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O grupo de atenção às mulheres em situação de violência doméstica nas Unidades Básicas de Saúde tem como objetivo oferecer um espaço acolhedor, seguro e sigiloso para escuta, apoio e fortalecimento das participantes. A UBS, por ser porta de entrada do SUS e estar próxima do território, ocupa lugar estratégico para identificação precoce das situações de violência e para a construção de ações de cuidado integral. Os grupos iniciaram em abril/24 e buscam promover o fortalecimento da autonomia das mulheres, favorecendo o reconhecimento das diferentes formas de violência — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral — e de seus impactos na saúde. Por meio de encontros periódicos, foram trabalhados temas como autoestima, direitos das mulheres, rede de proteção, estratégias de segurança, saúde mental, vínculos familiares e projeto de vida. Os grupos foram realizados em oito UBS com o ciclo de seis encontros em cada, acontecendo a cada quinze dias.
Oferecer escuta qualificada e não julgadora. Reconhecer e validar os sentimentos da pessoa, escuta atenta com interesse ,sem interrupção e sem julgamentos, utilizando linguagem simples e respeitosa. Reduzir o isolamento social e o sentimento de culpa, promovendo acolhimento, fortalecimento de vínculos e construção de uma rede de apoio que favoreça a autonomia, a autoestima e o reconhecimento de direitos. Ampliar o conhecimento sobre direitos e serviços de proteção; Informar sobre direitos garantidos em lei, como os previstos na Lei Maria da Penha, orientar sobre os serviços da rede de atendimento, como CRAS, CREAS, Delegacias de Defesa da Mulher, Patrulha Maria da Penha (GCM) Defensoria Pública, Ministério Público e os serviços de saúde (UBS, CAPS, hospitais de referência). Esclarecer fluxos de encaminhamento e formas de acesso, reduzindo barreiras informacionais que dificultam a busca por apoio.
A metodologia adotada é participativa e centrada na educação em saúde, utilizando rodas de conversa, dinâmicas de grupo, atividades expressivas e troca de experiências que foram aplicadas em seis encontros quinzenais com as usuárias e com a equipe multiprofissional da UBS. O espaço é conduzido pela equipe do NUPAVV e podendo contar com a articulação intersetorial com CRAS, garantindo encaminhamentos quando necessário. As UBS contempladas foram: UBS Centro, UBS Lago Azul, UBS Parque Pretória, UBS Vila Rosalina, UBS São Benedito, UBS Jardim Luciana, UBS Monte Verde e Parque Lanel.
Espera-se que o grupo contribua para a interrupção do ciclo de violência, para a melhoria das condições de saúde física e mental e para o empoderamento das participantes, respeitando sempre o tempo, as escolhas e a singularidade de cada mulher. A ação reafirma o compromisso do Nupavv com o cuidado humanizado, integral e na prevenção de novas violências Observa-se que, à medida que as Unidades Básicas de Saúde passam a se sentir mais seguras e capacitadas para realizar o acolhimento de mulheres em situação de violência, há um aumento significativo nos encaminhamentos ao NUPAVV. Esse crescimento decorre do maior preparo das equipes para identificar sinais e indícios de violência, reconhecendo que ela não se restringe à forma física. Quando os profissionais compreendem os diferentes tipos de violência — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral — ampliam sua capacidade de escuta qualificada e identificação precoce. Historicamente, a sociedade tende a reconhecer apenas a violência física, invisibilizando outras formas que também produzem graves impactos à saúde física e mental das mulheres. Assim, a qualificação das equipes fortalece a rede de proteção, amplia o acesso das mulheres aos serviços especializados e contribui para a efetivação de seus direitos.
A violência doméstica constitui grave problema de saúde pública, com impactos diretos na saúde física, mental e social das mulheres. A Atenção Básica, por ser porta de entrada do SUS e serviço territorial de referência, ocupa posição estratégica para identificação, acolhimento e acompanhamento dessas situações. Observa-se que muitas mulheres procuram a Unidade Básica de Saúde apresentando queixas como ansiedade, depressão, dores crônicas e outros agravos que, com frequência, estão relacionados a vivências de violência. A criação de um grupo terapêutico e educativo possibilita romper o isolamento, fortalecer vínculos, ampliar o conhecimento sobre direitos e favorecer a construção de estratégias de proteção e cuidado. O NUPAVV, por meio da UBS, busca alcançar um número maior de mulheres que possam estar em situação de violência e que, muitas vezes, não se reconhecem como tal, possibilitando a identificação precoce, a prevenção do agravamento das violências e a redução do risco de feminicídio, além de promover ações contínuas de prevenção e promoção da saúde.
Atenção Básica, combate à violência doméstica.
ROSA MARIA ENEDINO MARQUES