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O Diabetes Mellitus é um relevante problema de saúde pública, com impacto expressivo na morbimortalidade, nos custos em saúde e na organização dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). A baixa adesão ao tratamento, o absenteísmo às consultas e o acompanhamento irregular contribuem para descompensações clínicas e aumento da demanda por atendimentos de urgência. No município de Castilho/SP, a experiência foi desenvolvida na Unidade Básica de Saúde Anastácio Dias Moreira – ESF IV, onde se identificou elevado número de pessoas com Diabetes Mellitus cadastradas, associado à baixa frequência às consultas programadas, procura recorrente por demanda espontânea por falta de medicação ou descompensação e dificuldades no autocuidado, decorrentes do baixo letramento em saúde. Diante desse cenário, a equipe multiprofissional da UBS implantou o Grupo “Cuidar é Viver”, como estratégia para reorganizar o cuidado às pessoas com diabetes, fortalecer o vínculo entre usuários e equipe, promover educação em saúde contínua e ampliar a corresponsabilização pelo tratamento. A experiência foi desenvolvida a partir da adesão do município no PlanficaSUS, envolvendo profissionais da equipe de saúde, agentes comunitárias de saúde e usuários com Diabetes Mellitus, acompanhados pela unidade. A iniciativa beneficiou diretamente pessoas com diabetes cadastradas na UBS, contribuindo para a qualificação do cuidado no SUS municipal.
Qualificar o acompanhamento de pessoas com Diabetes Mellitus na Atenção Primária à Saúde, ampliando a adesão ao tratamento, o autocuidado e o vínculo com a equipe de saúde. Promover educação em saúde contínua, favorecendo o letramento em saúde e a compreensão prática sobre a doença, metas terapêuticas e autocuidado. Aumentar a frequência às consultas e ao seguimento longitudinal. Reduzir descompensações e complicações relacionadas ao Diabetes Mellitus no curto e médio prazo. Fortalecer a rede de apoio entre usuários, equipe de saúde e agentes comunitárias.
A experiência foi desenvolvida por meio da implantação do Grupo “Cuidar é Viver” na UBS Anastácio Dias Moreira – ESF IV, com encontros realizados no período de abril a novembro de 2025. Participaram da iniciativa profissionais da equipe multiprofissional, agentes comunitárias de saúde e pessoas com Diabetes Mellitus cadastradas na unidade. Os encontros ocorreram de forma periódica, utilizando metodologias ativas, com rodas de conversa, escuta qualificada, dinâmicas, exercícios interativos e demonstrações práticas. Os temas abordados incluíram: compreensão do diabetes e suas complicações, metas de controle, alimentação saudável, prática de atividade física, uso correto de medicações orais e insulinoterapia, manuseio e conservação da insulina, técnica de aplicação, rodízio de locais, automonitorização e sinais de alerta. Como estratégia de acompanhamento contínuo, foi criado grupo de WhatsApp com agentes comunitárias e equipe, com envio de vídeos educativos pela médica da unidade. Durante os atendimentos médicos, foi implantado o método dos carimbos, com feedback visual positivo ou simbólico, estimulando reflexão, engajamento e autocuidado.
A UBS possui 143 pessoas com Diabetes Mellitus cadastradas. Destas, 37 participaram dos encontros do grupo, sendo que 15 apresentaram participação regular. Foram observadas melhorias clínicas relevantes, especialmente na redução dos níveis de hemoglobina glicada e no controle do peso corporal. Destaca-se uma usuária de 63 anos que apresentou redução da hemoglobina glicada de 12,1% para 7,7% e perda de peso de 91 kg para 82,9 kg. Outro participante reduziu a hemoglobina glicada de 11,3% para 8,5%, com redução de peso de 83,9 kg para 79,4 kg. Outros usuários também apresentaram reduções significativas nos valores laboratoriais. Além dos resultados quantitativos, observou-se aumento da frequência às consultas, maior engajamento no autocuidado, fortalecimento do vínculo com a equipe e melhora na compreensão sobre a doença e condutas.
O Grupo “Cuidar é Viver” demonstrou que intervenções educativas contínuas, participativas e de baixo custo geram impactos significativos no cuidado às pessoas com Diabetes Mellitus na APS. A educação em saúde aliada ao acompanhamento longitudinal e ao vínculo favoreceu a adesão ao tratamento e a melhoria dos resultados clínicos. Estratégias simples, como o grupo de WhatsApp, o envolvimento das agentes comunitárias e o método dos carimbos, mostraram-se eficazes para estimular engajamento, corresponsabilização e autocuidado. O letramento em saúde foi elemento central para mudança de comportamento. Como perspectiva futura, destaca-se a manutenção do grupo como ação permanente da UBS, ampliação do número de participantes e replicação da estratégia para outras condições crônicas.
Educação em Saúde, Autocuidado, Doenças Crônicas
ARIANA SILVA COSTA, CELSO MARTINS DUENHAS, MARCELA TAVARES DE SOUZA RAFAEL, CARLOS ROBERTO TENCARTE, DEMILSON CORDEIRO DA SILVA