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O envelhecimento populacional tem se intensificado nas últimas décadas, configurando-se como um dos principais desafios para os sistemas de saúde e para as políticas públicas no Brasil. Dados recentes evidenciam crescimento expressivo da população idosa, com impactos diretos na organização dos serviços de saúde e assistência social, exigindo estratégias que considerem os determinantes sociais da saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) (IBGE, 2022). No SUS, o envelhecimento associa-se ao aumento das condições crônicas, das limitações funcionais e das vulnerabilidades sociais, demandando ações que ultrapassem o cuidado clínico tradicional e reforcem abordagens integrais e intersetoriais (BRASIL, 2018). O Ministério da Saúde destaca a importância da articulação entre saúde e assistência social para promover envelhecimento saudável, garantir direitos e fortalecer a autonomia da pessoa idosa (BRASIL, 2021). A Organização Mundial da Saúde também aponta que o envelhecimento saudável depende da interação entre capacidades individuais e ambientes favoráveis (WHO, 2015). A experiência ocorreu em um ambulatório do município de São Paulo, com início em junho de 2025, desenvolvida pela equipe interna do serviço diante de demandas relacionadas à vulnerabilidade social, fragilização de vínculos familiares e dificuldades de acesso a benefícios sociais, beneficiando pessoas idosas em acompanhamento ambulatorial.
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de articulação intersetorial desenvolvida pela equipe interna do AME Idoso Sudeste, no enfrentamento dos desafios relacionados ao envelhecimento com a Rede de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa (RASPI). Quanto aos objetivos da própria articulação, destaca-se a promoção do envelhecimento saudável por meio da integração entre os profissionais de saúde e o serviço social, considerando as demandas sociais identificadas no acompanhamento da pessoa idosa, tais como vulnerabilidade socioeconômica, fragilização de vínculos familiares e dificuldades de acesso a benefícios sociais.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no âmbito de um ambulatório, a partir da atuação integrada da equipe interna, com destaque para a articulação entre os profissionais de saúde e o serviço social para garantir a continuidade do cuidado com a AB. A experiência teve início com a identificação, no cotidiano do serviço, de demandas relacionadas ao envelhecimento que extrapolavam o cuidado clínico, envolvendo vulnerabilidades sociais, dificuldades de acesso a direitos, fragilização das redes de apoio e impactos sociais associados às condições crônicas de saúde. A metodologia adotada incluiu reuniões internas da equipe multiprofissional, discussão de casos, escuta qualificada dos usuários e organização de fluxos de encaminhamento intersetorial. O serviço social desempenhou papel central na identificação das demandas sociais, orientação sobre direitos e benefícios sociais, articulação com a rede socioassistencial e apoio à equipe na compreensão dos determinantes sociais da saúde. As atividades envolveram acompanhamento contínuo das pessoas idosas atendidas no ambulatório, orientações em saúde, encaminhamentos intersetoriais e monitoramento das ações propostas, com foco na promoção da saúde, prevenção de agravos e manutenção da funcionalidade.
No período de junho a dezembro de 2025, observou-se fortalecimento da integração entre os profissionais do ambulatório, consolidando o trabalho articulado entre saúde e serviço social. Nesse intervalo, foram registradas 168 orientações biopsicossociais, 130 orientações sobre serviços voltados à pessoa idosa e garantia de direitos sociais e 120 orientações para emissão de relatórios técnicos para diferentes finalidades administrativas. Os dados evidenciam ampliação na identificação, acolhimento e acompanhamento das demandas sociais da população idosa, especialmente relacionadas à vulnerabilidade socioeconômica, fragilização de vínculos familiares e dificuldades de acesso a benefícios sociais. A articulação intersetorial contribuiu para maior resolutividade dos encaminhamentos, aprimoramento da comunicação entre os serviços envolvidos e qualificação do acompanhamento dos usuários, garantindo a continuidade do cuidado na RASPI. A atuação do serviço social mostrou-se estratégica na redução de barreiras sociais que interferiam na adesão ao cuidado, favorecendo a continuidade do acompanhamento ambulatorial após a contrarreferência e servindo como apoio matricial para AB. De modo geral, os resultados indicam que a integração entre os setores potencializou ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e cuidado contínuo, impactando positivamente a qualidade da atenção prestada à pessoa idosa no serviço.
A experiência evidenciou que a gestão intersetorial no âmbito de um ambulatório, a partir da atuação integrada da equipe, especialmente de profissionais do serviço social, constitui uma estratégia fundamental para o enfrentamento dos desafios do envelhecimento. A incorporação das demandas sociais no planejamento do cuidado ampliou a compreensão das necessidades da pessoa idosa e fortaleceu a integralidade da atenção. As reflexões ao longo do processo destacam a relevância do serviço social na identificação de vulnerabilidades, na articulação com a rede de apoio e na garantia de direitos, contribuindo diretamente para a adesão ao cuidado e para a promoção do envelhecimento saudável. A experiência reforça a importância da manutenção e do fortalecimento das práticas intersetoriais no âmbito dos serviços de saúde, com expectativa de ampliação das ações e qualificação contínua do cuidado à pessoa idosa no SUS.
Intersetorialidade, pessoa idosa
DANIELLA DIAS TAKEMOTO DE ARRUDA, TAMIRIS MACHADO DE LIMA, MARIANE SABINO DA SILVA, BIBIANA MARIE SEMENSATO POVINELLI, ELIANA TIEMI HAYAMA, EDUARDO CANTEIRO CRUZ, ANDRÉA APARECIDA DA FONSECA MONTEIRO, JOANA D’ARC RICARDO DOS SANTOS, MARCIA MAIUMI FUKUJIMA, VINÍCIUS DA FONSECA RANCAN