Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A urgência e o imediatismo do mundo contemporâneo têm gerado um processo progressivo de isolamento e individualismo, culminando na crescente incidência de sofrimento psíquico, causando danos à saúde de forma geral. A atenção básica é fundamental neste contexto, pois pode agir na detecção de demandas e promoção de intervenções, pois possui potência para extrapolar o modelo curativista e cultivar o cuidado integral em saúde. As intervenções grupais são muito utilizadas na atenção básica, e são muito potentes aliadas ao artesanato. “Novas práticas competentes e criativas precisam ser desenvolvidas em busca de promoção de saúde mental, sendo imprescindível a utilização de mecanismos e estratégias para enfrentamento do sofrimento, seja ele emocional ou social” (Scardoelli e Waidman 2011). A observação do território da UBS do bairro Parque Vitória em Franco da Rocha motivou a construção de um projeto de intervenção comunitária a partir de diálogos. O diagnóstico territorial da área evidenciou uma demanda significativa de mulheres em sofrimento psíquico advindo de fatores como climatério, impactos do envelhecimento, comorbidades e sobrecarga emocional associada ao cuidado com outrem. As atividades foram iniciadas em 05 de agosto de 2025 e continuam em andamento. Mulheres de todas as idades são beneficiadas.
Fortalecimento de vínculos comunitários; fortalecimento do vínculo entre ESF e comunidade; estimulação cognitiva; desenvolvimento de habilidades sociais; incentivo da comunicação não violenta; promoção de autonomia e protagonismo; diálogo sobre temas relevantes para a comunidade; promoção de espaço favorável à partilha e troca de experiências, emoções e percepções; restabelecimento da saúde mental; promoção de repertório socioemocional para a vida diária dos usuários; ampliação de percepções; construção de redes de suporte social.
Para início do projeto, em dezembro de 2025 foi realizada uma reunião com a presença da psicóloga da Equipe E-Multi e estudante de terapia ocupacional; assistente social da Equipe E-Multi com ampla experiência em oficinas de crochê, e o gerente da unidade. Durante a reunião, foi apresentado um breve projeto no qual estavam descritos os objetivos do grupo, a frequência dos encontros e as formas de divulgação. Ao final, foi decidido que os encontros seriam quinzenais, com duração de uma hora, na própria UBS. A mobilização comunitária ocorreu a partir de convites via whatsapp (com intermediação dos agentes comunitários de saúde) e ampla divulgação pela equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF): consultas médicas; acolhimentos em enfermagem e saúde mental; visitas domiciliares e outras abordagens no território. Os materiais utilizados (linhas de lã e agulhas) foram resultantes de arrecadação comunitária e doações da equipe envolvida. O início foi em agosto de 2025 e os participantes são idosos e seus cuidadores/familiares moradores do território, reunidos em encontros com uma sequência fixa de: Recepção; alongamento; introdução de uma proposta de confecção em crochê introdução de um tema a ser explanado durante a confecção e fechamento. Os temas abarcam saúde, bem-estar social, psicoeducação; comunicação e qualidade de vida.
Apesar da experiência ainda estar em andamento, a equipe da unidade vem buscando ampliar a busca ativa e disseminar convites à comunidade nas consultas, acolhimentos e visitas domiciliares, além do compartilhamento de convites virtuais nos grupos de whatsapp. Até o momento, pôde-se inferir que o crochê é um recurso muito potente para ambientar diálogos e introduzir temas de psicoeducação de maneira lúdica e tênue, uma vez que as participantes relataram sentir-se bem desenvolvendo diálogos sobre temas diversos enquanto aprendem ou executam os trabalhos com crochê. Os temas introduzidos nos grupos mostram-se pertinentes e passíveis de ser replicados em contextos externos, como o lar. Isso aparece como um resultado positivo, pois mostra que o propósito do grupo é estendido para além da unidade, atingindo direta ou diretamente o cotidiano dos usuários, impactando em seus relacionamentos familiares, sociais e profissionais.
O uso do crochê como instrumento de captação, socialização e protagonismo vem se mostrando um potente recurso para o fortalecimento de vínculos comunitários, e isso reitera a necessidade de manter o grupo aberto e ampliar progressivamente o convite à comunidade. A manutenção de um grupo terapêutico com artesanato na Unidade Básica de Saúde também responde à demanda de construção de atividades mais próximas do território, facilitando acesso e evitando longos deslocamentos para o centro, o que torna o grupo acessível e inclusivo. É possível inferir que esta modalidade de intervenção terapêutica condiz com muitos princípios da RAPS, fomentando a atenção primária e contribuindo para implementar a atenção integrada em saúde, utilizando a terapia grupal como instrumento de potencialização social, comunitária e familiar.
Saúde mental; Práticas grupais; artesanato.
CAMILLA POLIDO, MARIA CILENE NEGREIRO AQUINO