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A Política Nacional de Humanização (PNH), representa um marco fundamental na transformação das práticas de saúde no Brasil1. Busca ressignificar o atendimento no SUS, priorizando a inclusão e corresponsabilidade entre profissionais, gestores e usuários, representando uma transformação no modo de produzir saúde e oportunizando construção de relações empáticas e resolutivas. Na PNH, o facilitador desempenha papel crucial na implementação com responsabilidade em promover diálogos horizontais entre profissionais, gestores e usuários, estimular a reflexão crítica sobre práticas de saúde e fomentar a autonomia e corresponsabilidade dos sujeitos. Profissionais capacitados em humanização tendem a desenvolver uma maior empatia e compreensão, o que se traduz em uma experiência mais positiva na produção do cuidado e formar facilitadores para este processo pode ser uma garantia da aplicação da política nos espaços de saúde. A oficina é uma metodologia educacional que promove a aprendizagem ativa e a construção coletiva do conhecimento. Este formato se distingue por sua abordagem interativa, onde a colaboração permite explorar temas relevantes e desenvolver habilidades práticas em um ambiente democrático e participativo. Como recurso na perspectiva da Educação Permanente promove um aprendizado significativo através da interação, reflexão e prática enriquecendo o processo e capacitando os participantes a se tornarem agentes ativos na construção do conhecimento, objeto deste relato.
Apresentar a experiência da oficina de humanização para formação de facilitadores em humanização no município da Barueri e especificamente: •Promover um espaço de diálogo onde os participantes possam refletir sobre a importância da humanização nas práticas de saúde, considerando suas próprias experiências e contextos. •Explanar os conceitos e diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH), abordando como essa política pode ser aplicada na prática diária dos profissionais de saúde. •Fazer um diagnóstico situacional das de ações de humanização nos equipamentos de saúde •Discutir e analisar experiências práticas de humanização e desenvolver soluções criativas para os desafios enfrentados.
O Núcleo de Educação Permanente (EP) e Humanização em Saúde da Escola de Saúde planejou oficina para facilitadores em humanização para fortalecimento da PNH no sistema de saúde municipal. A oficina dividiu-se em 3 atos. No 1º ato (agosto/24), inicialmente os participantes foram recebidos com uma experiência sensorial através da arte cênica partindo-se da premissa que apelos sensoriais tendem a despertar sensações/emoções mais fortes e permanecem por mais tempo em nossa mente impactando nossa maneira de sentir, pensar e fazer, bem como, na construção de vínculo. A seguir foram convidados para explanação dialógica sobre conceitos e diretrizes da PNH, abordando como essa política pode ser aplicada na prática diária em saúde. Ao final fez-se uma provocação e os participantes foram convidados a fazerem discussão em seus equipamentos e mobilização da gestão local para reconhecimento das 5 diretrizes da PNH: acolhimento, gestão participativa, ações coletivas, cuidado ampliado e produção de redes. No 2º ato, encontros de trabalho com cerca de 5-6 equipamentos foram realizados e cada equipamento apresentava o que reconhecia ou das diretrizes e discussões eram feitas por todos os participantes. Foram realizados 25 encontros entre set/24 e jan/25. Relatório final com um panorama da Humanização foi gerado. O 3 º ato ocorrerá entre mar-abr/25 com apresentação das experiências reconhecidas em humanização no município. Em todos os atos foram aplicados questionários avaliativos da oficina.
A oficina foi concebida como estratégia de EP, para promoção de reflexão crítica sobre a humanização na saúde (HS) de Barueri. Constatou-se necessidade de criar espaços para reflexões sobre o processo de humanização e que estes se consolidem a médio e longo prazo. Após o 1º ato 78,8% se consideraram satisfeitos com atualização das informações recebidas, 51,5% afirmam que a oficina superou expectativas e 100% se consideraram satisfeitos. O 2 º ato permitiu diagnóstico situacional da humanização na saúde de Barueri apontando potencialidades e limitações. Se discutiu e analisou experiências práticas de humanização e soluções criativas para desafios enfrentados. Após o 2º ato, 75% afirmou que foi possível refletir sobre a importância da humanização e diretrizes no equipamento de saúde por diálogo com pares, trazendo resultados para o 2º encontro; 87,5% consideraram que modelo de discussão entre pares permitiu um olhar sobre desafios e potencialidades, frente ao diagnosticado quanto as diretrizes da PNH. 62,5% dos participantes se sentem engajados em discutir e implementar ações facilitadoras para HS no equipamento que representavam, 37,5% consideram de difícil aplicação as diretrizes de humanização na prática. A oficina até o momento se traduziu em espaço potencial crítico de negociações de sentido e reflexão, possibilitando visibilidade de argumentos e posições.
A humanização como política inclusiva e resolutiva, constitui forma de melhoria da gestão do cuidado e propõe inovações nas práticas gerenciais e de produção em saúde. Espaços para discussão das práticas e reflexões, como o de oficinas, sobre modos de atenção deslocam o olhar de uma produção de conhecimentos informativa para a construção coletiva de um novo arcabouço para práticas, dotado de integralidade e humanização, bem como considerando o usuário como sujeito ativo na ação terapêutica. Trabalhar na lógica da oficina com um espaço democrático de participação preservado no segundo ato foi uma forma do Departamento Escola de Saúde fazer gestão participativa reconhecido por 62,% dos participantes, onde todos tiveram têm voz ativa e responsabilidade compartilhada permitiu a construção de consensos e fortalecimento das relações interpessoais. Os desafios à prática da humanização nos serviços de saúde pública são complexos e interligados, exigindo uma abordagem multifacetada para serem superados. É fundamental investir em formação contínua para os profissionais e promover uma cultura organizacional que valorize o cuidado humanizado. Somente assim será possível avançar na construção de uma política de humanização na prática.
Cuidado humanizado, educação permanente, educação
GISELLE RODRIGUES DE SANT’ANNA NEVES, RENATA TICIANE ROSSINI, VIVIANE ALVES DO ESPIRITO SANTO