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O enfrentamento de arboviroses emergentes exige respostas rápidas, coordenadas e inovadoras. A Febre do Oropouche representa uma ameaça crescente, devido à semelhança clínica com outras arboviroses e ao seu potencial de causar surtos. Entre abril e julho de 2025, no município de Ubatuba, na comunidade do Sertão do Ubatumirim e em bairros próximos, foi registrado um aumento de casos suspeitos com características distintas das anteriormente observadas, demandando ação imediata da Vigilância em Saúde. Esta experiência evidencia uma intervenção exitosa e integrada, combinando busca ativa de casos, notificação, coleta de amostras, análise epidemiológica e articulação com a rede assistencial. Profissionais da Vigilância Epidemiológica, do Controle de Vetores, do laboratório de referência e da Gestão Municipal atuaram de forma coordenada, fortalecendo a resposta do SUS municipal. A população beneficiada, estimada em aproximadamente 97.096 habitantes — sem considerar a população flutuante — teve acesso à detecção precoce de casos, orientações de prevenção e redução do risco de disseminação. O modelo implementado demonstrou eficácia, rapidez e replicabilidade, podendo servir de referência para outros municípios frente ao agravo.
Demonstrar a eficácia de uma abordagem integrada para a investigação de surto de Febre do Oropouche em Ubatuba, com foco na identificação precoce de casos, no controle da disseminação, listar os sintomas de maior incidência, acompanhar os casos confirmados e no fortalecimento do SUS municipal. Avaliar o impacto direto na população, consolidar fluxos de notificação e articulação intersetorial e evidenciar a replicabilidade do modelo, criando referência para outros municípios que enfrentem surtos dessa arbovirose.
A Vigilância Epidemiológica coordenou a investigação a partir de 2025, integrando os serviços de assistência, o laboratório de referência, o controle de vetores e a gestão municipal. Foram realizadas a notificação e a investigação de 120 casos suspeitos, com aplicação de ficha epidemiológica padronizada, busca ativa domiciliar e comunitária, coleta e envio de amostras para diagnóstico laboratorial, análise contínua de dados e monitoramento dos casos. As orientações sobre prevenção foram direcionadas tanto aos profissionais de saúde quanto à população local, além da elaboração do Fluxo Municipal de Atendimento para suspeita de Febre do Oropouche e demais arboviroses com circulação no município. Esse fluxo permitiu padronizar desde a suspeição clínica até a solicitação de exames para diagnóstico e a notificação compulsória imediata, priorizando medidas de controle e ações de campo. Participaram da ação equipes da Vigilância Epidemiológica, Unidades Básicas de Saúde, Equipe de saúde indígena, unidades de urgência e emergência, laboratório e gestão municipal. A integração entre os setores possibilitou uma resposta rápida, coordenada e eficaz, garantindo registro detalhado para avaliação e replicabilidade futura.
Foram notificados 133 casos suspeitos de Febre do Oropouche no período analisado, com 27 confirmações laboratoriais, resultando em taxa de positividade de 20,33%. A análise permitiu caracterizar o surto quanto à distribuição temporal, perfil demográfico e manifestações clínicas. Observou-se maior incidência na faixa etária de 20 a 49 anos, com predominância do sexo masculino (54%) e registro de um caso em gestante, cuja evolução foi monitorada. Entre os casos confirmados, 95% apresentaram febre, cefaleia e mialgia, associadas a sintomas gastrointestinais e lombalgia. A duração média foi de dois a três dias, com recidiva após cerca de dez dias. Não houve hospitalizações ou óbitos, com taxa de letalidade de 0%. Identificou-se vínculo epidemiológico em 80 casos suspeitos, sem confirmação laboratorial em razão da limitação temporal para coleta de amostras. A resposta integrada entre vigilância epidemiológica e assistência possibilitou detecção precoce, investigação ativa e implementação oportuna de medidas de controle, inclusive em comunidade indígena local. As ações adotadas contribuíram para a mitigação do risco de ampliação da transmissão, redução da subnotificação e interrupção de cadeias de transmissão, fortalecendo a capacidade de resposta do sistema municipal. Persistem desafios relacionados ao controle vetorial específico e disponibilidade de métodos laboratoriais com maior janela de detecção após o início dos sintomas.
Esta experiência evidencia que respostas rápidas, integradas e coordenadas são essenciais para o enfrentamento de arboviroses emergentes. A investigação fortaleceu os fluxos de notificação, monitoramento e diagnóstico, consolidando a articulação entre a Vigilância Epidemiológica, o controle de vetores, a Assistência à Saúde, o laboratório e a gestão municipal. O modelo resultou em impacto direto na população, com detecção precoce de casos e qualificação das equipes. Para o futuro, a manutenção da vigilância ativa, a capacitação contínua e o aprimoramento das estratégias de controle de vetores são fundamentais para garantir a sustentabilidade e a preparação do SUS municipal frente a novos surtos. Esta experiência se apresenta como um modelo de excelência em nível municipal, com resultados mensuráveis e passíveis de aplicação em outras localidades, alinhando inovação e efetividade na saúde pública.
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ALYNE CHRISTINA BITTENCOURT AMBROGI COLI, GABRIELA FERREIRA RAMOS DA CRUZ, JORGE LUIZ DANTAS, LUAN SANTOS COIMBRA, WELLINGTON APARECIDO LIRA, SIMONE BRITO DOS SANTOS MARCONDES