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De acordo com o Ministério da Saúde alguns condicionantes sociais impactam no processo de saúde da população, como é o caso da Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher de 2004, que inclui a violência de gênero como um marcador social da diferença que interfere no acesso e cuidado em saúde. Acompanhar as pessoas durante suas gestações contempla os cuidados do chamado pré-natal ofertado pelas equipes de atenção primária. Esse acompanhamento inclui acompanhamento em saúde bucal, médico e enfermagem, e ainda conta com o apoio de outros profissionais para trazer informações sobre cuidados em saúde para gestantes e bebês, promovendo a saúde de forma integral e prevenindo agravos e casos de mortalidade infantil. O período gestacional é de grande relevância, considerando as mudanças físicas do corpo e as questões emocionais vivenciadas nesse período. Pensando nisso, surge a necessidade de grupalizarmos gestantes e pessoas da maternagem, ou seja, pessoas que ocupam o lugar de cuidador principal da criança ou acompanham e apoiam gestantes, em um espaço seguro e acolhedor de troca de vivências, compartilhamento de experiências e acesso a informações de qualidade.
O presente trabalho tem como proposta possibilitar o acesso a gestantes e pessoas da maternagem ao apoio psicológico, nutricional, fisioterapêutico, entre outros, afim de promover saúde desde o período gestacional até a primeira infância. – Objetivo geral: troca de experiências e saberes entre gestantes e pessoas da maternagem (essas que cumprem a função socialmente conhecida como “função materna” sendo o principal cuidador da criança, e no caso do grupo, pessoas que também acompanham e apoiam gestantes) com profissionais técnicos da área da saúde. – Objetivos específicos: proporcionar espaço de escuta e acolhimento; fortalecer a autoestima e o sentimento de segurança em si; possibilitar reflexão sobre a própria realidade e sua implicação no seu bem-estar, bem como problematizar questões vivenciadas coletivamente que nos afetam; acessar informação de qualidade e construir saberes que auxiliem a encontrar soluções para as problemáticas cotidianas.
Foram realizados encontros mensais, às sextas-feiras das 09h às 10h30 no anfiteatro do CRAS 4, com orientações na sala de espera nos dias de atendimentos de gestantes da ESF Colinas, orientadas pelas agentes comunitárias de saúde (ACS) que aproveitavam para reforçar o convite para o encontro mensal. As rodas de conversas permitiam que as próprias pessoas trouxessem suas questões, refletissem e acessassem informações compartilhadas entre si e com a equipe de saúde que acompanhava o grupo, visando as questões trazidas pelas vivências coletivas, sem deixar de considerar a singularidade de cada pessoa. Cada encontro teve um tema base que serviu de disparador do diálogo. Outros profissionais de diversas áreas do conhecimento como fisioterapia, nutrição, farmácia, psicologia, enfermagem, entre outras, também participaram em alguns momentos conforme a necessidade apresentada. Este grupo foi realizado por meio de uma parceria entre Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria da Assistência Social e Fundo Municipal da Solidariedade, tendo como atrizes protagonistas as técnicas que atuam na ESF Colinas e no CRAS 4. Foi um espaço de bastante informação, acolhimento e acompanhamento que trabalhou as temáticas norteadoras em cada mês, focando nas trocas de experiências e na construção de conhecimentos coletivos, fortalecendo a autoestima e segurança das participantes e o senso de comunidade.
Com o decorrer dos encontros foi possível perceber o fortalecimento da autoestima das pessoas participantes, que se mostraram mais seguras nas suas tomadas de decisões, visto que tiveram acesso a informações de qualidade e construíram conhecimentos que não podem lhes ser retirados. Além disso, houve um fortalecimento dos vínculos comunitários e do senso de coletividade muito visíveis nos momentos de apoio e acolhimento proporcionado pelas próprias participantes do grupo, bem como a aproximação com os serviços da assistência e de saúde possibilitando um melhor acesso aos direitos garantidos pela legislação. Outro aspecto que merece destaque, são as falas das pessoas que integram o grupo desde o início do projeto, tendo elas passado pelo período da gestação, puerpério e ainda continuam assíduas no grupo, referindo sempre a importância de um espaço de acolhimento e trocas de saberes em suas vidas cotidianas. Com isso, continua ativo devido a solicitação e demanda das próprias usuárias.
Concluímos que uma proposta de trabalho longitudinal como a apresentada aqui proporciona um cuidado em saúde integral não somente das pessoas presentes e participantes assíduas das rodas de conversas, mas também de suas famílias, sendo estendido para toda a comunidade. Trabalhos como este nos permite uma mudança de paradigma dos cuidados em saúde, que não mais centra-se nas doenças, mas na promoção de saúde, produção de vida e uma nova maneira de se estar no mundo, visto que, saímos de uma perspectiva individualista e caminhamos para a coletividade. Apesar de percebemos bons resultados com o trabalho e considerarmos de extrema importância essa mudança de posicionamento diante do processo de saúde-doença, ainda mostra-se como um grande desafio sustentar esse cuidado longitudinal e a permanência da oferta de atividades coletivas, visto que somos, enquanto técnicas dos serviços de saúde e assistência, demandadas por uma infinidade de outras ações e cobranças, também importantes. Mas não podemos perder de vista o quão transformador é um espaço de acolhimento, escuta e trocas de saberes que se mantém ao longo de meses e anos, fortalecendo os vínculos e nossas possibilidades de ação.
Súde da mulher; pré-natal; pericultura; gestação.
Jessica Franco Ferreira, Luana de Oliveira Gomes, Aline Franchini Izidoro de Almeida, Micheli Aparecida de Campos Quirino, Danielly Antunes Garcia