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No contexto do CAPS o grupo de crochê se torna uma forma de cuidado em saúde mental, possibilitando aos participantes a construção de vínculos, o fortalecimento da autoestima e o resgate da autonomia. Durante os encontros, os usuários são convidados a aprender e compartilhar diferentes técnicas, trocar experiências e produzir peças que valorizam o trabalho coletivo e a criatividade individual. A prática do crochê estimula o senso de pertencimento, a paciência e a persistência, além de proporcionar momentos de tranquilidade e socialização. O grupo busca também incentivar a responsabilidade e o compromisso com as atividades, respeitando o ritmo e as possibilidades de cada participante. Por meio das linhas, agulhas e cores, o grupo transforma o fazer manual em uma forma de expressão simbólica e afetiva, permitindo que cada pessoa manifeste sentimentos, histórias e identidades. Assim, o crochê torna-se mais do que uma técnica artesanal: é uma estratégia de cuidado integral, inclusão social e fortalecimento emocional dentro do processo terapêutico do CAPS.
O grupo de Crochê do CAPS tem como objetivo principal promover um espaço de acolhimento, convivência e expressão por meio da arte manual. O crochê, além de ser uma atividade artesanal, é uma potente ferramenta terapêutica que favorece a concentração, o relaxamento, o desenvolvimento da coordenação motora fina, destreza manual, coordenação viso motora e aspectos cognitivos.
O grupo de crochê ocorre semanalmente às quartas-feiras no CAPS. Para o usuário frequentá-lo é necessário uma discussão prévia com as coordenadoras do grupo pois o mesmo tem capacidade máxima de 10 pessoas e necessita que o usuário tenha condições motoras e um cognitivo sem prejuízos graves para realização da atividade proposta. Inicia-se com o treino dos pontos básicos do crochê e gradativamente evolui-se para produções maiores como tapetes, bolsas, panos de prato ou peças do desejo do usuário.
O grupo de crochê desenvolvido no CAPS mostrou-se uma experiência altamente exitosa, promovendo benefícios terapêuticos e sociais significativos aos participantes. A atividade possibilitou o fortalecimento de vínculos, o resgate da autoestima e o desenvolvimento da concentração e da coordenação motora fina. Durante os encontros, observou-se maior engajamento, assiduidade e expressão emocional, com relatos de bem-estar e satisfação pessoal. O espaço tornou-se um ambiente de acolhimento, troca de saberes e valorização das potencialidades individuais. Além disso, os produtos confeccionados despertaram sentimento de orgulho e pertencimento, ampliando a autonomia e a percepção de capacidade produtiva dos usuários. O grupo consolidou-se como uma importante estratégia terapêutica ocupacional, contribuindo para a reabilitação psicossocial e para o fortalecimento do protagonismo dos participantes no processo de cuidado.
O grupo de crochê iniciou-se de forma tímida e hoje mostra-se como uma potência no cuidado, criando vínculos importantes, gerando afetos e cuidados inesperados, mostrando novos caminhos e possibilidades terapêuticas, quebrando estigmas e crochetando o cuidado em saúde mental.
Saúde mental, cuidado, vínculos
RENATA VOLPON DE CARVALHO