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Até dezembro de 2024, aproximadamente 70 pacientes renais crônicos do município de Cajamar realizavam hemodiálise em outros municípios, necessitando sair de suas residências entre 3h e 4h da manhã para sessões realizadas fora da cidade, retornando por volta das 12h. O deslocamento era custeado pela gestão municipal por meio de transporte contínuo, gerando impacto logístico, financeiro e humano. A dependência regional implicava elevado desgaste físico aos pacientes, além de custos permanentes com transporte intermunicipal. Diante desse cenário, foi implantado em janeiro de 2025 serviço municipal de hemodiálise no âmbito do SUS, com objetivo de reorganizar a rede de atenção, ampliar o acesso local, promover sustentabilidade financeira e garantir maior dignidade aos pacientes.
Reorganizar a rede municipal e fortalecer a rede regional de atenção à saúde por meio da implantação de serviço próprio de hemodiálise Ampliar o acesso local à terapia renal substitutiva para pacientes crônicos Reduzir deslocamentos intermunicipais e custos logísticos Estruturar modelo financeiramente sustentável com cofinanciamento federal e estadual Promover maior qualidade de vida e dignidade aos usuários do SUS.
O serviço foi implantado em janeiro de 2025, atende até 70 pacientes mês, divididos em três turnos diários, de segunda a sexta-feira, das 5h30 às 21h. Cada paciente realiza em média três sessões semanais, totalizando 927 sessões mensais para o ano de 2026. O custo mensal total, direto e indireto é de R$ 490.000, incluindo equipamentos novos, adequação predial, insumos, equipe multiprofissional, exames laboratoriais e processo de acreditação internacional. Consideramos durante a analise prévia que um serviço habilitado recebendo custeio federal e repasse complementar da Tabela SUS Paulista percebe repasses de aproximadamente R$ 290.000. Antes da implantação, o município custeava através do tesouro municipal R$ 69.000 mensais (03 vans de 14 lugares mais motoristas, fora combustível e custos operacionais indiretos), logo, foi identificada a necessidade de incremento de apenas R$ 215 por sessão, ficando demonstrada a viabilidade e vantajosidade, podendo o incremento municipal ser reduzido a considerar estrutura pré-existente, tipo de equipamentos (se novos ou não), modelo de gestão, se próprio ou através de contratação de prestadores de serviços, etc.
A implantação eliminou a necessidade de deslocamento intermunicipal de aproximadamente 70 pacientes, garantindo realização local de cerca de 927 sessões mensais. Houve reorganização da rede assistencial, com substituição de despesa logística por investimento assistencial estruturante. O modelo passou a contar com cofinanciamento federal e complementação estadual, promovendo sustentabilidade progressiva do serviço. Além do impacto financeiro, observou-se melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, com redução do tempo de deslocamento, maior conforto durante o tratamento e ampliação da autonomia municipal na oferta de média e alta complexidade.
A experiência demonstra que é possível estruturar serviço municipal de hemodiálise em município com menos de 100 mil habitantes mediante planejamento técnico e sustentabilidade financeira. A reorganização da rede permitiu transformar despesa de transporte em investimento assistencial, ampliando acesso, promovendo dignidade aos pacientes renais crônicos e fortalecendo a autonomia municipal no SUS. O modelo apresenta potencial de replicabilidade em municípios de porte semelhante que enfrentam dependência regional para terapias de alta complexidade.
Hemodiálise, SUS, sustentabilidade, acesso
DANIEL GONÇALVES DE FREITAS PAULINO