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A expressão educação em saúde existe desde o início do século XX quando o Serviço Espacial de Saúde Pública, para expandir a medicina preventiva nas campanhas sanitárias, apresentava estratégias de educação em saúde autoritárias, em que as classes populares eram consideradas passivas e incapazes de contribuir com conhecimento1. O conceito modificou-se e, hoje, é considerado um processo político pedagógico que estimula a crítica e a reflexão, propondo descobertas da realidade e incentivando a elaboração de ações transformadoras. Acredita-se que o sujeito é capaz de propor e opinar nas decisões a respeito do cuidado com sua saúde, da sua família e da sua comunidade2. Esse processo envolve três principais atores: os profissionais da saúde que dão o mesmo valor para práticas de promoção, prevenção e curativas; gestores apoiadores; população que precisa ampliar seus conhecimentos e desenvolver autonomia2. A Reforma Psiquiátrica tem como objetivo promover a reabilitação psicossocial, transformar os pacientes com transtornos mentais graves em protagonistas no processo de busca pela saúde e resgatar a cidadania dos sujeitos3. Acreditando que a conquista da cidadania está atrelada ao direito à informação, foi elaborada a proposta do Grupo de Educação em Saúde no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Discorrer sobre este grupo se justifica pelo potencial de tornar os participantes agentes transformadores, estimulando a busca pelo cuidado integral em outros equipamentos do território.
Destacar a relevância do Grupo de Educação em Saúde na construção do protagonismo dos usuários do CAPS II no cuidado integral da sua saúde.
Trata-se de um relato de experiência do médico generalista mediando um grupo de educação em saúde realizado no CAPS II (adulto), junto com a equipe de enfermagem, no município de Barueri, no período de agosto de 2023 a janeiro de 2025. O CAPS atende cerca de 600 portadores de transtornos mentais graves e acolhe pacientes sem agendamento prévio4. A proposta é de um grupo aberto, destinado aos pacientes e cuidadores, com encontros semanais, com duração de 1 hora, para abordar temas de saúde elencados pelos próprios usuários. O material é preparado previamente no formato de folheto, com linguagem clara e utilizando referências do Ministério da Saúde. Também são selecionadas algumas ilustrações para projetar no notebook, facilitando a compreensão dos participantes. As explanações e debates acontecem com todos sentados em círculo, estimulando a maior participação dos usuários. O grupo inicia com um questionamento sobre o conhecimento prévio dos participantes sobre a temática escolhida. No encerramento do encontro, escolhe-se o próximo tema a ser problematizado.
O grupo tem caráter participativo e democrático, ou seja, todos têm liberdade para interromper o debate caso queiram contribuir com informações ou tenham dúvidas. Alguns temas discutidos foram: enxaqueca, fibromialgia, psoríase, doença renal crônica, doenças transmitidas por barata, micoses, Alzheimer, diabetes, escoliose. Alguns assuntos exigiram ações específicas como por exemplo, ao final da discussão sobre infecções sexualmente transmissíveis, foi realizada uma oficina sobre o uso correto de preservativos. No final de cada encontro, é ressaltado o fato de que os usuários participantes do grupo recebem o papel de multiplicadores de conhecimento. Ao longo dos encontros, é possível evidenciar o fortalecimento dos usuários em situações de conflito, melhorando o autocuidado e desenvolvendo responsabilidades diante do seu tratamento. Nas reuniões de equipe, é feita a solicitação aos profissionais para que estimulem a participação dos pacientes e familiares. Contando com o apoio da gestão, os moderadores do grupo planejam convidar colegas de outros serviços para encontros específicos, como dentistas, por exemplo, para conversarem sobre saúde bucal.
Um dos papéis do médico é dar ao usuário condições de apropriar-se da promoção de sua saúde. Na maioria das Unidades Básicas de Saúde (UBS) que adotam um modelo tradicional de atendimento (contexto do município em questão), os grupos são conduzidos pela equipe multiprofissional, mas sem a presença frequente do médico. O Grupo de Educação em Saúde do CAPS diferencia-se por ter um generalista como facilitador ao lado dos colegas enfermeiros. Isto possibilita a extensão da linha de cuidado iniciada no consultório. Além de ampliar o vínculo – algo que impacta positivamente na adesão terapêutica – e tornar o ambiente seguro para esclarecimento de dúvidas, o intuito do grupo é incentivar os usuários com transtornos mentais graves a protagonizarem a promoção e manutenção de sua saúde integralmente, preparando-os para acessar a UBS depois da alta do serviço.
educação em saúde, psicossocial, saúde pública
CARLA REGINA FEITOSA GROSSE DE ANDRADE