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O Grupo Bem Viver (GBV) iniciou na Clínica da Família (CF) – Novo Horizonte, em fevereiro de 2019. O número de consultas por demanda espontânea na Atenção Básica (AB) de pessoas com quadro de dor crônica, principalmente as reincidentes, que já participaram de diversos tratamentos para alívio da dor, ao longo de suas vidas, como medicamentoso e/ou fisioterápico, mas que por algum motivo mantém as queixas é bastante alto, gerando um problema de saúde pública. De acordo com isso pensamos em um novo modelo de tratamento que proporcione ao paciente melhor compreensão de seu estado de saúde, conduzindo-o a uma melhora da qualidade de vida. Fizemos um plano de tratamento de Educação em Dor com Base em Neurociência (EBN), em um modelo biopsicossocial, o que de acordo com estudos realizados desde o final da década de 90, em diferentes populações com dor crônica, vem alcançando bons resultados. Isto porque a grande maioria dos pacientes com dor crônica, apresenta conhecimentos distorcidos sobre a dor, gerando uma situação ameaçadora, que os leva a pensamentos ruins (catastróficos), com crenças disfuncionais, medo irracional a qualquer tipo de atividade, principalmente a realização de exercícios, comportamentos e atitudes mal adaptativas e com isso a piores estratégias de enfrentamento. A combinação desses fatores contribui para a manutenção do estado de dor crônica, o que pode aumentar a percepção da dor.
O objetivo do Grupo Bem Viver (GBV) – é proporcionar ao paciente o conhecimento adequado sobre seu estado de dor e entendimento de suas limitações ocasionadas pela dor, através da Educação em Dor com Base em Neurociência (EBN) com a participação de uma equipe multiprofissional. “É preciso entender para modificar a dor”. Com isso conseguimos modificar conceitos, crenças e mitos sobre a dor, com exemplos teóricos e práticos, diminuindo suas limitações nas Atividades de Vida Diárias (AVDs) e na prática de exercícios físicos, conscientizando-os sobre a necessidade da mudança de hábitos no cotidiano, para a melhora da qualidade de vida, inserindo-os novamente ao bom convívio familiar e social, melhora em seu ambiente de trabalho, que em muitos casos fica prejudicado. Preparando-os para a atividade física constante e a manutenção de hábitos saudáveis.
O grupo é conduzido por Fisioterapeutas da equipe eMulti das Clínicas da Família I e II – Novo Horizonte, com participações de Terapeuta Ocupacional, Educador Físico e Assistente Social. O grupo acontece em 10 encontros, máximo de 20 pessoas, 02 vezes por semana, com duração de 1 hora. O encaminhamento desses pacientes é através da equipe da Atenção Básica, o qual agendamos uma avaliação fisioterápica para melhor conhecermos o paciente, com preenchimento de anamnese, Inventário Breve de Dor (IBD), análise de exames, caso tenham. Na primeira sessão iniciamos com uma roda de conversa, para apresentação de como será realizado o tratamento e os acordos a respeito do funcionamento do grupo, seguida de uma apresentação dos participantes e um breve relato de sua dor. O tratamento é dividido em 2 sessões por semana, totalizando 10 encontros, sempre na primeira sessão da semana iniciamos com alongamento e em seguida a EBN, com temas variados relacionados aos aspectos dolorosos: Aceitação da Dor, Entendendo a dor Crônica, Higiene do Sono, Aspectos Emocionais da Dor, entre outros, sendo abordado um tema por vez e entregue uma atividade de reforço para casa. Na segunda sessão da semana, realizamos exercícios terapêuticos de força, mobilidade articular, alongamento, e auriculoterapia ao final da sessão, preparando-os para o Grupo de Práticas Corporais, que é um grupo destinado aos participantes que tiveram alta do GBV para a continuidade do tratamento 1x por semana.
Ao longo do ano, após vários grupos de educação em dor, observamos que os pacientes que passaram pelo GBV, para dar continuidade ao Grupo de Práticas Corporais, aderiram melhor ao tratamento e melhora no quadro de dor, proporcionando uma melhora na qualidade de vida. Consideramos que isso seja devido ao processo educativo e não simplesmente um processo informativo, com sessões de exercícios repetidas sem fundamentar sua necessidade. Pois, os pacientes desenvolvem aprendizagem significativa e não superficial, o que os ajuda a compreender a importância da mudança de hábitos em seu cotidiano, levando-os a uma melhor compreensão de seu corpo, identificando as causas dos problemas, saber resolvê-los ou como lidar em caso de novos episódios de dor, compreendendo a importância do exercício físico como uma alternativa eficaz ao tratamento medicamentoso. E por meio da atenção integral, escuta qualificada, trabalhamos temas diversificados relacionados aos seus problemas o fazendo se sentir como um todo “mente e corpo.” E ao final do tratamento aplicamos novamente o Inventário Breve de Dor através do qual observamos relatos de melhora do medo de se movimentar, da compreensão de suas limitações quanto aos movimentos ao realizá-los e os muitos resultados positivos de pacientes que antes não conseguiam trabalho devido a dor, voltarem ao trabalho e ao convívio social, deixando de ficar em casa apenas vivenciando sua dor, hoje em dia são pacientes ativos, participativos e mais felizes.
Acreditamos que o trabalho de educação em dor associado com exercícios têm modificado a percepção dos pacientes sobre si mesmo, proporcionando-lhes autoconhecimento e compreensão do seu estado de dor e como tratá-la, melhorando a forma de se cuidar, devolvendo-lhe autoestima, promovendo uma melhora na qualidade de vida. Com isso conseguimos diminuir o número de consultas por demanda espontânea, uma vez que pacientes com dor crônica, não tratada, independente da origem de sua dor, torna-se um problema de saúde pública, gerando recidivas à AB, aumentando o número de consultas ou mesmo a automedicação que pode gerar novos problemas de saúde para o paciente. Já o conhecimento e o entendimento de seus limites proporciona ao paciente autoconfiança e bem estar.
dor crônica, educação em dor ,neurociência
Juliana Rossini Viel Ferro, Lais Furlan Antognoli, Gabriela Tripicchio Gonçalves, Lilian Balestrin Lunardi, Rogério Mateus