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O Grupo Técnico Binômio Vulnerável nasce em setembro de 2022 de um desejo latente da equipe de Serviço Social de estabelecer uma rede articulada com o objetivo de melhorar as ações referentes a grupos de mulheres que tinham suas maternidades inviabilizadas por ações imediatistas do hospital. O grupo atualmente é composto por representantes dos seguintes equipamentos: Hospital e Maternidade Amador Aguiar (HMAA), Centro de Atendimento Multiprofissional da Defensoria Pública, Consultório na Rua de Osasco, Centro de Atendimento Psicossocial, Diretoria Geral de Atenção Primária em Saúde do Município, Centro de Referência Especial de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro Pop, Serviços de Acolhimento Infantil, Serviços de Acolhimento Adulto e Centro de Referência da Mulher Vítima de Violência e Casa da Mulher Dinalva. O público alvo do GT trata-se de mulheres gestantes e/ou pessoas que gestam: com histórico de acolhimento institucional de filhos; em situação de rua; com relato de rejeição a gravidez; com quadros graves de saúde mental; com uso abusivo de substâncias psicoativas. Trata-se de uma ação que visa articular a demanda do nascimento de uma criança em risco durante a gestação, podendo-se assim, pensar em um trabalho de rede que viabilize a maternagem segura. Trabalhar o SUS com equidade é pensar que o SUS vai além dos muros da saúde, é pensar que podemos ser fomentadores do trabalho em rede e a construção de cuidado social.
GERAL: Articular a rede socioassistencial para dialogar sobre maternidades violadas, construindo conhecimento amplo e multiprofissional sobre a temática; ESPECIFICOS: •Aproximar os profissionais do cuidado terciário com os profissionais do cuidado primário e territorializado, trazendo compreensão sobre os limites e potencialidades; •Compartilhar o cuidado das mulheres gestantes vulneráveis, pensando na proteção do binômio, e não apenas da criança ao nascer; •Discutir sobre Entrega Protegida, nos casos em que não há desejo de maternar, desmistificando o tema. •Refletir sobre a desproteção do Estado e o acolhimento de bebês de mulheres vulneráveis;
O grupo de trabalho se estrutura através de reuniões mensais com duração de 02 horas. O grupo construiu uma planilha compartilhada, com o objetivo de inserir casos que estejam dentro dos critérios estabelecidos pelo grupo. Após a inserção do caso, cada membro da rede verifica as ações que podem ser tomadas dentro de sua especificidade para com o caso. E é então agendada uma reunião para discussão e planejamento de ações para cada caso, sempre com o objetivo de fortalecer a ação protetiva do estado, fomentando discussão sobre ações isoladas ou conjuntas que fortaleçam esta família. Durante estes dois anos de experiência o grupo já recebeu outros municípios como Jundiaí e São Paulo para apresentar suas ações para este público, a fim de fortalecer o trabalho e compreender a relevância dele no cuidado das mulheres. Houve também neste período estudos de artigos voltadas as maternidades marginalizadas e a retirada compulsória de bebês nas maternidades, buscando assim, compreender a importância do trabalho em rede. Para que os acolhimentos sejam feitos apenas quando realmente necessários e não como atitudes emergenciais, por falta de articulação anterior ao nascimento. O grupo além de planejar as ações durante a gestação, avalia as ações no pós-parto e o resultado obtido pelas intervenções feitas, sempre propondo uma reflexão sobre as limitações e potencialidades como rede.
Esta experiência tem mostrado o quanto o debate intersetorial permite uma ampliação nos horizontes de atuação e o quanto a relação entre diferentes níveis de atenção permite a compreensão da complexidade de cada caso. O trabalho deste grupo já permitiu evitar acolhimentos dados como certo pelo judiciário, após um trabalho árduo de rede socioassistencial, fundamentando as ações do estado e suporte dado para que uma mulher pudesse maternar independente da pobreza a qual foi exposta. Durante o processo houveram equipamentos que se sentiram cobrados e fiscalizados, nestes momentos foram feitos trabalhos de aproximação e esclarecimento, reforçando a importância de cada nível de atenção e o reforço que precisamos compreender as fragilidades nos processos. No fim este trabalho tem fortalecido a ação da atenção em saúde terciária, quando a decisão final, cobrada pelo judiciário, que está neste nível de complexidade, é fortalecida e fundamentada pelo território, pela parceria estabelecida e a construção de cuidado antecipado.
Construir redes, abrir portas que antes tinham aspecto de baú secreto, ver a justiça acontecendo com direito a defesa de qualidade e em tempo hábil é o sentimento de quem vivência esta experiência. Há dois anos casos com desfecho previsível pela equipe do Serviço Social, tem tomado rumos diferentes. As ações da Defensoria Pública no grupo, tem demonstrado que a saúde tem sido prioridade no sistema judiciário, além do processo de adoecimento físico. A parceria deste grupo tem permitido ver a saúde ser exercida em sua completude. Esta experiência tem mudado a visão do município sobre a atuação no Hospital e Maternidade Amador Aguiar. Foi uma experiência premiada na Defensoria Pública, como ação inovadora e nos traz muito orgulho em sua construção e permanência. O SUS é resistência e potência e a rede terciária pode sim gerenciar redes, por conhecer o final das histórias, demonstrando assim, a importância da prevenção e do cuidado para que o final seja respaldado por todos envolvidos com aquela vida.
Rede Intersetorial, Cuidado Integral
PAMELA MAIARA JÁCOME DE OLIVEIRA, BRUNA CRISTINA FAUSTINO DE SOUZA, CAMILA FRAIZ DELLA BETA, LARISSA SOUZA DE ARAUJO, MÁRCIA REGINA DE OLIVEIRA, MARIA CLARA DOS SANTOS OLIVEIRA, ANTONIA CAMILA MARTINS DE CASTR, FERNANDA AGUIAR SILVA