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O cuidado de usuários com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 associado a comorbidades clínicas graves impõe desafios à Rede de Atenção à Saúde (RAS), especialmente quando há restrição domiciliar, agressividade e limitação para procedimentos invasivos. Relata-se o caso de paciente de 21 anos, não verbal, com psoríase grave de início na infância, episódios recorrentes de infecção cutânea e histórico de internação com necessidade de contenção mecânica. A agressividade inviabilizou a manutenção de imunobiológico previamente indicado e impedia a realização de exames laboratoriais essenciais para definição terapêutica. Diante da complexidade clínica e social, tornou-se necessária a articulação intersetorial entre Atenção Primária à Saúde (APS), CAPS, Atenção Especializada e hospital municipal para construção de Projeto Terapêutico Singular (PTS), garantindo integralidade, segurança e corresponsabilização da rede.
Descrever a experiência de gestão do cuidado intersetorial na condução de paciente com TEA nível 3 e psoríase grave, destacando a construção de Projeto Terapêutico Singular (PTS) integrado entre APS, CAPS, Atenção Especializada e hospital. Demonstrar estratégias adotadas para viabilizar exames, manejo dermatológico e reorganização terapêutica psiquiátrica, assegurando integralidade do cuidado, redução de riscos clínicos e fortalecimento da coordenação da APS.
Relato de experiência a partir de reunião ampliada envolvendo APS (USF João Ramalho), CAPS, Atenção Especializada, Centro Hospitalar Municipal e Transporte Sanitário. Foi realizada teleconsulta com dermatologia para definição de conduta inicial, considerando impossibilidade momentânea de terapia sistêmica. Pactuou-se tratamento tópico intensivo com hidratantes associados a corticoide de alta potência por 20 dias. A APS articulou coleta de exames sob sedação programada em ambiente hospitalar para garantir segurança do paciente e equipe. Foram solicitados exames laboratoriais e de imagem para avaliação de elegibilidade a metotrexato, imunobiológicos e investigação de psoríase artropática e tuberculose latente. Paralelamente, o CAPS reavaliou o esquema psicofarmacológico e estruturou apoio à cuidadora. O caso passou a ser acompanhado por PTS compartilhado, com definição de responsabilidades entre os serviços.
A articulação intersetorial permitiu início imediato de tratamento tópico estruturado, organização de coleta laboratorial sob sedação e discussão especializada por teleconsulta. Houve corresponsabilização dos serviços da rede, redução do risco de nova internação por infecção cutânea grave e fortalecimento da coordenação do cuidado pela APS. A construção do PTS possibilitou integração efetiva entre saúde mental e clínica médica, ampliando segurança assistencial e suporte à família. A experiência evidenciou que flexibilização de fluxos e comunicação horizontal são determinantes para o manejo de casos de alta complexidade clínica e social, produzindo cuidado integral mesmo diante de importantes barreiras comportamentais.
O caso demonstra que a gestão ativa do cuidado pela APS é fundamental para garantir integralidade em situações de alta complexidade. A articulação entre APS, CAPS, Atenção Especializada e hospital viabilizou estratégias seguras para exames e definição terapêutica, superando limitações comportamentais severas. A experiência reforça a importância do Projeto Terapêutico Singular como instrumento de integração da rede, corresponsabilização dos serviços e proteção do cuidador. Trata-se de prática exitosa que evidencia que a organização da RAS, mais do que a oferta isolada de serviços, é determinante para produção de cuidado resolutivo e humanizado.
Gestão do cuidado, TEA, Psoríase, RAS.
ELISABETE ZANATA, YAGO FERREIRA SILVA, MARIA JÚLIA LARA, LORENA DE SOUZA SANTOS, MOABE MARCELO DE LIMA, JACOB VICTOR DE SANTANA COSTA, VANESSA CRISPIM