Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Este trabalho traz o olhar para o tratamento em CAPS Álcool e Drogas oferecidos á mulheres. Reiterando a importância sob a perspectiva de gênero nesta clínica específica e seus desdobramentos, e tem a intenção em contribuir com o processo de envolvimento transdisciplinar do cuidado em saúde mental.(1) A priorização do gênero como um determinante sociocultural é enfatizada. Homens e mulheres, como atores sociais e culturais distintos, têm envolvimentos diferentes com o consumo de substâncias psicoativas. É importante considerar que as mulheres são um grupo de usuárias com características e necessidades específicas, que devem ser levadas em conta pelas políticas públicas. No entanto, as mulheres não são um grupo homogêneo. Portanto, uma abordagem abrangente do consumo de substâncias psicoativas por mulheres deve levar em consideração seus contextos e particularidades, e ser baseada na perspectiva de Redução de Danos.(2) Compreendendo esse contexto – Ser Mulher – Uso/Abuso de drogas – Determinantes sociais e culturais – Feminilidade – Violência, planejamos o grupo com a expectativa em abordar, dar espaço de fala, e amenizar algumas dores que perpassam pelas pacientes nessa busca por retomada da saúde.
Proporcionar ampliação nas possibilidades de tratamento, maximizar participação social e empoderamento pessoal, otimizar procura e assiduidade no tratamento, fortalecimento de vínculos entre a comunidade feminina, melhora na qualidade de vida, ressignificação do processo saúde-doença -cura e fortalecimento de políticas públicas.
Nossas abordagens durante a realização do grupo, ocorreu através do investimento nos aspectos socioculturais relativos ao universo feminino no contexto do uso de álcool e outras drogas, onde a abstinência no uso das substâncias não aparece como objetivo principal. Nossos atendimentos são realizados nas dependências do CAPS álcool e drogas Guaianases, em ambiente mais reservado, que transmite segurança relacionada ao sigilo das informações, questões de extrema relevância para as participantes. Como técnicas utilizamos roda de conversa, com assuntos elegidos pelas participantes ou proposto pelas coordenadoras do grupo com pautas sugeridas pelo NPV (Núcleo de prevenção à violência), interno e externo. Atividades manuais/artesanais (para trabalhar expressividade emocional, melhora da coordenação motora, sugestão para produção de renda familiar), bazar de trocas (bazar onde cada paciente ou funcionária pode trazer um item pessoal que estava em desuso, ou produzido por si, para trocar com outra pessoa) fortalecendo vínculos e participação social. Palestra, com CDCM Guaianases, objetivando promover informação e empoderamento em relação as violências sofridas pela população feminina. Técnicas de relaxamento, objetivando exercitar a autoavaliação, autoconsciência e como estratégia para redução de danos.
Observa-se maior adesão ao tratamento ofertado no Caps Alcool e Drogas, concessão de poder individual e social às mulheres, garantindo que possam estar cientes sobre os seus direitos, como a total igualdade entre os gêneros, bem como, transformação de hábitos de vida prejudicados, e com importante retomada de papéis sociais.
Entendemos que a perspectiva sociocultural do gênero nos permite compreender a posição das mulheres na sociedade, destacando o contexto territorial de vulnerabilidade onde encontra-se nosso serviço de saúde, bem como as influências sociais, políticas e econômicas em seus padrões de consumo. Isso nos ajuda a conhecer e analisar o consumo feminino, ampliando as discussões além das questões morais e biológicas, para considerações políticas e econômicas, para, a partir deste contexto, planejar e executar atividades grupais que condizem com a realidade de vida de nossas pacientes. (2)
Mulheres - CAPS Alcool e Drogas
Carolini Peviani Deliberal