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O Grupo de Mulheres é um espaço terapêutico-reflexivo desenvolvido na UBS Cabuçu com objetivo de proporcionar acolhimento, troca de informações e fortalecimento de vínculo entre as mulheres que buscam por atendimento da equipe multiprofissional. Os encontros são realizados uma vez por mês e conduzidos principalmente pelas/os profissionais psicólogas/os e assistente social. Demais profissionais da equipe, como fisioterapeuta, nutricionista e educadora física participam dos encontros de maneira esporádica, de acordo com disponibilidade de agenda e possibilidade de condução de discussões. Os temas discutidos são organizados a partir das próprias sugestões e vivências das usuárias. Nesse sentido, as profissionais assumem o compromisso de adotar uma postura de mediação e facilitação da conversa. A inclusão de novas usuárias do serviço no grupo é feita constantemente a partir de uma avaliação por parte das profissionais, com a finalidade de validar interesse das atendidas na realização de atividades grupais e garantir a boa manutenção de um espaço seguro de cuidado.
O objetivo deste trabalho é apresentar um relato de experiência sobre as atividades realizadas com o Grupo de Mulheres da UBS Cabuçu. O relato visa demonstrar que o processo grupal é mobilizador da troca de experiências subjetivas, fortalecedor de redes afetivas e propulsor da criação de estratégias de enfrentamento comunitárias às situações vivenciadas pelos sujeitos.
Os encontros do grupo ocorrem uma vez por mês. Ao longo deste ano, houveram momentos de apresentação pessoal, atividades de fortalecimento da autoestima, caracterização de sinais de ansiedade e depressão, ensino de técnicas de respiração/relaxamento corporal, entre outros temas elaborados coletivamente. Todos os encontros tiveram como pano de fundo as conversas sobre as vivências das usuárias, situações nas quais se encontram atualmente, possibilidades de enfrentamento e a demanda de construção de rede de apoio mútuo. Pereira e Sawaia (2020) defendem que a prática grupal deve refletir uma intencionalidade direcionada ao cuidado e potencialização da vida. Independente do local físico ou serviço onde se realiza uma atividade em grupo, o objetivo de trabalho deve sempre direcionar-se para desenvolvimento de um sujeito livre e criador de si. Considera este um recurso potente para a transformação de circunstâncias a partir da elaboração de reflexões coletivas. A utilização de intervenções grupais na atenção básica constitui-se enquanto tecnologia de cuidado produtora de saúde capaz de impactar condicionantes da vida comum em função da criação de espaços reflexivos, permeados pelas diversidades dos integrantes e promoção do senso de coletividade (Brasil, 2013).
Ao colocar suas inquietações, dilemas e interesses em palavras, as participantes do grupo puderam construir coletivamente caminhos alternativos de enfrentamento às situações que vivenciam. Observou-se o fortalecimento de vínculos entre elas na criação de planos conjuntos para realizarem atividades físicas, a percepção das situações de violências cotidianas que enfrentam e suas possibilidades de ação, o conhecimento de serviços de suporte à mulher nos serviços de assistência social e justiça, a identificação da posição de cuidadora (nem sempre desejada) que ocupam em relação aos seus familiares e novas maneiras de construir limites saudáveis, além da da redescoberta dos gostos pessoais, interesses em realizar novas atividades e hobbies que pareciam estar encobertos pelas responsabilidades que a sobrecarregam na rotina.
Ao ter a construção de rede de apoio como horizonte do trabalho, foi possível perceber com as usuárias a importância do senso de coletividade e pertencimento em grupo que respeita as individualidades e ao mesmo tempo as incentiva o reconhecimento de potencialidades grupais e a transformação da postura de resignação para postura de ação. Melo (2023) aponta que coletivo, movimentos sociais e amizades podem proporcionar a chance de legitimar e validar os processos de sofrimento que a pessoa vivencia, sendo espaços de acolhimento, trocas, cuidado mútuo, reflexões e produção de novos sentidos que auxiliam a pessoa a se apropriar de novos mediadores para enfrentar sua situação difícil. Por fim, compreende-se que o trabalho realizado com o grupo de mulheres sempre estará inacabado e exigirá da equipe multiprofissional criatividade para lidar com os desafios cotidianos, articular debates e mediar reflexões que fortaleçam este espaço de cuidado e promoção de saúde. Afinal, o conhecimento coletivo construído de forma ativa tem potencial de impactar vidas de forma positiva e fortalecer laços comunitários.
práticas grupais; atenção básica; mulheres.
MAÍRA ELOÁ PEREIRA SIMONETTI MAIRA_ELOA@HOTMAIL.COM, VALERIA DA PENHA DOM PEDRO NASCIMENTO, VINICIUS LIMA TEIXEIRA