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A dependência de álcool e outras drogas representa um desafio crescente para o Sistema Único de Saúde (SUS), impactando diretamente a saúde mental, os vínculos familiares e a inserção social dos indivíduos. No contexto do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Biritiba Mirim, identificou-se a necessidade de um cuidado mais estruturado e acolhedor voltado a esse público, considerando as múltiplas vulnerabilidades associadas, como isolamento social, comorbidades psiquiátricas, conflitos familiares e questões judiciais. A experiência foi implantada em agosto de 2025, com captação ativa de usuários por meio do acolhimento no CAPS, encaminhamentos da equipe multiprofissional e articulação com Estratégia de Saúde da Família (ESF), além de divulgação em redes sociais institucionais. Inicialmente, o grupo enfrentou resistência devido ao estigma associado ao uso de substâncias, iniciando comtrês participantes. A proposta ampliou-se para além da abstinência, incorporando promoção de saúde, redução de danos e fortalecimento da autonomia. Atualmente, o grupo conta com 14 inscritos, com frequência média de 6 a 7 participantes por encontro, incluindo jovens, adultos e idosos em diferentes contextos de vulnerabilidade inclusive de mobilidade. A iniciativa fortalece os princípios do SUS universalidade, equidade, integralidade e participação social ao ofertar cuidado humanizado, contínuo e centrado nas necessidades dos usuários.
Promover o cuidado integral de pessoas com uso abusivo de álcool e outras drogas, por meio de um grupo terapêutico no CAPS, visando a redução de danos, prevenção de recaídas e fortalecimento da autonomia.Estimular a adesão ao tratamento e a construção de vínculo com o serviço e, fortalecimento de vínculo familiar; Favorecer a reinserção social e o resgate de projetos de vida; Oferecer suporte emocional frente a demandas como ansiedade, depressão e solidão, baixa autoestima; Incluir práticas terapêuticas integrativas e atividades ocupacionais; Fortalecer a corresponsabilização do usuário no processo de cuidado.
Trata-se de um grupo terapêutico semanal, composto por dependentes de álcool e outras drogas, de múltiplas idades, desenvolvido no CAPS, com condução da psicóloga e participação ativa da equipe multiprofissional. A captação dos participantes ocorre por meio do acolhimento, encaminhamentos internos, UBS e divulgação em redes sociais. Os encontros são estruturados de forma participativa, com rodas de conversa, exibição de vídeos psicoeducativos, partilhas de sentimentos, depoimentos, discussões sobre prevenção de recaídas e impactos do uso de substâncias. Progressivamente, os usuários passaram a contribuir no planejamento e execução das atividades, fortalecendo o protagonismo. Foram incorporadas práticas integrativas como musicoterapia,aromaterapia, arteterapia, atividades corporais, técnicas de respiração,relaxamento, dinâmicas, além da otimização de uma horta terapêutica como estratégia de reabilitação psicossocial e ocupacional. Os usuários também têm acesso a atendimentos complementares com psiquiatria, nutrição, enfermagem, psicologia, assistência social e terapias integrativas. O CAPS também oferece grupo paralelo de apoio aos familiares, fortalecendo a rede de cuidado.
Observou-se aumento progressivo da adesão ao grupo, superando a resistência inicial e fortalecendo o vínculo entre usuários e equipe. O espaço tornou-se referência de acolhimento, escuta qualificada e suporte emocional. Relatos dos participantes evidenciam impacto direto na redução do uso de substâncias e melhoria da qualidade de vida. Usuários referem períodos de abstinência associados à participação no grupo, como um participante que se mantém há um ano sem uso após internação e atribui ao grupo a manutenção do tratamento; outro, em situação de luto e isolamento, relata um mês sem consumo de álcool; e um terceiro, que iniciou o acompanhamento em uso, encontra-se abstinente. Além disso, houve melhora na socialização, redução do isolamento, fortalecimento da autoestima e maior engajamento nas atividades propostas, incluindo a horta terapêutica. O grupo também favoreceu a construção de vínculo, corresponsabilização e sentido de pertencimento e inspira outros pacientes a participarem.
A experiência demonstra que estratégias grupais, interdisciplinares e centradas no sujeito são eficazes no cuidado em saúde mental e no enfrentamento da dependência química. O fortalecimento do vínculo, o protagonismo dos usuários e a diversidade de práticas terapêuticas mostraram-se fundamentais para adesão e continuidade do tratamento. Mesmo sendo uma iniciativa de pequeno porte, apresenta grande impacto na vida dos participantes, contribuindo para a construção de rede de apoio, redução de danos, automonitoramento, prevenção de recaídas, reconhecimento dos sinais de alerta, como, auto-sabotagens, mentiras, psicoeducação e reinserção social. A articulação com a rede e o envolvimento da equipe multiprofissional ampliam a potência do cuidado. Como perspectiva futura, destaca-se a ampliação de possíveis ações voltadas à geração de renda e maior integração com o território. Trata-se de uma prática exitosa, replicável e alinhada aos princípios do SUS, porém exige estratégia e comprometimento de todos.
Terapêutica Integrada, Saúde e bem estar, drogas
MARIA ESTELA FARIAS, GUSTAVO ARAMAKI DANTAS, VIRGINIA GARCIA LEME, SILMARA APARECIDA NASCIMENTO