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O grupo de práticas esportivas do CAPS IJ se iniciou pela sensibilidade de profissionais que compreenderam as especificidades dos usuários em relação ao tratamento de suas demandas em saúde mental, para lhes facilitar um melhor cuidado, que faça sentido para o usuário. Desenvolvendo um espaço onde o usuário possa ser ajudado conforme seus desafios, possibilitando que ele permaneça ao lado da família (que faz a diferença), proporcionando grande avanço para conseguir a adaptação e/ou reabilitação social dos adolescentes em lugares nos quais a sociedade os estigmatiza devido aos transtornos mentais. Além disso, (Rogers et al., 1997) contempla sobre a seriedade da autonomia humana, a chance de ele solucionar e/ ou ser responsável por suas decisões. Considerando mesmo em meio ao paradigma de um diagnóstico, a humanização do atendimento à pessoa em sofrimento psíquico e o tratamento de reabilitação psicossocial do indivíduo. A magnitude deste grupo é ofertar intervenção a partir das práticas esportivas pautadas nas vivências da cultura corporal como: jogos, alongamentos, danças, ginásticas, brincadeiras, bem como o acesso ao lazer (áreas arborizadas) que dispõe de diversos benefícios como aliviar o estresse, evitando no indivíduo também a ansiedade e depressão, além de garantir o exercício dos direitos civis, fortalecimento dos laços familiares e comunitários. É também a partir deste espaço que se entende os avanços observados e narrados pelos próprios usuários e responsáveis.
Fortalecer os vínculos familiares e relacionais com a sociedade; Melhorar sua saúde mental, física e social; Contribuir para alta do CAPS; Acolher e orientar de maneira qualificada; Despertar no usuário a consciência do autocuidado; Desenvolvimento da psicomotricidade.
As Práticas esportivas não possuem faixa etária específica para desenvolver, ou seja, trata-se de um grupo aberto para todos os usuários do CAPS IJ II que desejarem, entretanto após a construção do PTS do usuário, é avaliado com o mesmo e com toda equipe multidisciplinar a inserção com programação e objetivo de avanço. Este grupo acontece todas as sextas-feiras das 9hrs as 11hrs no parque Celso Daniel, podendo alternar entre outros espaços no território, sempre visando ser uma proposta de atividade terapêutica, focando no bem-estar e na promoção de saúde, na redução de danos, bem como na reorganização deste na vida social e psíquica. Sendo assim, por intermédio dos diálogos é realizado escuta ativa e psicoeducação que objetiva os exercícios de alongamentos para os membros inferiores e superiores, de respiração, caminhadas, atividades lúdicas como gincanas e modalidades esportivas adaptadas para garantir a participação de todas as pessoas, passeios diversos no sentido de ampliar o repertório e piquenique promovendo rodas de conversas com assuntos diversos e pertinentes. Além de ofertar espaço terapêutico a fim de acolher as famílias/ responsáveis para que sejam ouvidas em suas angústias e inquietações. Por fim, realizamos também instruções sobre medicalização, sensibilização e atendimento à crise.
Colhemos relatos acerca da observação de uma genitora que acompanha assiduamente o tratamento de seu filho. Em meados de 2024 o usuário G. chega ao serviço para acolhimento apresentando humor hipotímico, sua oralidade consistia em palavras soltas e com pouco contato visual. Após atendimento individual, consulta médica, autocuidado e atividades terapêuticas no grupo de práticas esportivas, hoje G. demonstra que suas potencialidades foram ampliadas, facilitando na sociabilização, no aumento de seu repertório, consequentemente na interação social e ao expressar seus sentimentos. Segundo a genitora, G. passou por fases muito complexas desde sua chegada ao caps, onde inicialmente foi resistente à proposta de cuidado, mas aos poucos foi vinculado e se adaptando ao serviço. Genitora nos conta também que o trabalho em equipe está sendo fundamental para o tratamento de G. Outra experiência positiva foi obtida através do cuidado no geral, sobretudo as práticas esportivas que foi construída especificamente de acordo com o PTS do usuário e passou ser terapêutico para eles. Choros e sorrisos também foram compartilhados durante a vivência. Isso nos mostra quão significativo é ter compreensão empática no CAPS IJ ||. Sendo assim, foi pensando em um modelo de tratamento integral do indivíduo, que progredimos diante dos embaraços existentes visando a melhora do paciente.
Ao longo deste agrupamento foi evidente o número de adesões a essa proposta de cuidado, podendo assim se considerar exitosas as práticas desenvolvidas, quando se constata a evolução da grande maioria dos usuários. Embora tenha casos, mesmo que isolados, daqueles usuários que não aderiram ao grupo, por uma questão de expectativa voltada para o futebol, quando referimos o nome práticas esportivas, entretanto se torna ensejo para que também possamos melhorar o repertório do usuário, salientando sobre esporte de um modo geral e seus benefícios. Criado para pessoas que necessitam de atendimento em saúde mental, o Caps, através de uma equipe multidisciplinar, oferece a seus usuários um projeto de cuidado muito potente, onde a pluralidade de pertença das pessoas com transtornos mentais requer que os vejamos como cidadãos múltiplos. Nessa circunstância, o grupo de práticas esportivas se torna terapêutico, e deve ser um recurso importante no estímulo à ampliação dos sujeitos que dele participam.
Práticas esportivas, Reabilitação psicossocial
THAYNA LUCILLA DOS SANTOS BOMFIM, ANSELMO DE OLIVEIRA, TALITA MAURICIO, DAVID LOPES, VALDIRENE APARECIDA DE OLIVEIRA