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Este trabalho apresenta a perspectiva dos profissionais da equipe multiprofissional sobre o grupo de educação em dor realizado no Centro de Referência da Dor Crônica – Oeste. O serviço está localizado na zona oeste do município de São Paulo e possui como território de referência três subprefeituras: Butantã, Lapa e Pinheiros, organizadas em duas Supervisões Técnicas de Saúde (Butantã e Lapa/Pinheiros), com população estimada, em 2023, de 1.082.874 habitantes. A equipe atua no cuidado de pessoas com dores crônicas que não obtiveram resultados satisfatórios na rede, com acompanhamento especializado e multiprofissional. Em uma perspectiva ampliada, destaca-se que a dor crônica constitui um problema de saúde pública, estimando-se que entre 15% e 25% dos adultos apresentarão dor crônica em algum momento da vida (GARCIA, 2007). Além disso, aproximadamente 36,9% dos brasileiros com mais de 50 anos convivem com dores crônicas (ELSI-Brasil). A dor crônica é uma condição multifatorial, envolve aspectos biológicos, emocionais, sociais e comportamentais, o que exige abordagens ampliadas no cuidado à população. No período de 21 de dezembro de 2023 a 2 de janeiro de 2026, o serviço realizou 1.609 avaliações, das quais 783 referem-se a pessoas com 60 anos ou mais, correspondendo a 48,66% do total. Usuários com 80 anos ou mais representam 6,8% do total. Os dados reforçam a importância de refletir sobre as especificidades do envelhecimento para o manejo adequado dos casos atendidos no serviç
Realizar abordagem educativa em grupo visando ampliar o repertório dos usuários com dor crônica e desenvolver estratégias mais eficazes de gerenciamento da dor, com o intuito de melhorar a qualidade de vida e o bem-estar.
Trata-se de um trabalho de caráter descritivo, cujo objetivo é compartilhar uma intervenção educativa em saúde. O público-alvo foi composto por pessoas com queixa de dor crônica. A intervenção consistiu na realização de um grupo de educação em dor, desenvolvido pela equipe multiprofissional, com três encontros presenciais, com a proposta educativa e participativa, configurando-se como estratégia de promoção da qualidade de vida, da independência e da autonomia da população atendida. Segundo Pontin et al. (2021), programas de educação em dor que abordam informações sobre etiologia e fisiopatologia da dor apresentam efeitos positivos, pois o conhecimento possibilita que o indivíduo venha a ter maior compreensão sobre os fatores causais, agravantes e de melhora do quadro. A partir desse entendimento, a equipe estruturou o Grupo de Educação em Dor. O grupo foi estruturado em três encontros sequenciais, com duração média de 60 minutos, conduzidos por equipe multiprofissional composta por assistente social, enfermeira, farmacêutica, fisioterapeuta, médico, psicóloga e terapeuta ocupacional. O grupo busca fomentar a reflexão sobre a dor crônica, instruir os usuários quanto a estratégias de enfrentamento e gerenciamento da dor e sensibilizar sobre a importância da corresponsabilização no tratamento, com o intuito de melhorar qualidade de vida e bem-estar.
A dor crônica pode ser definida como “uma experiência sensitiva e emocional desagradável, associada ou relacionada a uma lesão tecidual real ou potencial” (IASP/SBED, 2020), podendo impactar negativamente a funcionalidade, a autonomia, a participação social e a qualidade de vida. Sendo assim, a equipe buscou o programa de educação em dor como estratégia de cuidado e promoção da qualidade de vida dos usuários. A seguir iremos descrever os três encontros do grupo realizado no CRDOR Crônica Oeste: Encontro 1 – Acolhedor: dor crônica e seus aspectos multifatoriais Apresentação dos conceitos de dor crônica, diferenças entre dor aguda e crônica e discussão dos fatores biológicos, emocionais, crenças, medos e comportamentos relacionados à dor. Encontro 2 – Gerenciador: Aspectos etiológicos, fisiológicos, farmacológicos e a importância da atividade física Orientação sobre aspectos etiológicos e fisiológicos, sobre os benefícios da atividade física no manejo não farmacológico da dor crônica. São apresentados exemplos de atividades, reforçando a importância do movimento como estratégia terapêutica. Abordamos também aspectos farmacológicos, uso correto e racional de medicamentos. Encontro 3 – Vivenciador: estilo de vida, aspectos emocionais, sociais e lazer Reflexão sobre o impacto do estilo de vida, das emoções, das relações sociais e das atividades de lazer na saúde e no quadro de dor crônica, com incentivo ao fortalecimento de vínculos e à participação em atividades significativas.
A dor crônica deve ser compreendida para além de uma perspectiva biomédica. A intervenção educativa multiprofissional demonstrou-se alinhamento com às recomendações da literatura, contribuindo com o empoderamento dos usuários, redução do medo do movimento e fortalecimento da autonomia. O envelhecimento populacional no Brasil tem ocorrido de forma acelerada, acompanhado pelo aumento da prevalência de condições crônicas, entre elas a dor crônica. Nesse contexto, estratégias educativas em saúde, especialmente grupos de educação em dor, têm se mostrado eficazes na promoção do autocuidado, no manejo da dor e na manutenção da independência funcional durante a vida. Diante da alta prevalência de dor crônica entre pessoas idosas e de seu impacto na qualidade de vida, considera-se que a implementação de grupos de educação em dor, com abordagem multiprofissional e foco nos aspectos multifatoriais da dor, constitui estratégia relevante para a promoção do envelhecimento ativo, da autonomia e da qualidade de vida.
dor crônica, envelhecimento, grupo
NATALIA GOTARDO MUNIZ DE SOUZA, FERNANDA BITTENCOURT MOURA, GABRIELA DE ARAUJO MONTEIRO LORGA, GUILHERME TSUTOMU IRIYA, ELISA RIBEIRO SA FORTES, MARIANA GONZALEZ DO NASCIMENTO