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A necessidade do grupo se desenvolve a partir do próprio objetivo do CAPS, na busca de oferecer a essa usuária atendimento e suporte terapêutico através de equipe multiprofissional dentro das suas necessidades e alem da medicalização. A população feminina em atendimento em CAPS tem aumentado significativamente por conta do papel que exerce hoje, dentro do contesto de modernidade atual. O adoecimento feminino ocorre em função da cobrança do seu papel de mulher como mãe, esposa, profissional, agravando sintomas depressivos e ansiosos que dificultam o desenvolvimento de atividades rotineiras com prejuízos em várias esferas da sua vida, causando vários tipos de dependência como familiar, emocional, do próprio CAPS e outros. O grupo se desenvolve a partir da necessidade de relembrar a essa usuária o seu papel de mulher, através do entendimento de seus conteúdos emocionais e qual o papel que deseja viver em sua própria vida. A reflexão de seus gatilhos adoecedores possibilita o resgate da autonomia, autoestima, fortalecendo seu papel dentro da sua dinâmica de vida, trazendo a possibilidade de se posicionar diante das suas relações pessoais. Foi importante trazer o conhecimento e reflexão sobre a patologia e sintomas, trabalhando a necessidade de medicação, mas, também a possibilidade sobre outras alternativas de tratamento, trazer a devida importância ao que essa mulher sente e como vai se posicionar em relação as suas emoções no seu cotidiano.
– Acolher e escutar mulheres que apresentam sofrimento emocional e desenvolvem comportamentos autodestrutivos, sejam eles físicos ou mentais, em que o processo de adoecimento interrompe o desenvolvimento de atividades diárias e as incapacitam para a vida. – Atender usuárias femininas com sintomas ansiosos ou depressivos, associados ou não, a sintomas psicóticos através de atividades que desenvolvam um processo reflexivo através do autoconhecimento, sentimentos, sintomas e dúvidas sobre sua patologia, trabalhando a responsabilidades com o tratamento e possibilidades terapêuticas alem da medicação, proporcionando outra visão de si, controle de sintomas, reconstituindo sua historia e se adaptando e/ou refazendo seu projeto de vida. – Apresentar um novo formato com quantidade determinada de usuárias, grupo fixo e tempo determinado. – Possibilitar um processo de autoavaliação, através de vivências e reflexões e entendimentos para caminhar e retomar a sua vida.
Os encontros acontecem ás quintas feiras, sendo grupo fechado com 10 participantes, com duração de 2 horas, e participação de dois técnicos. Onde são trabalhados temas e textos específicos, dinâmicas e atividades reflexivas e algumas externas, demandas trazidas pelas pacientes. Em 2024 foram iniciados 05 grupos nesse formato. Após dez encontros realizamos um processo de avaliação e reflexão onde as participantes se colocam sobre o grupo, participação e evolução a partir do seu comprometimento com as atividades propostas possibilitando autoavaliação objetivando a compreensão e convivência com seus conteúdos emocionais. Equipe técnica realiza avaliação individual com avaliação de continuidade e/ou alta, ou outro tipo de seguimento. Discussão com referencia técnica e avaliação final do grupo com devolutiva para equipe CAPS.
Esse grupo proporcionou as participantes entender o seu tratamento dentro do projeto terapêutico, onde conseguiram trabalhar seus conteúdos emocionais, através de um processo reflexivo sobre adoecimento, conhecimento da doença e uso de medicação, a forma com que se vêem como mulher, mãe, paciente, esposa, trabalhadora e o papel que representam em várias esferas da vida. Nesses encontros absorveram o resgate da autoestima, responsabilidade com o tratamento, busca e reflexão sobre alternativas para lidar com suas emoções. Inicialmente designado grupo de mulheres foi renomeado pelas participantes como As Marias porque entenderam a força do papel feminino dentro da sua existência, se colocando como individuo comum a todos, mas, de essência única a sua própria existência. Absorvendo através da partilha o entendimento do que desencadeou o sofrimento, resgatando sonhos e desejos, através da aceitação e enfrentamento das dores, trazendo um novo olhar ao seu projeto de vida. Através do empoderamento emocional as participantes se fortaleceram num grupo particular, hoje designado como As mensageiras da Paz onde conseguem dar suporte umas as outras nos momentos de crise e principalmente entenderam a força do compartilhar sentimentos e refletir sobre eles. Elaboraram novos projetos de vida entendendo e aceitando suas limitações como parte da sua vida e não como fator incapacitante. trazendo a elas a segurança de compartilhar o que absorveram com outras pessoas em sua rede de convivência.
O grupo se desenvolveu alem do esperado e de forma positiva trouxe autonomia para algumas usuárias, que retornaram ao trabalho e/ou conseguiram melhorar a dinâmica familiar através da compreensão de seus conteúdos, transformando situações cotidianas de incapacidade em momentos de reavaliação e empoderamento emocional. Possibilitou melhor adesão ao tratamento medicamentoso á partir do conhecimento de sua patologia e medicação trouxe um entendimento da sua importância no seu processo de cuidado e recuperação. Enquanto técnica trouxe a possibilidade de apresentar a equipe situações e sentimentos não apresentados em atendimento multi e a discussão do PTS objetivando a melhor forma para alinhar o tratamento.
Mulheres, suporte terapêutico, cuidado.
IRACEMA GOMES DE ARAUJO, ELIANA CONCEIÇÃO ZANATA