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O município de Sud Mennucci registrou aumento expressivo de casos confirmados de dengue nas primeiras semanas epidemiológicas de 2025, configurando cenário de alerta quanto à capacidade de resposta da rede municipal de saúde. O crescimento acelerado da incidência exigiu reorganização estratégica da gestão diante do risco de sobrecarga assistencial e ampliação da transmissão no território. Nesse contexto, reativou-se a Sala de Situação da Dengue, que assumiu papel central no monitoramento contínuo dos indicadores, na definição de prioridades e na coordenação das ações. A intervenção concentrou-se inicialmente na área urbana, mobilizando de forma integrada os setores de Saúde, Educação, Assistência Social, Obras, Limpeza Pública, Meio Ambiente e Defesa Civil, além de instituições locais e da comunidade. O envolvimento intersetorial ampliou o alcance das ações e fortaleceu o compromisso coletivo no enfrentamento da doença. O plano iniciou-se em fevereiro de 2025, com cronograma estruturado, intensificação de visitas domiciliares, ações educativas e estratégias de controle vetorial, culminando no “Dia D”, marco de mobilização pública e conscientização social. A iniciativa reafirma os princípios do SUS ao evidenciar que o enfrentamento da dengue exige vigilância ativa, participação social e articulação permanente frente às emergências sanitárias.
A experiência teve como objetivo reduzir a incidência de dengue no território municipal por meio da implementação de intervenção intersetorial estruturada, baseada no monitoramento epidemiológico sistemático e na execução coordenada de ações de vigilância e controle vetorial. Buscou-se fortalecer a governança local com a reativação da Sala de Situação da Dengue como instância permanente de análise de indicadores e tomada de decisões, com participação articulada entre setores da administração pública e comunidade, possibilitando resposta mais ágil frente ao aumento da transmissão. Pretendeu-se ainda ampliar a capacidade diagnóstica com a incorporação de testes rápidos, qualificando a detecção oportuna e subsidiando ações de bloqueio. Também se promoveu mobilização social estruturada, incentivando o protagonismo comunitário, especialmente de crianças e adolescentes, como estratégia de educação em saúde e mudança de comportamento no território.
Trata-se de relato de experiência, com abordagem descritiva e análise da série temporal de casos confirmados por semana epidemiológica no ano de 2025. A partir da reativação da Sala de Situação, estruturou-se estratégia integrada de enfrentamento, com reuniões periódicas para análise da curva epidêmica, estratificação de risco e definição de ações. Elaborou-se cronograma operativo com pactuação intersetorial e articulação entre os departamentos municipais. A Secretaria Municipal de Saúde, por meio das Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica, realizou aplicação espacial de inseticida com apoio da Superintendência de Controle de Endemias, monitorou casos suspeitos e confirmados, analisou indicadores e incorporou testes rápidos para diagnóstico oportuno. Desenvolveram-se ações educativas na rede municipal e junto aos grupos do CRAS, além de mutirão de limpeza em parceria com o Departamento de Obras. A Secretaria de Educação promoveu concurso de desenho como estratégia de educação em saúde e protagonismo infantil, incorporando o material vencedor à identidade visual da campanha. O Departamento de Meio Ambiente e Defesa Civil apoiaram a divulgação com faixas e panfletos. As ações culminaram no “Dia D”, com mobilização intersetorial e atividades coletivas de conscientização.
A experiência consolidou modelo local de governança intersetorial, reduzindo a fragmentação das ações e promovendo integração entre vigilância, educação e demais serviços municipais. Observou-se ampliação do engajamento comunitário e maior adesão às orientações para eliminação de criadouros. Até a semana 13, foram executadas as ações previstas no cronograma pactuado. A partir das semanas subsequentes, verificou-se inflexão na curva epidemiológica, com redução progressiva dos casos. Entre as semanas 20 e 23, os registros mantiveram-se abaixo de 20 casos semanais, representando redução superior a 60% em relação ao pico. A partir da semana 25, os casos tornaram-se residuais, indicando interrupção da tendência ascendente. Houve ainda fortalecimento da vigilância ativa, maior agilidade diagnóstica e ampliação da participação social. A mobilização escolar mostrou-se estratégica ao transformar alunos em multiplicadores de informação. O “Dia D” consolidou a mobilização coletiva e a corresponsabilidade social. Os dados epidemiológicos foram extraídos do portal oficial do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (NIES), garantindo confiabilidade das informações.
A reativação da Sala de Situação como instrumento estratégico para qualificar a tomada de decisão, com a definição de prioridades e organização do processo de trabalho, associada à governança intersetorial estruturada fortalece a capacidade de resposta de forma qualificada a cenários epidemiológicos adversos. A experiência reafirma a intersetorialidade como articulação estratégica do SUS, fortalecendo a vigilância em saúde, ampliando a prevenção e evidenciando que o enfrentamento da dengue exige abordagem territorial e corresponsabilidade coletiva. A mobilização social, especialmente por meio das escolas, ampliou o alcance das ações e favoreceu mudanças de comportamento sustentáveis. Conclui-se que intervenções planejadas, baseadas em evidências e com participação social estruturada, produzem impacto epidemiológico relevante e fortalecem o SUS municipal, consolidando práticas de gestão mais integradas e resolutivas.
Dengue, Intersetorialidade, Mobilização Social.
AMANDA COQUEIRO FERRARI, MARIA LUIZA DE MESQUITA TONDINI, CINTIA MARTELO CAYRES, CELSO MARTINS DUENHAS