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Relato da experiência no CER II Jardim Soares, localizado na região de Guaianases na zona leste de São Paulo. A idealização desta experiência teve início no final de 2019, após ser observado nos pacientes do serviço, principalmente pela terapeuta ocupacional, alterações motoras em crianças com demandas intelectuais. Em 2019 houve a primeira experiência em grupo com suspensão das atividades em 2020, decorrente da pandemia do Covid-19. Em julho de 2023 o grupo se reiniciou e passou a acontecer de forma semanal com a participação de duas fisioterapeutas com proposta de “grupo fechado”, com número limitado de pacientes para melhor manejo e controle dos pacientes, faixa etária estabelecida, com data de início e término da intervenção, diagnóstico clínico ou condições comportamentais semelhantes como alterações posturais, dificuldade na coordenação motora e déficit ou falta de consciência corporal. Das crianças em idade escolar, cerca de 3% têm algum tipo de dificuldade associada à deficiência intelectual. Essas crianças podem apresentar uma série de problemas estruturais e de maturação ligados ao Sistema Nervoso Central (SNC), vestibular e proprioceptivo, sendo caracterizadas por lentidão e pela escolha da estratégia motora e controle postural inadequadas ou atrasadas para a sua idade cronológica. (6) A experiência foi exitosa e nos surpreendeu, principalmente no avanço do convívio social, da comunicação, da atenção e na mudança do comportamento.
Os objetivos do grupo foram melhorar a postura global, reeducação postural, ganho de força muscular do core, melhora da flexibilidade muscular, melhora da coordenação motora, melhora da consciência corporal, melhora da propriocepção, habilidades motoras, equilíbrio postural e dinâmico, melhora da marcha e do comportamento em crianças de 6 a 10 anos com diagnostico de Deficiência Intelectual ( DI ) , Transtorno do Espectro Autista ( TEA ) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ( TDAH) .
Grupo com início em julho de 2023 e término em novembro de 2023, realizado no CER II Jardim Soares, com a participação de duas fisioterapeutas, grupo fechado com cinco crianças de 6 a 10 anos, com diagnostico de DI, TEA e TDAH, frequência semanal, com duração da sessão de 45 minutos. Foi realizada avaliação inicial com teste simples de index-chão, adaptado e mensurado em centímetros, a distância entre os dedos ao solo, avaliação postural com fotos frontal, perfil e posterior. Ao final do período de intervenção foi realizado novamente os testes e comparados um a um a evolução de cada participante.Durante a sessão foram realizados em média de 5 a 6 exercícios alternados a cada sessão, baseados no método Pilates, adaptados para melhor execução e compreensão das crianças, realizados de 2 a 3 séries com 10 repetições, utilizando bola de diferentes tamanhos, bastão, espaguete de piscina, disco de equilíbrio e circuitos funcionais. Foram elaborados exercícios adaptados e lúdicos com objetivo de fortalecimento global, alongamento da musculatura da cadeia posterior, exercícios de trocas posturais como gato, pontes, cócoras, sentar e levantar, pular, caminhar, sentar de borboleta, exercícios de mobilidade articular principalmente de coluna vertebral, circuito de equilíbrio, coordenação motora e de consciência corporal, falar e reconhecer as partes do corpo, aguardar a vez, prestar atenção nos movimentos, ser educado e prestativo com os demais integrantes do grupo dificuldade.
Os integrantes iniciaram o experimento dispersos, sem foco, com dificuldade de concentração nos comandos verbais e nas atividades propostas. O espaço físico para realização do grupo e o absenteísmo de alguns dos participantes também foram pontos de impasse e dificuldade na proposta do grupo. Todos os participantes não realizavam atividade física extra terapia e a minoria realizava atividade em domicílio, diminuindo assim os resultados esperados ou manutenção dos ganhos. A experiência foi bem-sucedida, mostrando para os pais/responsáveis, que as crianças são capazes de praticar esportes ou exercício físico, apresentando os seus benefícios tanto físicos como comportamental; necessitam de gasto energéticos para melhorar a qualidade de vida, adequação postural, melhora do comportamento e das habilidades motoras. Além dos resultados obtidos um dos pontos retratado foi mostrar aos pais e terapeutas que crianças com demandas intelectuais normalmente apresentam déficit motor, essencial para o desenvolvimento do indivíduo como um todo. Essa experiência foi a prova que para melhora intelectual necessitamos da melhora da condição física e motora, e que o indivíduo possui a necessidade de adesão de novos estímulos e aprendizagem.
Consideramos que os objetivos foram atingidos, levando em consideração que alguns encurtamentos musculares, a fraqueza do core e cadeia anterior persistiram, mesmo que apresentando melhora nos testes. As famílias estão cientes que devem continuar os exercícios em domicílio, inserir a criança em práticas esportivas ou exercício físico coletivo, para que desenvolvam maior repertorio e habilidades motoras. Estamos satisfeitas com as evoluções do comportamento, com nítida melhora na atenção, compreensão, tempo de espera, paciência, compreensão do movimento, socialização, comunicação e melhoras posturais como, hipercifose torácica melhora da flexibilidade e equilíbrio estático e dinâmico. Com essa experiência podemos observar escassez de estudos semelhante na literatura o que dificultou a pesquisa; consideramos a importância desse papel na promoção da saúde e sugerimos programas e intervenções específicas e adequado para essa população.
Crianças, habilidades motoras, Promoção da saúde
Gabriela Soares, Andressa Moreira