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Em muitos homens, o sofrimento emocional chega disfarçado: adoecimento pelo trabalho, irritabilidade, abuso de álcool, isolamento, explosões, somatizações e dificuldades relacionais. Barreiras culturais reduzem a busca espontânea por psicoterapia, favorecendo procura tardia e agravamento do quadro. No Ambulatório de Saúde Mental, foi implantado um grupo psicoterapêutico de homens para ampliar acesso, adesão e cuidado longitudinal, com linguagem direta, pactos claros e foco em autorregulação emocional e responsabilidade relacional. A proposta fortalece o SUS ao organizar um dispositivo de cuidado contínuo, acolhedor e não estigmatizante, capaz de atuar tanto na clínica do sofrimento quanto na prevenção de desfechos associados (conflitos familiares, risco ocupacional, uso problemático de substâncias).
1.Ampliar acesso e adesão de homens ao cuidado em saúde mental via psicoterapia em grupo; 2.Reduzir sofrimento psíquico e fatores de risco associados (uso de álcool e outras drogas, impulsividade, conflitos); 3.Desenvolver repertório de enfrentamento: comunicação, regulação de estresse, manejo de raiva e tomada de decisão; 4.Qualificar fluxos com a rede e sistematizar modelo replicável.
Grupo aberto (sem lista de espera), com acolhimento inicial, critérios de segurança e contrato de confidencialidade e respeito. Encontros semanais (60 min) conduzidos por psicólogo: check-in, tema do dia (raiva, ansiedade, trabalho, paternidade, limites, recaídas, vergonha), psicoeducação, treino de habilidades (autorregulação, comunicação assertiva, prevenção de crises) e tarefa simples para a semana. Quando necessário, encaminhamentos pactuados para cuidado individual e/ou serviços de referência. Monitoramento por presença, permanência e relatos de mudança funcional.
O grupo apresenta adesão elevada e manutenção do vínculo, com relatos de melhora na capacidade de conversar, maior senso de controle emocional e redução de estratégias disfuncionais de enfrentamento. O formato aberto amplia acesso e reduz abandono por barreiras de entrada, permitindo cuidado contínuo no Ambulatório de Saúde Mental. Indicadores registrados no Ambulatório: participantes médios por encontro: 30; presença média 100%; grau de satisfação (0 a 5): 5. além de registros clínicos de melhora em conflitos, sono, estresse e padrões de uso de substâncias quando presentes.
O grupo oferece um caminho concreto para um público subatendido: homens que raramente chegam “pedindo terapia”, mas que se beneficiam intensamente quando encontram um dispositivo com método, previsibilidade e respeito. Como grupo aberto no Ambulatório de Saúde Mental, a experiência fortalece princípios do SUS por ampliar acesso, promover integralidade e sustentar cuidado longitudinal. É replicável, de baixo custo e alto impacto comunitário, com potencial de expansão mediante padronização de registro e indicadores.
Saúde mental masculina, grupo terapêutico
WANDERLEY PIROLA