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A ludopatia é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1980 tendo se agravado nos últimos anos como resultado da popularização das plataformas online de apostas. Estimativas apontam que a ludopatia atinge entre 1 e 1,3% da população brasileira, ou seja, entre 2,14 e 2,78 milhões de brasileiros sendo o terceiro vício mais frequente, ficando atrás apenas do álcool e do tabagismo. O número de pessoas prejudicadas pela compulsão em apostas aumenta enormemente ao considerarmos que o vício não afeta só o dependente, pois prejudica todos à sua volta, especialmente sua família. A Ludopatia refere-se ao indivíduo que possui um desejo incontrolável de jogar. No CID-10 encontramos a categorização F63 e Z726 para apontar o diagnóstico deste sofrimento. O indivíduo que sofre com a Ludopatia, além do desejo incontrolável de jogar, sofre fissura semelhante ao usuário etilista e dependentes de substâncias psicoativas, perdem empregos, se submetem a dívidas financeiras, furtam, sentem culpa, depressão, rompimento de relacionamentos, alto índice de auto extermínio, entre outros.
Oferecer um espaço de acolhimento, reflexão e construção de estratégias de enfrentamento, favorecendo o fortalecimento da autonomia, da crítica sobre comportamento aditivo e da reorganização das rotinas pessoais.
Consistiu em encontros semanais em formato de grupo aberto, com entrada contínua de participantes conforme demanda. Foram trabalhadas rodas de conversa, identificação de gatilhos, manejo da fissura, estratégias de regulação emocional e fortalecimento da rede de apoio.
Ao longo dos encontros, observou-se adesão dos participantes, com ampliação da participação ativa, maior capacidade de verbalização das dificuldades cotidianas e fortalecimento dos vínculos terapêuticos. Os usuários passaram a relatar mudanças significativas em comportamentos disfuncionais, tais como: redução da frequência de episódios de jogo; melhora na gestão financeira e maior percepção dos gatilhos associados aos impulsos de jogar; aumento da capacidade de estabelecer limites pessoais e solicitar apoio quando necessário; retomada de projetos pessoais, vínculos familiares e atividades de rotina; identificação de emoções e construção de estratégias de regulação emocional.
O grupo tem contribuído para melhora significativa do funcionamento global dos usuários acompanhados e para a prevenção de recaídas. Houve melhora significativa na gestão do comportamento de apostas, inserção em atividades produtivas, incluindo retorno ao mercado de trabalho e à educação formal. Esses resultados indicam que intervenções estruturadas e centradas no usuário promovem mudanças concretas no cotidiano, fortalecendo autonomia, redes de apoio e reinserção social. A proposta permanece em continuidade, considerando sua relevância como dispositivo de cuidado, prevenção e reinserção social no contexto do CAPSAD.
Ludopatia, Reabilitação, Grupo Terapêutico
JULIANA S. YAMADA, VICTÓRIA LARA B. DO NASCIMENTO, PATRÍCIA TEIXEIRA