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O adoecimento oncológico impacta não apenas o paciente, mas todo o núcleo familiar, exigindo reorganização emocional, social e prática que pode gerar sobrecarga, sofrimento psíquico e dificuldades de enfrentamento. Nesse contexto, grupos de apoio configuram estratégia terapêutica essencial por oferecerem um espaço protegido para expressão de sentimentos, compartilhamento de vivências e construção coletiva de sentido sobre a experiência do câncer. Em ambiente acolhedor e sem julgamentos, familiares encontram escuta qualificada, identificação e suporte mútuo, favorecendo a elaboração de angústias, medos, incertezas e desafios cotidianos do cuidar. A convivência grupal amplia a capacidade adaptativa e reconhece que o adoecimento é vivido de forma singular, porém compartilhada em uma rede que também necessita de atenção. Para a equipe mediadora, a participação dos familiares oferece visão mais completa das dinâmicas emocionais e relacionais, permitindo compreender estratégias de enfrentamento, lutos, vínculos e necessidades psicossociais específicas, o que qualifica a prática assistencial. Com essa perspectiva, o Projeto Acolher propõe um ambiente terapêutico que fortalece vínculos de confiança, oferece apoio emocional e desenvolve recursos internos, contribuindo para a promoção de saúde mental e para um enfrentamento mais equilibrado e humanizado diante do câncer.
Oferecer um espaço terapêutico de acolhimento e escuta qualificada para familiares de pacientes oncológicos, favorecendo a expressão emocional, o compartilhamento de vivências e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento individual e coletivo, promovendo maior adaptação às demandas do cuidado e ao processo de adoecimento.
O grupo de apoio é conduzido no formato de roda de conversa terapêutica, mediada por duas profissionais de saúde (assistente social e psicóloga) com experiência em manejo de grupos e comunicação de apoio. Os encontros ocorrem quinzenalmente, com 60 a 90 minutos de duração, integrados à rotina assistencial e de caráter contínuo. O público-alvo compreende familiares e cuidadores maiores de 18 anos vinculados a pacientes da instituição. A captação combina convite afixado no painel da recepção e abordagem ativa das mediadoras no dia da atividade, com explicitação de objetivos, caráter voluntário e limites do grupo. Cada sessão inicia com acolhimento e contrato grupal (confidencialidade, respeito, direito ao silêncio, fala em primeira pessoa). Realiza-se checagem emocional breve para identificar demandas imediatas e, a partir delas, são trabalhados temas emergentes, como sobrecarga do cuidado, reorganização da rotina familiar, comunicação com paciente e equipe, luto antecipatório, direitos sociais e autocuidado. A condução utiliza escuta qualificada, psicoeducação pontual, normalização de reações, identificação de estratégias de enfrentamento e, quando necessário, exercícios breves de respiração/grounding para regulação emocional. O fechamento contempla síntese dos pontos-chave, validação das vivências e pactuação de encaminhamentos. A gestão de risco é contínua, com identificação de situações que demandem suporte individual e encaminhamento conforme fluxos internos da unidade. Re
•Redução de sofrimento subjetivo: diminuição do estresse momentâneo •Maior expressão emocional: relatos de alívio após verbalização de medos e angústias; validação coletiva de sentimentos. •Fortalecimento do enfrentamento: identificação de estratégias práticas (divisão de tarefas, rotinas de autocuidado, acesso a benefícios) e emocionais (técnicas de respiração, limite saudável, busca de rede). •Apoio social: aumento da percepção de não-isolamento e do suporte entre pares; trocas de contatos para apoio mútuo. •Melhor comunicação: familiares relatam maior clareza para dialogar com a equipe e com o paciente sobre expectativas e limites
O Projeto Acolher mostra-se factível, de baixo custo e alto impacto psicossocial, oferecendo suporte estruturado a familiares/cuidadores e qualificando a linha de cuidado oncológica. A roda de conversa favorece a expressão emocional, reduz o estresse, fortalece estratégias de enfrentamento e amplia o apoio social, alinhando-se às diretrizes de cuidado centrado na pessoa e às recomendações para manejo do sofrimento psicossocial em oncologia.
Oncologia; Cuidadores; Grupo de apoio Saúde mental
FABIO CORREIA BARTOLOMEU JONER, LILIAN FRANCO DE GODOI DOS SANTOS, DANILO CARVALHO OLIVEIRA, MARIANA CESAR NASCIMENTO, JULIANA THAIS DE ASSIS, RAQUEL APARECIDA BRITO CORDEIRO, RUY VICENTE DOS SANTOS, FABIO CORREIA BARTOLOMEU JONER