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A Agenda 2030 é composta por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) com 169 metas e monitoradas por 231 indicadores que orientam as ações nas 3 dimensões do desenvolvimento sustentável e tem por objetivo elevar o desenvolvimento mundial e a qualidade de vida das pessoas (ONU,2018). Pensando nas metas da Agenda 2030, encontramos as hortas urbanas que tem relação direta com 4 ODS: ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, pois fornecem acesso aos alimentos frescos e saudáveis; ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, que contribuem para uma dieta mais saudável; ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, que promovem o uso eficiente do espaço urbano, ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima, que podem ajudar a mitigar alterações do clima através da captura de carbono e redução de alimentos produzidos em larga escala. As hortas em Unidades Básicas de Saúde podem trazer benefícios para a saúde das pessoas, como o acesso aos alimentos saudáveis, atividade física, educação em saúde, socialização e bem-estar emocional. A construção de uma horta comunitária gera a reflexão da comunidade sobre as questões ambientais, qualidade nutricional e qualidade de vida (Freitas et al, 2013). Dentre os temas que envolvem as questões ambientais estão as mudanças climáticas, que podem potencializar o surgimento de doenças respiratória com o aumentar a propagação de vetores responsáveis por agravos à saúde humana, lançando desafios ao Sistema Único de Saúde.
Objetivo Geral: Fomentar a promoção da saúde por meio do estímulo ao hábito alimentar saudável, interação social e conexão com a natureza. Objetivos Específicos: Informar sobre as ODS enfatizando as mudanças climáticas e as implicações na saúde humana. Aproveitar as áreas ociosas do quintal da Unidade Básica de Saúde(UBS) melhorando a cobertura vegetal com o plantio de árvores e outros cultivos. Resgatar e valorizar os conhecimentos da comunidade. Estimular a prática de cultivos nos quintais residenciais e em áreas públicas do território. Contribuir para implementação da Política Municipal da Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PMPICS), cultivando plantas autorizadas e aquelas de interesse do SUS.
A horta está localizada no quintal da UBS Carmela e teve início no ano de 2017. Neste local já havia uma horta que era cuidada por uma funcionária não havendo a participação da comunidade. Desta forma organizamos uma equipe de pessoas da comunidade e funcionárias da UBS e propusemos para a gerente e a responsável pela horta, o estabelecimento de uma horta com a participação da comunidade e voltada para a promoção e prevenção da saúde. Elaboramos um projeto que foi entregue para a gerente e ao Conselho Gestor de Saúde. Mediante a aprovação do projeto, iniciamos as reuniões para definir um plano de ação. Definimos algumas atividades com intuito de divulgar o projeto da horta, utilizamos como estratégia a construção de oficinas como: cultivo de suculentas, terrário, compostagem. A divulgação era realizada na sala de espera, foram também utilizados cartazes. Iniciamos os trabalhos ampliando e optamos pelo cultivo orgânico de plantas medicinais, hortaliças e PANC – Planta Alimentícia Não Convencional. Além disso, entramos em contato com a Secretaria do Meio Ambiente para pedir matéria orgânica (picado) para melhorar do solo, firmando uma nova parceria. E uma composteira foi feita no local. O grupo se reúne uma vez por semana, e na colheita, ficou acordado que os produtos da horta estariam dispostos em uma mesa que fica ao lado da horta para serem levados pelos participantes. Cada pessoa leva o produto da sua preferência, observando a quantidade disponível
Maior participação da comunidade no Conselho Gestor de Saúde, e melhora na relação com a UBS, fortalecimento de vínculos dentre os participantes da horta, troca de conhecimentos, sentimento de pertença, melhora na qualidade da alimentação e consumo de PANC. O Grupo da horta tem consolidado parcerias importantes de inclusão social e integração com a UBS, a exemplo do Centro de Atenção Psicossocial Arco-Íris, onde os pacientes do território participam dos trabalhos da horta uma vez por mês, integração também nas atividades do Grupo da Enfermagem, com foco na promoção de saúde e prevenção do sobrepeso e obesidade. Outras parcerias da horta são com a Escola Estadual Zilda e com o Grupo de Catequese da Igreja Católica, próxima a UBS. As atividades desenvolvidas no Espaço da Horta são voltadas para educação alimentar, educação ambiental, com estratégias de vivência na agricultura urbana. A melhora na permeabilidade do solo e da cobertura superficial, contribuíram com a absorção da água da chuva e controle da erosão. A horta teve um importante reconhecimento no ano de 2019, nosso Projeto foi laureado com o Selo Ambiental (Portaria n.º 074/2015). No ano de 2022 participamos do Evento Estratégia ODS ONU- “O Futuro que Queremos, onde nosso Projeto foi classificado como boas práticas em prol de um mundo melhor. Neste ano 2024 participamos da elaboração de um Capítulo de Livro sobre Hortas Comunitárias Urbanas – Organizado pelo Instituto de Saúde/SP.
No trabalho da horta observamos muitas oportunidades, como a de informar sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, estimulando ações que contribuem com a sustentabilidade, é transformadora no sentido de recuperar ambiente degradado em local de produção de alimentos saudáveis, com a intervenção e conhecimento da comunidade. Vale lembrar que são alimentos cultivados sem adição de produtos químicos, o adubo usado é produzido próximo a horta. Outros aspectos positivos é a conexão da horta com as ações da UBS, na promoção e prevenção em saúde, como a integração ao Grupo que trata da prevenção do sobrepeso e obesidade, e com o CAPS, promovendo a inclusão social e integração dos pacientes. A interface da horta com a E. E. Zilda, e a parceria com a Professora de Catequese da Igreja Católica favoreceu a aproximação dos adolescentes que visitam a horta e participam de vivência em agricultura urbana, favorecendo o contato com alimentos da horta. Embora hortas dentro de uma UBS, possa trazer tantas contribuições, todavia a inexistência de recursos financeiros limita seu desenvolvimento. Sugerimos maior integração das hortas das UBSs, com as PMPICS e as políticas de agricultura urbana do município.
Palavras-chave: Horta, ODS, Mudança Climática
SILVIA ROSANA DOS SANTOS