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A violência doméstica contra a mulher é um grave problema social que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, não envolvendo apenas a vítima, mas seus filhos e familiares. É um fenômeno complexo que abrange as esferas política, social, cultural, econômica e de saúde, portanto, se faz necessário buscar ações conjuntas a fim de minimizar os impactos causados na sociedade, especialmente às vítimas. De acordo com Agudelo (1990, p.1-7), a violência “representa um risco maior para a realização do processo vital humano: ameaça a vida, altera a saúde, produz enfermidade e provoca a morte como realidade ou como possibilidade próxima”. Dessa forma, a violência também é uma questão de saúde pública. De acordo com o art.5º da Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. Apesar dos muitos avanços como a própria Lei Maria da Penha de 2006 e a Lei 13.104 de 2015 que prevê o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, muito ainda precisa ser feito, visto os números alarmantes de violência praticada contra mulher que são registrados. Estudo diz que, em 2024, no Estado de São Paulo foram registrados 97.434 boletins de ocorrência sobre ameaça contra mulher. Sendo assim, este tema é relevante para produção de políticas públicas e intervenções para erradicação da problemática.
O grupo de apoio à mulher foi criado, visando proporcionar espaço de acolhimento e escuta, e possibilitar a reflexão e o desenvolvimento de processos cognitivos mais adaptativos diante de situações de vulnerabilidades causadas pela violência doméstica.
Para atender os objetivos, foi criado um grupo psicoterapêutico de apoio à mulher, prevendo atender mulheres a partir dos 15 anos de idade que estava passando ou já tinha passado por situação de violência doméstica. O grupo era conduzido por uma profissional de psicologia e acontecia no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Paraguaçu Paulista-SP, uma vez por semana com horário agendado. Para a formação do grupo, contou com a parceria entre os serviços públicos que enviavam os encaminhamentos, eram eles: Delegacia de Defesa da Mulher, Centro Especializado de Assistência Social (CREAS), Estratégias da Saúde da Família, Acolhimento de Urgências do CAPS e Vigilância Epidemiológica, onde se concentravam as notificações de violências. Após receber os encaminhamentos, eram feitos contatos individualmente com as vítimas, por meio de telefonemas ou visitas domiciliares. As visitas aconteciam 2 (duas) vezes na semana e eram feitas pela psicóloga em conjunto com a assistente social ou técnica de enfermagem também servidoras do CAPS. Neste primeiro contato, o acolhimento a demanda já era realizado e, posteriormente, era feito o convite para participar do grupo.
No ano de 2024, 56 (cinquenta e seis) mulheres vítimas de violência doméstica foram atendidas nas modalidades individual, grupo, visita domiciliar e contato telefônico. O grupo teve início no dia 08/03/2024, foram convidadas 4 (quatro) mulheres para participarem, entretanto, apenas 2 (duas) compareceram. Nos encontros seguintes, novas mulheres eram convidadas, porém houve pouca adesão ao grupo terapêutico. No processo terapêutico em grupo foi possível trabalhar as seguintes temáticas: ciclo da violência, histórico familiar de violências, violências sofridas na infância e adolescência, autoestima, crenças de desamor, desamparo e desvalia, fortalecimento da rede de apoio, luto, reestruturação cognitiva, núcleo familiar. No total foram realizados 30 (trinta) encontros semanais de março/2024 a dezembro/2024. Finalizamos com 2 (duas) mulheres ativas no grupo.
Consideramos que, mesmo com todos esforços da equipe do CAPS na criação de vínculo por meio do acolhimento, em sua maior parte em visitas domiciliares, ainda assim, houve pouca adesão ao grupo psicoterapêutico. O que traz a importante reflexão sobre a prevenção em outros espaços neutros, como CRAS, e parcerias com demais órgãos de proteção, como Delegacia de Defesa da Mulher, Poder Judiciário, Assistência Social, entre outros, visto que trata-se de um problema complexo que também necessita investir em intervenções de conscientização para as vítimas e sua rede de apoio a respeito da violência, seu ciclo de manutenção e formas de se reestruturar após a violência já ter sido instalada. Além disso, se faz necessário destinar um trabalho voltado aos autores de violências, como mais um instrumento visando a erradicação da violência doméstica e familiar.
Grupo de Apoio, Mulher, Fortalecimento, Violência
TALITA MOREIRA TOMAZINHO