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Transtornos do desenvolvimento são identificados cada vez mais cedo, dentre eles o autismo é definido como um transtorno neuropsiquiátrico que apresenta sinais ainda na infância, na maioria dos casos, até os três anos de idade (Zampiroli, 2012). As principais características do TEA envolvem o desenvolvimento incomum da linguagem e comunicação, falha na interação com o meio social, ineficácia na demonstração de aspectos emocionais, além de apresentar uma estima a atividades restritas e repetitivas (Camargo, 2009). Conforme o documento “Linha de Cuidado para a Atenção às Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas Famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde” lançado em 2022. Destinado a gestores e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial, que objetiva contribuir para a ampliação do acesso e a qualificação da atenção às pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas famílias. (São Paulo, 2022). Desta forma, a Política Nacional de Atenção Básica traz consigo a valorização do sujeito, singularidade e inserção social, atendendo as necessidades da população, sem nenhuma distinção (Couto e Lima, 2017). Frente ao constante número de casos com suspeita de autismo encaminhados para e-Multi no território da UBS, se faz necessário ações alinhadas pela equipe, visando cuidados e promoção de saúde efetivas conforme a complexidade dos casos direcionados para avaliação, intervenções e/ou encaminhamentos para serviços de atenção especializada.
Trabalhar desenvolvimento cognitivos, oralidade e repertório social de pacientes com Transtornos Globais do Desenvolvimento, através da metodologia de atendimento em grupo operativo com os paciente e genitores.
Atendimento em grupo operativos, que conforme Batos (2010) consiste em um trabalho cujo objetivo é promover um processo de aprendizagem para os sujeitos envolvidos. Aprender em grupo significa uma leitura crítica da realidade, uma atitude investigadora, uma abertura para as dúvidas e para as novas inquietações. A faixa etária dos participantes dos grupos eram entre 1 até 12 anos, divididos em diferentes faixas etárias. Foram desenvolvidas atividades nas quinta-feira de forma quinzenal das 15h00m até 16h20m. Os atendimentos foram realizados pela equipe multiprofissional das UBS.
No total o grupo teve 15 participantes, com excelente assiduidade nos encontros e se demonstraram participativos nas atividades desenvolvidas. Os genitores, acompanharam seus filhos ao longo das atividades realizadas e se demonstram solícitos quando orientados pelos profissionais que realizam as atividades. Os relatos das mães demonstram que elas notam a importância das atividades desenvolvidas nos atendimentos para o desenvolvimento dos filhos, mas apresentam interesse em acompanhamento individualizado. Segundo Defense-Netvral e Fernandes (2016) somente sete estados no Brasil possuem políticas públicas voltadas ao TEA, o que revela uma dificuldade na consideração e inclusão do autismo como uma deficiência no país. Conforme relata Nascimento et al. (2017) a criança e sua família tem direito a cuidados integrais ofertados pelo SUS, pois além das necessidades próprias de sua condição, uma pessoa com TEA possui necessidades vitais comuns, como a vacinação, consultas, pré-natal, puericultura e saúde bucal. Guedes e Tada (2015) afirmam que a família é parte constituinte do suporte para o desenvolvimento da pessoa com TEA, juntamente com os cuidados multiprofissionais.
Na Atenção Básica em Saúde, composta pelas UBS e suas equipes, existe a responsabilidade de identificar precocemente sinais de atrasos no desenvolvimento e realizar encaminhamentos para especialidades, além da oferecer cuidados contínuos ao paciente. Muitos profissionais não se sentem a vontade para realizar intervenções para paciente com autismo, sendo necessário promoção de formações continuadas para maior qualificação dos atendimentos.
transtornos
JOEL HUGO POLONI, ALESSANDRA BEZERRA