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A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou comercializados de forma inadequada, e que mais da metade dos pacientes não os utilizam corretamente. E os benzodiazepínicos (BZD) indicados para tratamentos de transtornos de ansiedade, insônia e epilepsia, estão entre os medicamentos ansiolíticos mais utilizados na prática clínica e mais consumidos em diversos países no mundo (NALOTO et al., 2016). Trata-se de um problema de saúde pública que é corriqueiramente identificado pelos trabalhadores que atuam no campo da saúde mental. Sendo assim, estratégias alternativas e complementares ao tratamento da medicinal tradicional vem, sendo utilizadas no âmbito do SUS, a exemplo do uso de plantas medicinais. Em 2006, foi instituída no Brasil a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares com o objetivo de ser uma proposta complementar ao tratamento da medicina tradicional ofertada pelo SUS, sendo a Recomendação de uso de Plantas Medicinais um dos 29 procedimentos ofertados (BRASIL, 2015). No campo da saúde mental na Atenção Especializada, a exemplo do CAPS, os usos das PICS associam-se ao modelo assistencial antimanicomial de atenção integral à saúdepreconizado na Reforma Psiquiátrica, com ideais em comum de promoção do cuidado, de visão ampliada de saúde-doença, de integração e promoção de agravos de saúde, de fortalecimento vínculo terapêutico e de reabilitação psicossocial.
Relatar a experiência do grupo terapêutico Semeando Saúde, no cultivo de plantas medicinais – no período de maio de 2022 a dezembro de 2023 – com os usuários do CAPS II Estação, Barueri, SP.
As primeiras sementes que originaram o grupo foram lançadas em 2017 quando, na Assembleia Geral, os usuários sugeriram a criação do grupo de horta. Em maio de 2022, uma equipe multidisciplinar iniciou a condução do grupo terapêutico que visa a reabilitação psicossocial, inclusão social e produtiva para os usuários do CAPS e seus familiares. A metodologia foi empregada de forma participativa em todo o processo, a exemplo do nome do grupo, que foi escolhido pelos usuários por meio de votação. A definição da atividade, a forma de execução, a quantidade e a indicação dos usuários são pensadas previamente, considerando o Projeto Terapêutico Singular e as limitações de cada um. Dentre as atividades realizadas estão previstas práticas que envolvem: os cuidados com o solo; semeadura; manejo de mudas; colheita; doação, comercialização e contabilidade; preservação sustentável do espaço público; orientações sobre indicações, formas de uso e possíveis efeitos adversos do consumo das espécies cultivadas. No tocante às plantas medicinais, atualmente são cultivadas as seguintes espécies: Alecrim; Amora; Babosa; Bananeira; Batata doce; Beldroega; Beterraba; Boldo; Calêndula; Camomila; Capim cidreira; Capim limão; Capuchinha; Coentro; Açafrão; Dente de Leão; Erva cidreira; Erva doce; Funcho; Guaco; Hortelã; Lavanda; Laranjeira; Limoeiro; Manjericão; Maracujá; Ora-pro-nóbis; Orégano; Picão Preto; Poejo; Penicilina; Salsa; Taioba; Tansagem.
Dentre os resultados alcançados destaca-se: Fortalecimento de vínculos sociais, familiares e comunitários; Maior integração do usuário com a natureza, o meio ambiente e a sociedade; O desenvolvimento de habilidades produtivas; Geração de renda; Aumento da segurança alimentar. Melhor adesão do paciente ao tratamento de saúde mental; Promoção da alimentação saudável; Reaproveitamento de materiais recicláveis; Troca de conhecimentos ancestrais; Promoção e incentivo do uso adequado de plantas medicinais e fitoterapia; Busca pela redução do uso de medicamentos alopáticos; Maior interação social entre profissionais e usuários do CAPS; O cultivo de mais de 60 espécies entre flores, plantas ornamentais, plantas medicinais, plantas alimentícias comestíveis não convencionais, frutas, verduras, legumes; A apresentação do relato de experiência do Semeando Saúde na 19° Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios no 36° Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de SP. Ressaltamos também os resultados com as parcerias realizadas: Secretaria de Saúde de Barueri, diretoria de Ações Básicas em Saúde (CABS); Secretaria de Meio Ambiente de Barueri (com a oferta de palestras e capacitações); Viveiro Municipal (com a doação de terra adubada); Instituto MDP (ação conjunta no plantio de mudas na horta vertical; doação de EPIs); Rede de Saúde Mental e ECOSOL (participação na feira de economia solidária da ECOSOL na COPA DA Inclusão).
Ante o exposto, pode-se considerar que o resultado da ampliação da iniciativa Semeando Saúde do CAPS Adulto de Barueri é resultante do grande empenho dos profissionais e da gestão que lá atuam, para a disponibilização e estruturação da oferta. Como potencialidades ainda a serem explorados destaca-se a possibilidade de expansão de parcerias do Semeando Saúde, participando, por exemplo, do grupo ODS Barueri pois dentre os valores do grupo Semeando Saúde estão contemplados o cumprimento de 9 dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU para o Brasil. Também há a possibilidade de habilitação do serviço no SCNES como Horto municipal de Plantas Medicinais e conferindo um status de programa público de Plantas Medicinais. Para tanto faz-se necessário a adequação à legislação vigente.
Saúde mental; Atenção Psicossocial; Reabilitação
Suellen de Araújo Costa