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A obesidade é uma doença crônica que pode ser definida como acúmulo excessivo de gordura corporal, especialmente na cintura abdominal, podendo levar ao surgimento de outras doenças como diabetes mellitus tipo 2, eventos cardiovasculares e câncer. E, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, espera-se que em 2025 existam mais de 2 bilhões de pessoas no mundo acima do peso – IMC igual ou maior que 25. No Brasil, a expectativa é de que, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), 55,4% da população brasileira esteja acima do peso, em dados divulgados em 2019. Entrementes, no município do Guarujá, estima-se que existam pelo menos 10 mil pessoas acima do peso de acordo com dados do eSUS – número que pode ser ainda maior uma vez que existem cerca de 240 mil pessoas que não informaram dados com relação ao seu peso. Diante deste cenário, entende-se a necessidade de identificar os pacientes obesos e iniciar um plano terapêutico a fim de, não apenas diminuir o número de pacientes obesos, mas também promover uma mudança no estilo de vida. Desta forma, na USAFA Cidade Atlântica, localizada no município do Guarujá, ao longo de um ano – entre março de 2024 até março de 2025 – os médicos responsáveis pela Área Verde da unidade iniciaram a identificação e manejo inicial dos pacientes obesos.
O propósito dessa ação é realizar a triagem dos pacientes da Área Verde da USAFA Cidade Atlântica, identificando aqueles que possuem um IMC > 30,00 e circunferência abdominal acima de 80 para mulheres e 94 cm para homens. Ademais, acompanhar o controle de peso e comorbidades dos pacientes com um acompanhamento multidisciplinar com os profissionais da área da nutrição e educação física. Além de utilizar as consultas como espaço de promoção de saúde, em que o paciente participe da criação do plano terapêutico e seja instruído sobre sua situação e o que deve-se feito para a melhora de sua qualidade de vida.
A identificação e manejo inicial de pacientes com obesidade utilizou os protocolos a linha de cuidado à obesidade do ministério da saúde, em que os médicos da Área Verde da USAFA Cidade Atlântica ao longo dos atendimentos realizados entre março de 2024 até março de 2025. A iniciativa também possui um caráter multidisciplinar, uma vez que contou com a participação de outros profissionais como educadores físicos e nutricionistas na tentativa de iniciar uma mudança do estilo de vida nos pacientes obesos.Ademais, utilizar nas consultas dados sobre obesidade e suas consequências a fim de educar o paciente sobre a situação de sua saúde e como o autocuidado pode ser essencial na melhora de seus dados antropométricos e valores de exames laboratoriais como colesterol e glicemia de jejum.
Ao longo do ano – março de 2024 até março de 2025 – foi possível perceber que as iniciativas de cuidado específico voltado à população obesa da Área Verde da USAFA Cidade Atlântica permitiu que pacientes não apenas apresentassem diminuição de peso, circunferência abdominal e IMC, mas também mudança nos hábitos alimentares e criação de uma rotina de prática de atividades fisicas.
A promoção de saúde nas consultas realizadas na Atenção Básica associada ao plano terapêutico criado em conjunto com o paciente é fundamental para a melhora dos índices, não apenas da obesidade, mas de diversas comorbidades. Com a identificação e manejo inicial de pacientes obesos é possível criar em conjunto com o paciente e equipe multidisciplinar objetivos de melhora de dados antropométricas, valores de dados laboratoriais, além de melhora da qualidade de vida e criação de novos estilos de vida.Ademais, também é válido lembrar que tais ações também refletem na diminuição de atendimentos nos serviços de urgência e internações hospitalares.
Medicina, obesidade, APS, MEV.
CAIO VINICIUS GUEDES DO AMARAL