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O envelhecimento populacional configura-se como um dos principais desafios contemporâneos para os sistemas de saúde, demandando estratégias que ultrapassem abordagens centradas na doença e no cuidado biomédico. No âmbito da APS, o SUS propõe a gestão do cuidado a partir da integralidade, da promoção da saúde e do fortalecimento de vínculos, reconhecendo a pessoa idosa como sujeito ativo no processo de cuidado. Nesse contexto, o trabalho grupal apresenta-se como importante dispositivo para construção coletiva de práticas de cuidado, articuladas com as demandas do território. Articulada a esta diretriz, a PNH reforça a centralidade do acolhimento no âmbito do SUS, da escuta qualificada e da corresponsabilização entre usuários e equipes de saúde. Diante desse cenário, justifica-se a implementação do grupo SOSODI no CSEBF como estratégia de cuidado integral à pessoa idosa com 70 anos ou mais. O grupo busca responder às demandas populacionais relacionadas às mudanças físicas, emocionais e sociais do envelhecimento e à necessidade de espaços de convivência, fortalecendo vínculos e promovendo o envelhecimento ativo e saudável. O presente relato de experiência tem como finalidade compartilhar essa prática, contribuindo para a reflexão sobre o papel dos grupos multiprofissionais na Atenção Básica e para a qualificação das ações voltadas à população idosa.
O grupo objetiva promover o cuidado integral à pessoa idosa 70+, fortalecendo vínculos, estimulando a socialização e incentivando o envelhecimento ativo e saudável no contexto da Atenção Básica. Busca prevenir o isolamento social por meio de atividades coletivas, rodas de conversa e momentos de convivência, favorecendo a saúde mental e emocional. O grupo também busca promover educação em saúde integral, abordando temas relacionados ao autocuidado, às mudanças do envelhecimento e às necessidades ao longo das estações do ano, fundamentado nos princípios do Sistema Único de Saúde, da Política Nacional de Humanização e das diretrizes da Organização Mundial da Saúde. Além disso, visa estimular a prática regular de atividades físicas para manutenção da autonomia, funcionalidade e independência nas atividades de vida diária, contribuindo para a redução do risco de quedas e para a melhoria da mobilidade, segurança e qualidade de vida, por meio de ações multiprofissionais e intersetoriais.
O acompanhamento em grupo é conduzido por equipe multiprofissional, envolvendo diferentes áreas do cuidado, como Fisioterapia, Psicologia e Serviço Social. Os encontros ocorrem de forma semanalmente, às quartas-feiras, com duração média de 60 minutos, organizados de maneira contínua e estruturada. As atividades desenvolvidas incluem rodas de conversa, ações educativas em saúde, práticas corporais e exercícios funcionais, além de dinâmicas lúdicas e recreativas. São utilizados materiais educativos, como o jornal elaborado pelo próprio grupo (SOSODI), construído coletivamente a partir das principais temáticas abordadas ao longo do ano e guiadas pelos interesses, perguntas e pela dinâmica grupal. Quando identificada a necessidade, as demandas específicas de cada participante são abordadas de forma individual, conforme a área de atuação profissional. Na Fisioterapia, por exemplo, são prescritos exercícios domiciliares por meio de cartilhas, com orientações aos familiares para favorecer a continuidade do cuidado; no Serviço Social, são identificadas e encaminhadas demandas relacionadas aos direitos da pessoa idosa; e na Psicologia, são realizadas intervenções quando identificado sofrimento psíquico ou emocional. A avaliação ocorre de forma contínua e qualitativa, por meio da participação, relatos dos pacientes, observação da equipe, adesão às atividades e fortalecimento de vínculos.
A implementação do grupo de pessoas idosas com 70 anos ou mais no CSEBF mostrou-se uma estratégia potente de promoção do cuidado integral, fortalecimento de vínculos e incentivo ao envelhecimento ativo no contexto da APS. Ao longo do ano, observou-se adesão progressiva dos participantes aos encontros semanais, evidenciando a criação de um espaço de pertencimento, escuta e convivência. Os encontros favoreceram a redução do isolamento social, frequentemente relatado pelos participantes no início do acompanhamento, promovendo fortalecimento das redes de apoio. Houve relatos recorrentes de melhora do humor, da autoestima e do bem-estar emocional, associados à regularidade dos encontros, às comemorações coletivas e às atividades lúdicas e recreativas. As práticas corporais e os exercícios funcionais contribuíram para a melhora da mobilidade, do equilíbrio e da confiança para realização das atividades de vida diária. A atuação multiprofissional e intersetorial permitiu identificar e encaminhar demandas específicas, ampliando o acesso a direitos, cuidados em saúde mental e intervenções físicas individualizadas quando necessário. A avaliação contínua, aliada à aplicação da AMPI, contribuiu para o acompanhamento longitudinal e qualificado, reafirmando o papel do grupo como estratégia efetiva de cuidado integral, humanizado e centrado na pessoa idosa.
A implementação do grupo de pessoas idosas com 70 anos ou mais no CSE Barra Funda evidenciou-se como uma estratégia potente para a promoção do cuidado integral, o fortalecimento de vínculos e o incentivo ao envelhecimento ativo no contexto da APS. A adesão progressiva aos encontros semanais ao longo do ano consolida um espaço de acolhimento, trocas e convivência, favorecendo o sentimento de pertencimento e a participação ativa dos usuários. Os encontros contribuem para a redução do isolamento social, promovendo o fortalecimento das redes de apoio e das relações sociais. Relatos dos participantes indicam melhora do humor, da autoestima e do bem-estar emocional, associados à regularidade das atividades, às dinâmicas e comemorações coletivas. As práticas corporais e exercícios funcionais impactam positivamente a mobilidade, o equilíbrio e a confiança para a realização das AVDs, favorecendo maior autonomia e segurança. A atuação multiprofissional possibilita a identificação e o encaminhamento de demandas específicas, ampliando o acesso a direitos sociais, cuidados em saúde mental e intervenções físicas individualizadas, reafirmando o grupo como estratégia efetiva de cuidado integral, humanizado e centrado na pessoa idosa.
Pessoa idosa; Cuidado integral; Atenção primária;
CAMILA DA COSTA MEIRELES, YASMIN CONCEIÇÃO DA SILVA, NATHALIA BEZERRA