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A crescente demanda por avaliação de crianças com hipótese diagnóstica (HD) de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no município de Guararema evidenciou fragilidades no fluxo assistencial. Observou-se que as crianças eram encaminhadas para diversos profissionais simultaneamente e sem alinhamento de condutas, resultando em fragmentação do cuidado, múltiplas listas de espera e sobrecarga familiar. Diante desse cenário, em 2024, foi instituída uma Linha de Cuidado específica para estruturar fluxos, integrar equipes e garantir o acompanhamento longitudinal. O principal dispositivo dessa linha é o Grupo Terapêutico Caminhar, que em 2025 foi ampliado para as três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. O grupo configura-se como uma estratégia de cuidado integral e multiprofissional, priorizando o desenvolvimento das potencialidades da criança e o fortalecimento do vínculo familiar, independentemente do laudo formal, superando o modelo exclusivamente centrado no diagnóstico.
Objetivo Geral Relatar e consolidar o aprimoramento do Grupo Terapêutico Caminhar como dispositivo de cuidado integral às crianças com HD de TEA e suas famílias, bem como sua expansão para todas as UBSs de Guararema. Objetivos Específicos •Promover a intervenção precoce com foco nas necessidades individuais, articulada à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS – Ministério da Saúde). •Fortalecer o modelo de atendimento multiprofissional integrado, superando práticas fragmentadas. •Acolher e orientar as famílias, promovendo a corresponsabilização no cuidado e suporte ao desenvolvimento infantil. •Aprimorar os fluxos assistenciais, garantindo Plano Terapêutico Singular (PTS) e acompanhamento longitudinal na Atenção Primária.
A reorganização do cuidado baseou-se nos resultados do primeiro ciclo de atendimentos de 2024. Identificou-se a necessidade de ampliar o tempo de escuta qualificada junto aos responsáveis. A metodologia atual prevê encontros semanais com duração de 2 horas, totalizando 16 sessões por ciclo, destinados a crianças de 3 a 6 anos. O fluxo inicia-se com o acolhimento pela enfermagem, incluindo avaliação clínica e aplicação do instrumento de rastreio M-CHAT-R/F. A equipe é composta por técnico de enfermagem, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, nutricionista e psiquiatra infantil. Durante as sessões, as crianças participam de brincadeiras estruturadas e estímulos sensoriais com parte da equipe, enquanto os responsáveis participam de rodas de conversa e orientações conduzidas pelos demais profissionais, em sistema de rodízio. O psiquiatra infantil, além da atuação clínica, realiza matriciamento e capacitação da equipe técnica após os encontros. Os registros são realizados em prontuário eletrônico e, seis meses após o término do ciclo, as famílias são reavaliadas para monitoramento do desenvolvimento.
Observou-se adesão e participação regular das famílias. As crianças apresentaram avanços no engajamento coletivo, aumento da iniciativa comunicativa e redução de comportamentos de isolamento. Os familiares relataram diminuição da ansiedade e maior compreensão sobre estratégias de manejo cotidiano. A integração multiprofissional reduziu a fragmentação do cuidado e otimizou a lista de espera. Em 2025, foram atendidas 28 crianças: 20 concluíram o ciclo (5 receberam alta terapêutica por atingirem os objetivos, 10 foram encaminhadas para atendimentos específicos e 5 confirmaram o diagnóstico de TEA) e 8 desistiram. Foi realizada busca ativa nas famílias desistentes e a justificativa foi a de não terem disponibilidade devido ao trabalho, porém, estas crianças foram encaminhadas para avaliação da equipe multiprofissional através de consultas individuais com horários adaptados à flexibilidade dos pais. O processo resultou em maior corresponsabilização familiar e no fortalecimento do vínculo com a rede municipal, consolidando a importância da intervenção precoce independentemente do laudo.
O aprimoramento do Grupo Terapêutico Caminhar consolidou-se como uma estratégia eficaz de intervenção precoce. A organização do fluxo assistencial na Atenção Básica, aliada ao planejamento estruturado e ao suporte às famílias, ampliou a resolutividade da rede municipal. A experiência demonstra que o cuidado integral e a atuação interdisciplinar qualificam o acesso à saúde mental infantil e promovem o desenvolvimento socioemocional de forma equânime.
TEA, Linha de Cuidado, Expansão
LILIAM CRISTINA VIEIRA ALVES CARDOSO, KAUANE DOS SANTOS, EDNA APARECIDA FERRARINI, JÉSSICA CRISTINA DA SILVA FALCO