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O município de Marília/SP possui uma população estimada de 237.762 (IBGE, 2022), sendo que as crianças menores de um ano totalizam 2.425 (SINASC, 2024). A Atenção Primária é composta por 52 Equipes de Saúde da Família (eSF), quatro Equipes de Atenção Primária (eAPs) vinculadas a quatro das oito Unidades Básicas de Saúde – modelo tradicional, lotados em 53 estabelecimentos com sala de imunização. Apesar das ações de saúde para ampliação da cobertura vacinal, a partir do ano 2015 observou-se queda das coberturas com agravamento do cenário entre os anos 2021 e 2022 demonstrando fragilidades no alcance das metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunização – PNI para crianças menores de 01 ano de idade. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde tem implementado diversas estratégias para resgatar as coberturas vacinais e evitar o retorno de doenças imunopreveníveis. Contudo, para que o processo de imunização seja eficaz, é fundamental que haja uma gestão adequada e um monitoramento preciso das doses aplicadas. Este artigo analisa os impactos de uma capacitação realizada com 138 profissionais técnicos e auxiliares de enfermagem vacinadores, com ênfase em Rede de Frio, Cadastros dos usuários e Registro de doses de vacinas no e-SUS APS integrado ao Cadastro Nacional de Usuários do Sistema Único de Saúde (CadSUS), Sistemas de Informações – Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) e Sistema de Informação de Insumos Estratégicos (SIES).
Atualização dos cadastros dos usuários: dados desatualizados dificultam o acompanhamento do esquema vacinal, gerando falhas na busca ativa de não vacinados. Minimizar as inconsistências e erros na administração das doses: falhas no lançamento de doses, registros duplicados ou incompletos impactam negativamente os indicadores de cobertura. Inserção adequada de dados nos sistemas de informação: evitando atrasos ou erros no registro das vacinas aplicadas prejudicam a confiabilidade das estatísticas e o planejamento de ações estratégicas. Treinar o uso dos sistemas de informação: A falta de treinamento específico pode levar a registros inadequados e perda de informações importantes para a avaliação da cobertura.
O município de Marília vem adotando estratégias para melhoria das coberturas vacinais como aprimorar as informações e qualificações dos dados, a partir de cadastros dos usuários no e-SUS APS integrado ao CadSUS, busca ativa por meio do SINASC e correção de erros de digitação. Para alcançar resultados satisfatórios, houve a necessidade de realizar 30 encontros entre agoste e novembro de 2024, com participação 138 profissionais, incluindo Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, organizados em grupos de, no máximo, 20 participantes. Os dois primeiros encontros de cada grupo ocorreram na Sala de Vacina Central do Município, com o objetivo de aproximar os profissionais da gestão. O terceiro encontro foi realizado no laboratório de informática de uma universidade parceira, permitindo o acesso aos sistemas de informação. Dessa forma, a gestão pôde compreender as dificuldades enfrentadas pelos profissionais e auxiliá-los no processo de aprendizagem. Essa abordagem permitiu a aplicação de metodologias ativas, favorecendo a interação e o aprendizado prático. Cada profissional recebeu um total de 12 horas de treinamento, combinando teoria e prática por meio de estudos de caso e simulações realísticas, com o objetivo principal de aprimorar as habilidades dos profissionais de saúde no uso de sistemas de informações, busca ativa e fortalecimento da Rede de Frio na conservação dos imunobiológicos.
Um exemplo do impacto positivo dessas estratégias pode ser observado na cobertura vacinal de recém-nascidos com as vacinas BCG e Hepatite B. De acordo com os dados coletados, a cobertura vacinal da BCG aumentou de 73,7% no primeiro quadrimestre para 112,38% no terceiro quadrimestre. Já a cobertura da Hepatite B em menores de 30 dias subiu de 73,93% para 121,76% no mesmo período. Esses números demonstram a eficácia das capacitações e do uso adequado dos sistemas de informação na melhoria dos registros e no monitoramento das vacinas aplicadas (Gráfico 1). Além disso, a cobertura vacinal de crianças menores de um ano também apresentou um crescimento significativo. As vacinas Febre Amarela, Poliomielite Inativada, Pneumocócica 10 valente, Meningocócica C Conjugada, Pentavalente e Rotavírus tiveram aumentos expressivos entre o primeiro e o terceiro trimestre do ano. Por exemplo, a cobertura da vacina Meningocócica C Conjugada aumentou de 74,46% para 95,15%, enquanto a Pentavalente subiu de 81,69% para 103,98%. Esse avanço reflete a eficácia das capacitações e das estratégias de monitoramento aprimoradas, garantindo uma imunização mais ampla e eficiente na população infantil (Gráfico 2). Após a realização da capacitação, observou-se um aumento significativo nas coberturas vacinais no município de Marília. Esse aumento pode ser atribuído à maior precisão no registro das vacinas aplicadas, ao melhor acompanhamento das doses administradas, proporcionados pelos sistemas e-SUS e SI-PNI
Embora os resultados tenham sido positivos, alguns desafios surgiram durante o processo, como a resistência inicial à adaptação aos novos sistemas digitais por parte de alguns profissionais. No entanto, essas dificuldades foram superadas com apoio contínuo e adaptação dos processos. As lições aprendidas indicam que a capacitação contínua são cruciais para o sucesso no Programas de Imunização. A capacitação dos profissionais de saúde, especialmente no uso de sistemas de informações como o e-SUS e o SI-PNI, demonstrou ser um fator chave para a melhoria das coberturas vacinais. Ao garantir registros mais precisos e monitoramento eficaz das vacinas aplicadas, essa ação contribuiu diretamente para o fortalecimento das estratégias de imunização, impactando positivamente a saúde pública. Fica evidente que, para alcançar melhores resultados na cobertura vacinal, é necessário investir não só na distribuição de vacinas, mas também na qualificação dos profissionais responsáveis por seu registro e acompanhamento. E o resgate das coberturas vacinais é essencial para evitar o retorno de doenças que já foram controladas no país e reforçar a confiança nas vacinas e ampliar o acesso à imunização são desafios constantes que exigem compromisso.
Estratégias, Capacitações, Coberturas vacinais.
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