamento permitiu alinhar as ações da Secretaria às metas do Plano Municipal de Saúde e estruturar a Programação Anual de Saúde. A organização dos fluxos internos e a definição de responsabilidades contribuíram para melhorar a comunicação entre as áreas e dar maior clareza às equipes sobre seus papéis. A implantação de rotinas de acompanhamento de indicadores, ainda que de forma inicial, possibilitou identificar prioridades assistenciais, especialmente relacionadas às condições crônicas, saúde da mulher e da criança e acesso à atenção especializada. No campo da gestão financeira, o acompanhamento do Fundo Municipal de Saúde trouxe maior segurança na execução dos recursos e na tomada de decisões. Além disso, o processo favoreceu o desenvolvimento de competências de liderança, negociação e trabalho em equipe, essenciais para a função de gestor.
A experiência do primeiro ano como gestor municipal de saúde na cidade de Quatá/SP, demonstra que a aprendizagem ocorre de forma contínua e no próprio exercício da função. O desafio central é transformar um cenário marcado por demandas urgentes em um modelo de gestão baseado em planejamento, monitoramento e organização da rede de atenção. Mais do que dominar normas e sistemas, é necessário desenvolver capacidade de escuta, diálogo e construção coletiva com as equipes e com o controle social. Embora persistam desafios relacionados à consolidação das rotinas de planejamento, ao uso sistemático dos dados e à qualificação da regulação, o caminho percorrido evidencia avanços na organização dos processos de gestão e na construção de uma atuação mais estratégica e orientada pelos princípios do SUS.
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MARCIO ALEXANDRE CAMARGO