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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais são causas de morbidade e de mortalidade, representando 12% da carga mundial de doença (World Health Organization, 2008). No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que 3% da população necessita de cuidados contínuos em saúde mental. (Brasil, 2003). O cuidado em saúde mental na Atenção Básica envolve um conjunto de atividades que visam ao controle de sintomas, à prevenção, redução do risco de internação, tratamento e acompanhamento adequados, além de promoção da saúde (World Health Organization, 2001). Frente ao disposto, o autocuidado emerge com uma função regulatória, a qual possibilita aos indivíduos desempenharem um papel, de maneira autônoma, que promovam ações direcionadas à preservação da vida, da saúde e do bem-estar. A autonomia merece ser resgatada como uma condição de saúde e de cidadania, da própria vida, um valor fundamental. Implica na busca da democratização das relações entre profissionais e pacientes, democratização de saberes, reconhecimento, respeito e valorização da multiplicidade, da diversidade e das singularidades. Buscou-se atender pacientes que tiveram alta do acompanhamento nos CAPS do território em algum momento da vida, mas necessitavam manter o acompanhamento na UBS, podendo trabalhar a promoção de autonomia no ambiente familiar e comunitário, além de promoção de saúde mental e garantia de direitos.
O acompanhamento terapêutico (AT) surge como prática destinada aos pacientes acometidos por transtornos mentais, por razões variadas, requerem mais cuidados e orientações contínuas em sua vida, deixando de realizarem cuidados com saúde mental e física somente em momentos de crises.
Atendimento em grupo para homens visando acompanhamento terapêutico (AT), que conforme Ana Celeste de Araújo Pitiá (2013) é uma modalidade de atendimento psicológico que envolve a interação de pessoas com dificuldades semelhantes. O objetivo é ajudar os pacientes a desenvolverem habilidades sociais, a se sentirem menos sozinhos e a resolver conflitos.
Os atendimentos em grupo ocorrem de maneira semanal desde janeiro de 2023, atualmente as atividades são desenvolvidas com oito participantes do sexo masculino. Observa-se que os membros do grupo relatam maior autonomia em suas atividades diárias, como, pegar ônibus sozinho, maior cuidado com a higiene pessoal e doméstica e maior compromisso com horários. Era comum alguns membros relatarem que nunca haviam saído do bairro onde moram para atividades de lazer, com o decorrer dos atendimentos alguns homens começaram a frequentar centro culturais, como, bairro da Liberdade, Av. Paulista etc. Também foram organizados passeios a feiras e eventos que ocorreram na cidade como, Brasil Game Show e Anime Friends – cultura asiática, através de entradas gratuitas conseguidas pelos profissionais junto à organização dos eventos, sendo que alguns participantes do grupo não teriam condições de pagaram a entrada. Nestes eventos foram acompanhados por familiares, propiciando fortalecimento de vínculo familiar.
Intervenções realizadas buscaram fortalecer o modo como os homens davam atenção à sua saúde, apostando no resgate da singularidade e comprometimento com seus sintomas e tratamento. Eles se demonstraram envolvidos nas discussões sobre os temas propostos, dinâmicas de grupos e orientações, principalmente no compartilhamento de informações sobre cuidados com a saúde mental. Também se sentiram à vontade para falar sobre pensamentos e sentimentos decorrentes do histórico de vida, principalmente de situações que propiciavam sintomas de estresse, ansiedade ou tristeza. Nota-se que os participantes também falaram sobre perdas, eventos traumáticos disparadores de pensamentos negativos e sentimento de tristeza, sobre dificuldades de relacionamentos e formas de preconceitos vividos quando buscavam flertar. Deve-se continuar com o acompanhamento, com orientações sobre autonomia e pertencimento comunitário, visando orientações e encaminhamentos para atividades no território de moradia. Além de promoção de autonomia nas atividades diárias e maior independência dos familiares. O grupo se constituiu como um dispositivo da reforma psiquiátrica ao promover mudanças nas formas de cuidado com a vida e se reconhecereram responsáveis pelo tratamento.
saúde homem
JOEL HUGO POLONI, ROSANGELA ALVES ALEMAN BENITEZ SIRAQUE