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A experiência dos idosos teve início em janeiro de 2025, com duração de 8 meses, englobando a organização, capacitação da equipe, sendo que a realização do grupo semanal com os pacientes idosos durou 6 meses. A dor crônica musculoesquelética é uma das principais causas de sofrimento, limitação funcional e procura por serviços de saúde, representando grande impacto para a APS. Nas UBS, observa-se frequentemente fila de espera para fisioterapia, o que contribui para piora do quadro clínico, maior uso de medicamentos e prejuízo da qualidade de vida dos usuários. Nesse contexto, as PICS representam uma estratégia segura, de baixo custo e efetiva no cuidado integral. A presente experiência foi desenvolvida em uma UBS com equipe multi, articulando diferentes saberes e práticas: homeopatia, fitoterapia, lian gong, automassagem, aromaterapia, mindfulness, auriculoterapia, rodas de conversa e orientações sobre uso racional de medicamentos e alimentação saudável. Além disso, a parceria com a fisioterapia do CER do território garantiu a entrega de material educativo com exercícios domiciliares, capacitando a equipe para apoiar os pacientes. A justificativa para a implementação do grupo foi reduzir a fila de espera de fisioterapia, sendo essa categoria inexistente nessa UBS, e oferecer alternativas integrativas que pudessem aliviar a dor, promover autonomia, melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida dos usuários, fortalecendo o cuidado integral e humanizado na APS.
Implementar um grupo multiprofissional com uso de PICS para o cuidado de pacientes idosos com dor crônica musculoesquelética em fila de espera da fisioterapia.
Trata-se de um relato de experiência multiprofissional realizado em uma UBS com pacientes com dor crônica musculoesquelética convocados da fila de espera de fisioterapia. O grupo foi estruturado em 1 sessão semanal de 2 horas. Na primeira consulta, a médica homeopata realizou avaliação clínica, aplicou a Escala Analógica Visual (EVA) de dor e prescreveu fitoterápico quando indicado. Em seguida, os encontros ocorreram com cronograma pré-definido: agente comunitário com prática de lian gong; agente de promoção ambiental com uso de ervas medicinais (chá de erva baleeira e outras); auxiliar de enfermagem com automassagem; enfermeiro com mindfulness; psicólogo com rodas de conversa sobre aspectos psicoemocionais da dor; nutricionista com orientações sobre alimentação saudável e auriculoterapia; farmacêutico abordando o uso racional de polifármacos. Houve apoio do fisioterapeuta da reabilitação, que capacitou a equipe e elaborou folders com exercícios prescritos para realização domiciliar. Na última sessão, a médica reavaliou os pacientes e reaplicou a EVA.
O protagonismo dos pacientes idosos em práticas simples no cotidiano foi um dos pontos centrais da experiência. Foram acompanhados 20 pacientes com dor crônica musculoesquelética. Observou-se adesão satisfatória às sessões, com relatos de engajamento e valorização das práticas integrativas. Dos 20 pacientes, 18 (90%) apresentaram melhora da dor em pelo menos 40% na Escala Analógica Visual, além de relato de maior disposição, relaxamento, bem-estar e melhora nas atividades de vida diária. Os pacientes destacaram benefícios emocionais e sociais, como melhora do humor, diminuição da ansiedade e maior integração com o grupo. O uso de polifármacos foi discutido e alguns pacientes relataram redução espontânea do consumo de analgésicos. A experiência contribuiu também para redução da fila de espera de fisioterapia, visto que parte dos pacientes alcançou melhora funcional, sem necessidade de encaminhamento. A equipe avaliou como positivo o trabalho colaborativo, ampliando o olhar sobre o cuidado em dor crônica e fortalecendo a inserção das PICS na rotina da APS.
A experiência demonstrou que a integração das PICS em um grupo multiprofissional é viável e efetiva no manejo da dor crônica musculoesquelética na APS. A articulação entre diferentes categorias profissionais possibilitou abordagem integral, combinando cuidado clínico, práticas corporais, orientações de autocuidado e suporte psicossocial. Os resultados evidenciaram melhora significativa na dor, qualidade de vida e autonomia dos pacientes, além de impacto positivo na gestão da demanda por fisioterapia. O protagonismo dos usuários em práticas simples no cotidiano foi um dos pontos centrais da experiência. O trabalho reforça o potencial das PICS como ferramenta estratégica para o SUS, tanto no enfrentamento de condições crônicas quanto na humanização do cuidado. A continuidade e ampliação dessa experiência são recomendadas, visando consolidar uma rede de atenção mais resolutiva, integral e centrada no usuário.
Dor Crônica; APS, Idoso, PICS
IZA SHEROLIZE AMARAL SILVA