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A dor crônica é um problema de saúde pública que impacta a qualidade de vida dos indivíduos, bem como a funcionalidade, e está frequentemente ligado a fatores físicos, emocionais e sociais. Na atenção básica, o manejo dessa condição ainda é um desafio, muitas vezes limitado ao tratamento medicamentoso, sem considerar a complexidade do problema. Além disso, a dor crônica pode levar a incapacidades prolongadas, aumento do uso dos serviços de saúde e prejuízo nas relações sociais e laborais, que reforçam a necessidade de intervenções mais abrangentes. Diante disso, foi realizada a implementação de grupos terapêuticos com abordagem biopsicossocial, visando oferecer cuidado integral aos usuários com dor crônica. A proposta envolve ações educativas, estratégias de autocuidado e prática de exercícios físicos. A justificativa para a iniciativa baseia-se na necessidade de ampliar as estratégias de cuidado, promovendo o protagonismo do paciente e reduzindo o impacto da dor no cotidiano. Além disso, a abordagem grupal favorece a troca de experiências, o apoio social e adesão ao tratamento, contribuindo para melhor qualidade de vida e otimização dos serviços de saúde. Estudos indicam que a adoção de abordagens interdisciplinares, como a proposta nos grupos terapêuticos, pode reduzir a cronificação da dor, minimizar o uso excessivo de analgésicos e melhorar a funcionalidade dos pacientes, reforçando a relevância desse modelo de atenção.
Implementar e fortalecer grupos terapêuticos na Unidade Básica de Saúde (UBS) para o manejo da dor crônica, utilizando uma abordagem biopsicossocial que integre aspectos físicos, emocionais e sociais no tratamento. A iniciativa busca proporcionar um espaço de acolhimento e troca de experiências, promovendo a educação em saúde, estratégias de autocuidado e práticas terapêuticas como exercícios físicos, relaxamento e suporte psicológico. Além disso, pretende-se estimular o protagonismo dos pacientes na gestão da própria saúde, reduzindo a dependência de medicamentos e o impacto da dor na qualidade de vida. A proposta visa também melhorar a adesão ao tratamento, fortalecer a rede de apoio social e otimizar o uso dos serviços de saúde, contribuindo para um modelo de cuidado integral e resolutivo na Atenção Básica.
Os grupos terapêuticos para dor crônica são realizados semanalmente em um parque do território da Unidade Básica de Saúde (UBS), proporcionando um ambiente ao ar livre que favorece o bem-estar e a interação social. A metodologia adotada baseia-se na abordagem biopsicossocial, combinando atividades educativas, prática de exercícios físicos para promover o alívio da dor e a melhoria da qualidade de vida dos participantes. Os encontros são conduzidos pela profissional Fisioterapeuta e seguem um formato estruturado, incluindo momentos de acolhimento, discussão de temas relacionados à dor crônica e estratégias de autocuidado. São realizadas orientações sobre manejo da dor, exercícios físicos adaptados e técnicas de relaxamento. A participação dos usuários é incentivada de forma ativa, promovendo o protagonismo no tratamento. Além disso, são aplicadas avaliações periódicas para monitoramento da evolução dos participantes e adequação das estratégias adotadas. As avaliações são realizadas com base no feedback dos pacientes e sua autopercepção de saúde e com uso de questionário de avaliação de qualidade de vida- WHOQOL.
Desde a implementação o grupo tem apresentado boa adesão mantendo uma média de 45 pacientes em acompanhamento. Observou-se durante esse período fluxo contínuo de entrada e saída de pacientes, o que evidencia tanto o interesse na iniciativa quanto a rotatividade natural devido fatores individuais, como a melhora dos sintomas dos pacientes resultando em alta terapêutica, por exemplo. Além da adesão, relatos dos pacientes indicam melhorias na qualidade de vida, maior compreensão sobre o manejo da dor e fortalecimento dos vínculos sociais. A realização das atividades ao ar livre tem sido um diferencial positivo, favorecendo o bem-estar e a participação ativa dos usuários no seu processo de cuidado.
A experiência dos grupos terapêuticos com abordagem biopsicossocial demonstrou resultados positivos, tanto na adesão quanto na promoção do cuidado integral à saúde dos usuários. O crescimento do grupo ao longo do tempo e a permanência de um grupo estável reforçam a relevância dessa abordagem no manejo da dor. Além disso , a realização dos encontros em um parque do território da UBS tem se mostrado uma estratégia eficaz, favorecendo o bem-estar e a participação ativa dos usuários. Os relatos dos pacientes indicam benefícios não apenas na redução do quadro de dor crônica, mas também na melhora da qualidade da vida, na construção de redes de apoio e adoção de estratégias de autocuidado. A abordagem biopsicossocial se destaca como uma alternativa complementar ao tratamento medicamentoso, promovendo um olhar ampliado à saúde dos pacientes.
DOR, CRÔNICA, BIOPSICOSSOCIAL
LETÍCIA VINHÁTICO DE SOUZA