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As últimas décadas foram marcadas por um processo de industrialização e urbanização que determinou o aparecimento de grandes transformações nos perfis demográfico e epidemiológico da população, para dar conta dos novos desafios decorrentes dessas transformações entende-se que as atividades de educação em saúde assumem papel estratégico no enfrentamento da dengue e na conscientização da sociedade. O controle da dengue não depende de ações isoladas, é preciso depreender que não se combate o mosquito sem parcerias. É absolutamente necessário o envolvimento de outros setores e pessoas, a Vigilância em Saúde buscando construir uma proposta de integração entre saúde, gabinete municipal, funcionalismo público, sociedade civil e a comunidade, com a perspectiva ampliada da promoção em saúde, e com foco na conscientização da população elencou diversos atores para uma articulação: Soldados da Base Aérea, Defesa Civil, Guarda Civil Municipal (GCM), Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana (STMU), Secretaria de Serviços Públicos, Secretaria de Administrações Regionais e líderes comunitários. Em um município onde especificidades territoriais existem, as parcerias são fundamentais para o desenvolvimento de ações educativas e no alcance dos resultados positivos.
– Apoiar no planejamento e na organização das ações de orientação, prevenção e promoção a saúde; – Desenvolver e estruturar as atividades em parceria com as demais áreas envolvidas; – Alertar e articular com as diferentes esferas da gestão, para o enfrentamento das emergências em saúde pública; – Participar de ações educativas e preventivas, com foco na saúde coletiva; – Agilizar a execução de ações ambientais nos casos suspeitos; – Desenvolver e articular a distribuição de materiais educativos.
A Vigilância em Saúde concluiu a descentralização das digitações das notificações de Dengue, totalizando 95 serviços com acesso ao sistema ministerial para inserção das notificações de dengue. Com os dados obtidos através do sistema, foi possível calcular o índice de maior incidência da doença por bairros, mapeando através do código postal o aparecimento de novos casos. O Departamento de Vigilância utilizando o mapeamento dos casos, começou a elencar as ações de combate à epidemia na cidade, uma sala de crise foi estruturada dentro da vigilância com a finalidade de planejar as ações para respostas rápidas frente ao avanço da doença, realizou parcerias com outras secretarias e com a sociedade civil para grandes mobilizações sociais. As estratégias também incluíram a produção de materiais de divulgação impressos (500 mil panfletos) e digitais elaborados pelas áreas técnicas, a criação de vídeos informativos, e a disponibilização de dados para o painel atualizado diariamente informando a população sobre a situação da dengue na cidade. As ações elencadas iniciaram no momento em que os casos da doença apontavam uma tendencia de crescimento sustentada, para os meses de fevereiro, março e abril, 7 grandes mobilizações sociais aconteceram em diferentes pontos da cidade, com visita a imóveis para eliminação de criadouros, ações educativas, distribuição de panfletos e nebulização de algumas vias.
Diante do aumento de casos, a vigilância intensificou seus esforços de combate ao mosquito com a organização das ações, os bairros percorridos pelas mobilizações em fevereiro foram Vila Dinamarca, Jardim Cabuçu e Recreio São Jorge, em março as ações aconteceram no Jardim Cumbica, Centro, Vila Barros e Taboão já em abril no bairro do Cecap. Com a participação do gabinete municipal, agentes de combate a endemias, representantes da Base Aérea, GCM, Defesa Civil, agentes da STMU, Secretaria de Serviços Públicos (Operação Cata-Treco), da Secretaria de Administrações Regionais, com ações de zeladoria pontuais em vias públicas, e de coordenadores de trânsito da STMU. Um carro de som percorreu as ruas dos bairros para conscientizar, sensibilizar e incentivar a população a participar da luta contra a doença, o que permitiu um expressivo número de visitas totalizando mais de 2110 imóveis com ações voltadas para eliminação de criadouros, grande adesão as informações prestadas pelas equipes que somaram mais de 4.100 pessoas abordadas e orientadas. Para os bairros com aéreas de difícil acesso nas comunidades vulneráveis a articulação com a Defesa Civil permitiu que as equipes percorressem as ruas levando orientações, realizando a eliminação de criadouros bem como a nebulização de vias.
As ações e todas as atividades desenvolvidas pela Vigilância enquanto poder público refletem o comprometimento no enfrentamento e na prevenção da propagação do mosquito na cidade, entendemos que se não houver um trabalho em conjunto entre população e poder público, sempre estaremos atrás do mosquito na batalha contra a dengue.
Vigilância em Saúde, Dengue, Guarulhos, Epidemia,
PATRÍCIA ROSA DA SILVA, VALESKA AUBIN ZANETTI MION