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A pandemia de Covid19 vem produzindo inúmeras repercussões em diversos setores da sociedade que transcendem a medicina, pois causou impactos na ordem social, econômica, política, nunca vislumbrados na história recente da humanidade. Nesse contexto e mediante a estas circunstâncias, a adoção de estratégias de prevenção não farmacológicas, a busca por tratamentos e o desenvolvimento de vacinas em um curto espaço de tempo foram adimplidas na expectativa de acabar com a pandemia. Dentre todas as medidas adotadas, a campanha de vacinação foi a ação mais contundente na busca da eficácia de diminuição da morbidade e mortalidade pela doença. Pesquisas realizadas até o presente momento, indicam que as pessoas com o esquema vacinal completo, em sua maioria, apresentam formas menos graves da Covid19, com menor evolução para a síndrome gripal aguda grave (SRAG). Entretanto, a adoção de tais medidas, aliado ao caráter dinâmico envolvendo a campanha de vacinação ainda acarreta um conflito entre o individual e o coletivo, já que o ímpeto de temeridade em relação a adesão às essas medidas, excede os aspectos particulares e racionais, exacerbados por valores individuais e coletivos como crenças, influencias políticas, sociais e econômicas. Assim, tanto a pandemia quanto a campanha de vacinação foram responsáveis por instaurar um paradoxo de incertezas que dentre outros fatores, levou a hesitação vacinal da população.
O objetivo desse trabalho foi o de averiguar os motivos da hesitação vacinal em não completaram o ciclo vacinal de imunização contra o Covid19 para a faixa etária dos 30 aos 39 anos da população barbarense, e a partir disso, propor novas estratégias para mitigar tal situação.
Primeiramente foi elaborado um banco de dados dos pacienteis faltosos através das informações contidas no Sistema on-line de registro nominal na aplicação das doses da vacina contra a Covid-19 do Estado de São Paulo (Vacivida). Após esse procedimento, os endereços os pacientes inadimplentes foram dos georreferenciados ao respectivo território de saúde de referência. A partir desse processo pode-se verificar quais foram as unidades territoriais de saúde barbarenses que mais apresentaram pacientes com o ciclo vacinal incompleto. Foi estipulado que 10% desses faltosos, correspondem à uma amostragem populacional segura para estabelecer quais eram os principais motivos de tal hesitação vacinal. Dessa forma, uma amostra aleatória ponderada, por território de saúde, foi efetuada com o intuito de selecionar quais pacientes seriam escolhidos para a participar da entrevista. Essa estratégia foi adotada com o intuito de homogeneizar a amostragem, já que a polução residente nos limites geográficos das unidades territoriais de saúde, são muito heterogenias. De uma amostra de 1.284 pacientes, na faixa dos 30 a 39 anos, foram sorteados para a entrevista 128 pessoas. Um questionário semi-estruturado qualiquantititivo foi elaborado com duas perguntas condicionais. A primeira pergunta pretendeu verificar se o paciente pretende ou não tomar a segunda dose da vacina de Covid19. A segunda pergunta consistiu em saber qual o motivo da recusa ou da hesitação.
Os resultados apresentados mostram que 32% da população entrevistada, na faixa de 30 a 39 anos, se recusam a completar o ciclo vacinal e 64,8%, protelaram em se imunizar com a segunda dose da vacina contra a corona vírus e apenas 3 % não souberam responder. Dos 32% dos entrevistados, que disseram que se recusam a completar o esquema vacinal, mais de 8%, dos entrevistados, entrou em contradição nas suas respostas. Eles afirmaram que completaram o esquema vacinal, mas responderam, na primeira pergunta, que não iriam efetuar tal procedimento. O restante dessa população entrevistada, alegou inúmeros motivos para não finalizar o ciclo vacinal. As justificativas corroboram com os apontamentos encontradas na literatura de que a recusa vacinal está relacionada a severidade dos eventos adversos, a subestimação da eficácia da vacina e das complicações que o Covid19 possa apresentar, a desinformação e o negacionismo. Em contrapartida, dos 64% da população entrevistada que protelou completar o ciclo vacinal, aproximadamente 61% apresentou as mesmas justificativas dos pacientes que se recusam a completar o ciclo vacinal. Entretanto aproximadamente 39% dessa amostra apresentaram como justificativa de hesitação vacinal a incompatibilidade do horário de trabalho com horário de funcionamento dos postos de vacinação. Esse conflito de horários ocorre porque esse estrato da população é uma porção da população economicamente ativa, que está comprometida em diferentes tipos de atividade laborais.
Essas informações refletem bem a complexidade da relação indivíduo-sociedade, pois o fator acessibilidade, para essa faixa etária da população barbarense é mais preponderante em relação a aceitabilidade às vacinas de Covid19. Assim, tanto a pandemia quanto a campanha de vacinação foram responsáveis por instaurar um paradoxo de incertezas que dentre outros fatores, levou a hesitação vacinal da população. Por outro lado, esse panorama foi fundamental para que as estratégias de políticas públicas, referentes a campanha de vacinal, fossem ajustadas. Assim, com o intuito de aumentar o acesso da população aos imunizantes do SARS-CoV2, os horários de fechamento de alguns postos de vacinação foram postergados e o banco de dados dos munícipes faltosos foi utilizado pela Atenção Primária de saúde como uma guia setorial na busca ativa de pacientes. Os apontamentos observados nesse trabalho podem servir de exemplo, para outras secretarias municipais de saúde, para tentar mitigar a desinformação e a infodemia sobre as vacinas.
Vacinação, Covi19, Hesitação Vacinal.
Thiago Salomão de Azevedo, Miriã Tonus de Oliveira, Wilson José Guarda