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A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é uma das diretrizes da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN). Através dela, o profissional da saúde pode disseminar informações que colaboram com a tomada de decisão e escolhas alimentares por parte do indivíduo, atuando diretamente na prevenção e controle de doenças e agravos não transmissíveis (DANT). O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento de Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil 2021 – 2030, inclui ações de educação nutricional e cita o uso do Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2010, 2016, 2021). Durante o ano de 2024, foram realizadas ações de educação nutricional em grupos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), no município de Várzea Paulista, promovendo saúde em local acessível para a população, com consequente maior adesão dos usuários e melhor criação de vínculo. Foram realizados grupos com diferentes públicos-alvo. Para a presente apresentação, foram selecionados os grupos de diabéticos e hipertensos de duas UBSs específicas, devido a maior frequência e adesão. A justificativa para essas ações se encontra no fato de que atividades coletivas colaboram com um melhor aproveitamento dos recursos humanos da rede, com um espaço mais propício à trocas e reflexões entre os profissionais e os pacientes. O foco é a construção partilhada de saberes, desenvolvendo autonomia nas escolhas alimentares, e elaborando em conjunto estratégias para mudanças de comportamento.
De forma geral, objetivou-se auxiliar no tratamento de pacientes diabéticos e hipertensos através de orientações nutricionais, realizadas em grupos na atenção básica, conscientizando a população e promovendo mudanças duradouras de hábitos. Informar os pacientes sobre alimentação e nutrição, utilizando como base informações baseadas em evidências, como o Guia Alimentar da População Brasileira e diretrizes para manejo de doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS). De forma mais específica, objetivou-se também reduzir o tempo de espera dos usuários em filas de atendimento nutricional individual, visto que os grupos podem reduzir a quantidade de pessoas que necessitam de encaminhamento para consulta, ou então iniciar o processo de reeducação alimentar enquanto as mesmas aguardam na fila de espera, adiantando assim o cuidado.
A nutricionista, alocada na atenção especializada do município de Várzea Paulista, disponibilizou um dia por semana para a participação em grupos nas UBSs. As equipes das Unidades foram responsáveis pelo agendamento dos grupos e também pelo convite do público-alvo. Para a presente apresentação, foram selecionados como amostra os grupos de diabéticos e hipertensos de duas UBSs específicas, devido a maior frequência e adesão. Entre janeiro e dezembro de 2024, a nutricionista participou de um total de oito grupos de diabéticos e hipertensos na UBS Jardim Buriti, e três na UBS Vila Real. Os participantes foram selecionados pelas equipes das unidades de acordo com sua percepção de necessidade. Na UBS Vila Real um total de 43 pessoas diferentes participaram dos três grupos realizados. Já na UBS Jardim Buriti, um total de 30 pessoas diferentes participaram dos oito grupos realizados. Em ambas as UBSs, a maioria dos participantes foram mulheres, sendo 67,44% na UBS Vila Real, e 86,67% na UBS Jardim Buriti. A nutricionista foi convidada para a apresentação dos temas relacionados à alimentação, e condução das rodas de conversa. Os grupos contaram com atividades interdisciplinares, como aulas de dança, caminhadas, palestras com médicos e técnicos de enfermagem, aferição de nível glicêmico e pressão arterial. A atuação da nutricionista nos grupos contou com palestras, rodas de conversa e dinâmicas lúdicas.
Em janeiro de 2025 foram agendados grupos com a mesma temática, e treze pessoas que participaram dos grupos de 2024 foram convidadas a responder um questionário. Segue uma síntese das respostas: Seis pessoas referem ter participado de dois ou mais grupos, e o restante apenas de um. Eles contam que foram convidados para os grupos de 2024 durante a consulta médica, ou pelos agentes de saúde, através de comunicação visual nas salas de espera, ou via celular. Todos os pacientes referiram ter alguma doença crônica, dentre diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia. Quando solicitado que citassem assuntos abordados nos grupos, utilizaram termos como comida, carboidratos, gorduras, tipos de frutas, divisão do prato, quantidades e salada. Um paciente referiu não se lembrar do que foi dito. Com exceção deste, todos assinalaram que as informações aprendidas auxiliam a melhorar a qualidade da sua alimentação. Todos assinalaram que gostariam de ser convidados para os próximos grupos. Foi solicitado também que os pacientes descrevessem de que forma os grupos auxiliaram na melhora de sua alimentação. As respostas dos pacientes incluíram ajustes quantitativos com relação ao consumo de carboidratos e açúcares, equilíbrio nas escolhas, inclusão de alimentos integrais e frutas. Por último foi solicitado que os pacientes sugerissem ideias de melhoria e sugestões de assuntos. A maioria escreveu “manter”. Uma pessoa sugeriu alimentos com preço acessível, e outra sugeriu ansiedade.
A quantidade de participantes nos grupos foi considerada como um ponto positivo na experiência, principalmente se comparada a outras UBSs do município. Outro ponto positivo foi a participação e adesão das equipes da atenção básica, que elaboraram atividades além da educação nutricional, para aumentar o interesse dos participantes. Os objetivos foram alcançados, e os resultados positivos desses grupos servirão de exemplo para as demais UBSs. Dentre as dificuldades podemos citar a ausência de espaços físicos disponíveis para a realização de grupos nas UBSs. Os grupos foram realizados nas salas de procedimentos, nas recepções e na área externa. No caso dos grupos realizados na recepção, uma dificuldade encontrada é a constante interrupção devido ao fluxo de atendimentos. Outra dificuldade foi a heterogeneidade com relação a quadros clínicos, já que mesmo delimitando o público-alvo, houve a participação de pessoas sem doenças crônicas, ou com demandas diferentes, como gestantes e crianças. Também é necessário que os participantes possuam habilidade de escuta ativa, para que todos no grupo tenham a oportunidade de partilhar suas dúvidas e seus saberes, e para que o profissional consiga conduzir as atividades e reflexões propostas.
Educação Alimentar e Nutricional
JANE FREITAS, ESAU ARAUJO DE LIMA