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O Grupo de Manutenção é desenvolvido no CAPS Travessia como estratégia de cuidado continuado para usuários que já percorreram etapas iniciais do tratamento (Grupos de Chegada, Psicoeducativo e Prevenção à Recaída) e se encontram em fase de reconstrução de vínculos pessoais, sociais e ocupacionais. A experiência surge da necessidade de ofertar um espaço terapêutico estruturado para acompanhamento desse momento específico do percurso terapêutico, marcado por avanços importantes, mas também por vulnerabilidades relacionadas à retomada da vida cotidiana sem o uso problemático de substâncias psicoativas. Ao longo de sua implementação, o grupo passou a extrapolar os limites institucionais do CAPS, constituindo-se como uma verdadeira rede de apoio entre os próprios usuários. Observou-se o fortalecimento de vínculos solidários, com participantes acompanhando uns aos outros em consultas médicas fora do município, compartilhando estratégias de enfrentamento e oferecendo suporte emocional em momentos de fragilidade, ampliando significativamente o alcance do cuidado para além do serviço formal de saúde. Essa vivência reforça o papel do CAPS como articulador de redes e evidencia a potência dos dispositivos grupais na produção de autonomia, corresponsabilização e cuidado em liberdade.
Promover cuidado continuado aos usuários em processo de consolidação da abstinência ou redução de danos, fortalecendo vínculos, autonomia e projeto de vida. ● Ofertar espaço terapêutico de acolhimento das demandas emergentes na retomada das relações sociais e familiares; ● Estimular processos reflexivos sobre vulnerabilidades, limites e possibilidades no percurso de recuperação; ● Favorecer papéis ocupacionais e estratégias de autocuidado; ● Incentivar o autoconhecimento e a autonomia; ● Fortalecer vínculos entre usuários, promovendo apoio mútuo e corresponsabilização pelo cuidado; ● Ampliar a rede de suporte social, extrapolando o espaço do CAPS.
O Grupo de Manutenção ocorre semanalmente, às segundas-feiras às 17h, com duração de 1h30, sob coordenação da enfermeira Aline Batista. Trata-se de grupo fechado, composto por usuários que já participaram dos grupos iniciais do CAPS AD. As temáticas são definidas a cada encontro, a partir das demandas trazidas pelos participantes e/ou propostas pela profissional responsável, utilizando-se recursos audiovisuais, gráficos e outras ferramentas conforme a necessidade. O trabalho é conduzido a partir de escuta qualificada, incentivo à troca de experiências, construção coletiva de estratégias de enfrentamento e fortalecimento de vínculos, favorecendo a emergência de uma rede solidária entre os usuários.
Entre os principais resultados observados destacam-se: ● Fortalecimento da autonomia e do autocuidado; ● Ampliação da capacidade de autoavaliação e elaboração de estratégias para prevenção de recaídas; ● Retomada gradual de vínculos familiares e sociais; ● Desenvolvimento de suporte entre pares, configurando uma rede de apoio que ultrapassa o espaço institucional do CAPS; ● ● Acompanhamento solidário entre usuários em atendimentos médicos fora do município; ● Maior adesão ao tratamento e sensação de pertencimento ao grupo; ● Redução do isolamento social e fortalecimento do sentimento de coletividade. O Grupo de Manutenção consolidou-se como um espaço terapêutico potente, marcado não apenas pela continuidade do cuidado, mas pela construção de vínculos genuínos e solidários entre seus participantes.
Ao longo de sua trajetória, o grupo revelou que o cuidado em saúde mental se sustenta, sobretudo, na presença, na escuta e no compromisso compartilhado. Mesmo em dias de chuva, os usuários priorizavam o encontro, reafirmando o desejo de estar juntos e de preservar esse espaço como parte fundamental de seus projetos de vida. Os encontros tornaram-se um lugar de partilha das pequenas conquistas do cotidiano, das dificuldades enfrentadas e das alegrias simples, demonstrando o quanto a reconstrução da vida se faz nos detalhes. Observou-se o cuidado de si e do outro como prática constante, com usuários trazendo notícias daqueles que se encontravam em outros momentos do tratamento, acompanhando trajetórias, oferecendo apoio e mantendo vínculos para além do espaço institucional. Essa experiência evidencia que o grupo ultrapassou sua função terapêutica inicial, transformando-se em uma rede viva de apoio, corresponsabilização e afeto, reafirmando o CAPS como espaço de cuidado em liberdade, produção de autonomia e fortalecimento da vida em sua dimensão coletiva.
Vínculo;Autonomia;Cuidado em Liberdade; Manutenção
VANESSA MARIA DA SILVA RODRIGUES, CRISTIANE PINHEIRO LIMA DE BRITO, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE, ENEIDA COSTA RAMALHO