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O Grupo “Vozes Femininas” tem como objetivo compartilhar a experiência de mulheres que participam da psicoterapia grupal realizada no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II Adulto São Miguel Paulista. O presente relato busca ilustrar as vivências no grupo de mulheres do serviço CAPS II Adulto São Miguel Paulista. Percebe-se que o potencial terapêutico do grupo de mulheres consiste em proporcionar um lugar de contar e recontar suas histórias. O grupo passou por alguns desafios, como a resistência de algumas participantes e a constante instabilidade de seus sintomas depressivos, emocionais, impossibilitando a manutenção de sua unidade, enquanto grupo. Neste espaço, elas puderam compartilhar identificações e integrar-se nas diferenças. Permite-se falar do seu contexto familiar, suas perdas, dores, estigmas e das relações interpessoais. O processo psicoterapêutico favorece processos de elaboração e ressignificação, tornando possível vislumbrar e, inclusive, construir um recomeço.
O grupo tem como objetivo ser um espaço de fortalecimento de singularidades, bem como de abertura para novas possibilidades de vida; desta forma, reafirmando o potencial dos grupos terapêuticos para sustentação da clínica, nos dispositivos públicos de saúde.
Através desse trabalho, apresenta-se a experiência e execução de um grupo psicoterapêutico, direcionado para mulheres, no CAPS Adulto. O trabalho psicoterapêutico busca a construção de identificações e identidades. Tal processo acontece na relação com o outro, na possibilidade de compartilhamento de vivências, de fortalecimento mútuo e de cuidado uns com os outros, na construção de uma dinâmica de parceria, oferecendo e recebendo acolhimento e elaborando em conjunto suas principais questões. A identificação é um eficaz mecanismo terapêutico, pois é a relação afetiva mais prematura de uma pessoa com outra. Por meio da identificação, o eu se apropria parcialmente de outro eu.
A escuta possibilitou perceber que os relatos das histórias de vida das pacientes se assemelhavam pela experiência de desesperança e fracassos na capacidade de ressignificação, evidenciada pelo sofrimento psíquico nunca superado. Assim, a direção do trabalho grupal foi o de construir identificações, confiando que a união entre elas poderia ser capaz de fortalecê-las, o que também se tornou um ideal. Foi possível observar o fortalecimento do grupo e a ressignificação das mulheres que deram um novo sentido às questões referentes ao contexto familiar, perdas, dores, estigmas e das relações interpessoais.
O trabalho alcançou seus objetivos ao ampliar a observação acerca dos relatos das participantes do grupo e, além disso, fortalece o espaço através de sua divulgação e registro.
Vozes, FEMININAS
VIRGÍNIA CARVALHO SANTOS