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O Espaço Avançar, serviço especializado em TEA inaugurado em 2018 com 180 vagas previstas, operava inicialmente sem informatização (registros manuais em papel). Até janeiro de 2020, a nova gestão administrativa iniciou a informatização e organização de dados, sem fila significativa (172 pacientes ativos), pois a demanda não atingiu a capacidade máxima. Durante a pandemia (2020-2022), os atendimentos presenciais foram reduzidos, com fechamento parcial por protocolos COVID-19. O atendimento online limitou-se a triagem, sem avaliação ou seguimento, representando ~200 casos sem atendimento. Em 2023, normalizado, houve 178 novos casos, totalizando 378 crianças sem atendimento — principal problema enfrentado: fila estática de 378 casos represados, comprometendo diagnóstico precoce e intervenções na primeira infância. Em janeiro de 2024, o Espaço Avançar reestruturou a fila de espera por atendimento, transformando esse passivo em estratégia ativa via análise dinâmica de dados (ano encaminhamento, faixa etária, situação diagnóstica, critérios clínicos), priorizando vulnerabilidades. Inovação passou de gestão reativa para orientada por dados, multiprofissional, devolvendo previsibilidade às famílias, segurança à equipe e governança ao SUS municipal.
Descrever a experiência de reestruturação da fila de espera por atendimento de crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA no SUS municipal, a partir da gestão dessa fila, com redução de 10% no tamanho da mesma.
Trata- se de relato de experiência desenvolvido no Espaço Avançar, serviço especializado do SUS municipal voltado ao cuidado de crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA. A partir de janeiro de 2024, foi instituído um processo de revisão da fila de espera, com levantamento de todos os encaminhamentos ativos de 2 a 13 anos, referente ao período pandêmico, nos anos de 2020 a 2023. Os casos foram estratificados segundo o ano de entrada, faixa etária, situação diagnóstica (suspeita ou confirmada) e critérios clínico- funcionais, com ênfase na identificação de maior vulnerabilidade na primeira infância. O Setor do serviço social analisou e sistematizou os dados, seguindo os critérios definidos no regimento interno de priorização, para qualificar os encaminhamentos e o cuidado compartilhado. Implantou- se monitoramento contínuo da fila, com implementação e atualização periódica de planilhas, revisão de casos inativos e devolutivas às famílias sobre posição, previsão estimada de tempo de atendimento e orientações de cuidado no território.
A reorganização da fila com implementação da gestão informatizada permitiu identificar: 1. Quem não era público alvo do serviço; 2. Quem era prioridade de acordo com os critérios pré definidos; 3. Onde estava o maior volume de encaminhamentos por faixa etária; 4. Necessidade de ampliação da equipe para atendimento da demanda; 5. Necessidade de ampliação do espaço físico; 6. Qualificação do relacionamento intersetorial, principalmente com a secretaria de educação; 7. Qualificação do encaminhamento das crianças identificadas com demanda pelas escolas, mas ainda sem seguimento na saúde; 8. Requalificação do servido, de forma geral, para responder as demandas; 9. Implementação de gestão a vista; 10. Implementação de treinamento de qualificação de todas as unidades de saúde do município; 11. Reorganização do fluxo interno de avaliação, separando a fila por crianças com diagnóstico e crianças para investigação. 12. Adoção do sistema integrado de prontuários, que antes era manual e passou a ser informatizado, com a Rede de saúde; 13. Redução do tempo de espera na fila de acordo com prioridade e gravidade (Pac1: de 2 anos, para 8 meses, Pac2 10 dias, Pac3 18 meses, Pac4 5 meses); 14. Redução de 41% no tamanho da fila, superando em 30% a meta inicial estabelecida.
A experiência do Espaço Avançar demonstra que a inovação na gestão do acesso pode transformar represamento em avanço institucional. Ao substituir uma lista estática por monitoramento informatizado, estratificação por critérios clínicos e revisão contínua dos dados, o serviço reduziu em 41% a fila de espera, superando em 30% a meta prevista. Houve expressiva diminuição do tempo de espera nos casos prioritários — situações que aguardariam até dois anos passaram a ser atendidas em até 10 dias — além da reorganização dos fluxos internos, separação entre demandas diagnósticas e investigativas e implantação de prontuário integrado à rede municipal. Os resultados fortaleceram a governança do SUS local, ampliando transparência, previsibilidade às famílias e articulação intersetorial, especialmente com a educação. A gestão baseada em dados e critérios técnicos claros promoveu eficiência, equidade e maior capacidade de resposta frente ao crescimento da demanda. A experiência alinha-se aos ODS 3, 10 e 16, ao ampliar acesso qualificado, reduzir desigualdades e fortalecer instituições eficazes e responsáveis no âmbito municipal.
Gestão de Filas, Transtorno do Espectro Autista.
BÁRBARA CRISTIANE MARTINES CORÁ, LEIDIANA DA SILVA COELHO